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Edição Nº 62 Director: Mário Lopes Segunda, 19 de Dezembro de 2005
Após a visita de D. Ximenes Belo ao concelho
Câmara e comunidade escolar de Ourém preparam campanha de apoio a escola de Timor

 Um autógrafo para a escola de Caxarias

D. Ximenes Belo visitou instituições de ensino do concelho de Ourém nos dias 13 e 14 de Dezembro. O Bispo de Dili durante o período de transição para a independência foi o principal orador de quatro colóquios, um dos quais na tarde do dia 13, na Escola Básica 2/3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão, na Freguesia de Caxarias, sobre "O Futuro dos Direitos Humanos no Mundo Actual". Na sequência desta visita, tanto os responsáveis da escola como a autarquia prometeram lançar uma campanha de apoio a uma escola de Timor a designar pelo prémio Nobel da Paz de 1996.

A visita de Ximenes Belo teve início no dia 13 de manhã com uma recepção na Câmara Municipal. Seguiram-se depois quatro colóquios: o primeiro na EB 2/3 de Freixianda. e o segundo na escola de Caxarias, ambos na terça-feira. O terceiro teve âmbito alargado, no Cine-Teatro Municipal e o último teve lugar no Salão da Igreja Paroquial de Fátima, ambos na quarta-feira. A visita encerrou com uma missa, celebrar ao fim da tarde na Igreja Paroquial de Fátima.

Logo pelas 9 horas, o Prémio Nobel da Paz foi recebido pelos autarcas locais no Salão Nobre dos Paços do Concelho, espaço que se mostrou pequeno para todos os que quiseram uma das maiores figuras timorenses de sempre. A cerimónia foi presidida por David Catarino e Deolinda Simões respectivamente, presidente da Câmara e presidente da Assembleia Municipal de Ourém.

Um colóquio sob o signo da paz

David Catarino começou por considerar que a edilidade dá particular significado "à causa de valores pela qual luta", defendendo que o exemplo de Ximenes Belo é inspirador para todos, sobretudo, para os jovens. Já Deolinda Simões, presidente da Assembleia Municipal de Ourém, enalteceu o envolvimento humanista do Nobel, elogiando o seu papel de "porta-voz do povo maubere numa altura em que ele não tinha voz".

Por seu turno, Ximenes Belo agradeceu o apoio já demonstrado pelos oureenses ao povo timorense aquando da independência do território. Num gesto de gratidão, lembrou também o papel de Portugal que, nas suas palavras foi "ao longo dos anos o grande apoiante de Timor", recordando também que o País ainda vive numa situação de pobreza muito grave: "Tirando Dili e Baucau ainda se vive uma situação de grande pobreza em todo o território".

David Catarino encerrou a sessão oferecendo o apoio da Câmara e dos oureenses a uma cidade ou localidade timorense. Assim, Ximenes Belo irá designar a localidade mais necessitada e irá estabelecer-se, a partir daí, uma colaboração estreita visando dotá-la de melhores condições de vida.

"O Futuro dos Direitos Humanos no Mundo Actual"

 D. Ximenes Belo

Algumas centenas de alunos encheram o pavilhão gimnodesportivo da Escola Básica 2/3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão, na Freguesia de Caxarias para ver e ouvir o Prémio Nobel da Paz. O colóquio "O Futuro dos Direitos Humanos no Mundo Actual" foi antecedido pela leitura do poema "Sou cidadão do mundo" por uma aluna e do poema "Lágrima de preta", lido por um professor.

A sessão foi presidida por Ramiro Marques, presidente do Conselho Executivo da EB 2/3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão, e contou com as presenças de Sérgio Henriques, padre da freguesia de Caxarias, Vítor Frazão, vereador da autarquia, Natália Freire Nunes, presidente da junta de freguesia de Caxarias e os professores Fernando Graça, Filipe Baptista e Anabela Silva.

O presidente do Conselho Executivo da escola, abriu o colóquio defendendo que "o futuro dos direitos humanos passa principalmente pela aposta na qualidade da escola e do ensino". Para Ramiro Marques "é no interior e à volta da escola que se constrói o baluarte da defesa dos direitos humanos". O presidente da EB 2/3 de Caxarias defendeu ainda "a aposta na qualidade da escola pública e no relacionamento entre pais, alunos, professores e pessoal auxiliar" como a melhor forma de estruturar a verdadeira defesa dos direitos humanos.

 Intervenção de Ramiro Marques, presidente do Conselho Executivo da Escola de Caxarias

Por sua vez, Natália Freire Nunes enalteceu a humildade de D. Ximenes Belo, formulando desejos para que mais pessoas sigam o seu exemplo pelo mundo". Já Vítor Frazão, vereador da Câmara Municipal de Ourém, considerou que "D. Ximenes Belo é e continua a ser a voz dos pobres para se fazerem ecoar pelo mundo". O autarca considerou "que a vinda do Prémio Nobel da Paz a Ourém escreveu uma página da história do concelho", apelando também aos presentes para "que possamos dar um pouco de nós a quem realmente precisa".

D. Ximenes Belo revelou que uma das razões que o levou a aceitar o convite para vir a Ourém se prendeu com o facto de ser necessário "dialogar e repensar os valores dos jovens". O prémio Nobel da Paz lembrou que a "declaração universal dos direitos do Homem data de 1948" e até agora esses direitos continuam a não ser cumpridos. "Todos os jovens e crianças têm direito à alimentação, saúde, escola, compreensão e diálogo", mas tal continua a não se verificar", sublinha.

O orador questionou as razões da invasão de Timor: "Será que (os timorenses) não têm direito à sua identidade própria, à sua independência e à sua Cultura?", sublinhando que "os países, por mais pequenos que sejam, também têm direito a existir e a preservar a sua Cultura". O antigo bispo recordou que "morreram mais de 250 mil pessoas" durante a invasão de Timor pela Indonésia.

 Jovens de Ourém ouviram o Prémio Nobel
da Paz com atenção

Em relação à escola de Timor, D. Ximenes Belo revelou que "não tem carteiras, bancos, livros e cadernos" e por isso "os direitos desses jovens não se realizam no essencial", defendendo ser importante "que a solidariedade internacional perceba que deve ajudar os que mais precisam", para que se possa cumprir a declaração universal dos direitos humanos". O prelado aproveitou também para alertar para a falta de alimentos em Timor, visto haver crianças que vão para a escola sem comer. "Há pessoas que morrem porque comem demais e outros que morrem por não ter nada para comer", recordou.

"Onde arranjou coragem para lutar pelos direitos das crianças?". Foi desta forma que se deu início a um pequeno ciclo de questões colocadas pelos alunos da Escola Básica 2/3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão. "Ganhei coragem convivendo com as pessoas" e "vendo as dificuldades que estas tinham até para se deslocar de umas zonas para outras, já que nessa altura era necessário pedir autorização aos soldados indonésios" para o fazerem, revelou o Prémio Nobel da Paz. "Senti que isto não era vida e comecei a visitar as aldeias e a falar com as pessoas, sempre defendendo as crianças", frisou.

Outro aluno questiona D. Ximenes Belo sobre as qualidades necessárias para se conseguir lutar pela justiça contra a violência. É preciso "ser persistente e não ter medo de enfrentar e mostrar que o caminho melhor para vivermos é a qualidade de vida humana", respondeu.

"O que significou para Timor a atribuição do prémio Nobel da Paz?" Para D. Ximenes Belo, a atribuição do prémio "serviu para relembrar às pessoas a existência de uma ilha perdida no oceano chamada Timor" e dar "visão à luta dos timorenses pela sua sobrevivência".

No entanto, o antigo Bispo de Dili revelou que, apesar de "as condições do povo de Timor terem melhorado, ainda continuam a ser violados os seus direitos", já que a continuam a ser escassos os alimentos, as condições de saúde e a escola o que "não permite que as crianças e jovens se possam desenvolver correctamente".

O último aluno pediu a Ximenes Belo que comparasse as escolas de Portugal com as escolas de Timor. O convidado timorense respondeu que "a escola em Portugal é um luxo", ao cabo que em Timor "não existem por exemplo pavilhões para a prática do desporto", e que "em muitas das escolas não existem bancos nem carteiras, o tecto das escolas é de colmo ou erva, as paredes de bambu e as crianças andam descalças". "Há zonas no mundo que têm tudo e outras que não têm nada", desabafou.

A encerrar, Ramiro Marques, presidente do conselho executivo da EB 2/3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão, promete que "esta escola irá realizar uma grande campanha de solidariedade para com Timor", o que foi alvo de uma grande salva de palmas por parte de todos os presentes.

Declaração Universal dos Direitos do Homem

Artigo 1: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direito (...)

Artigo 2: Todo o Homem tem capacidade par gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, opinião política ou de outra natureza (...)

Artigo 3: Todo o Homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal (...)

Artigo 4: Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. A escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as formas (...)

Artigo 5: Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento ou castigo cruel (...)

Artigo 9: Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado (...)

Artigo 15: Todo o Homem tem direito a uma nacionalidade. Ninguém será privado da sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade (...)

Artigo 18: Todo o Homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência ou religião (...)

Artigo 19: Todo o Homem tem direito à liberdade de opinião e expressão (...)

Artigo 22: Todo o Homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis e à protecção contra o desemprego (...)

Artigo 25: Todo o Homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar, nomeadamente no que respeita à alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis (...)

Artigo 26: Todo o Homem tem direito à instrução (...)

19-12-2005
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