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Edição Nº 56 Director: Mário Lopes Terça, 21 de Junho de 2005
Barreiro, Abrantes, Santarém e Alcobaça
"As Variedades de Proteu": uma ópera singular no encerramento do XIII Cistermúsica

 SA Marionetas: o merecido aplauso para os marionetistas de Alcobaça no final do espectáculo

A ópera "As Variedades de Proteu", com texto de António José da Silva (o Judeu) e música de António Teixeira, decorreu de 1 a 4 de Junho, nas cidades do Barreiro, Abrantes, Santarém e Alcobaça, constituindo um assinalável êxito artístico e de público. No último dia do XIII Cistermúsica, melómanos de todo o País deslocaram-se ao Cine-Teatro de Alcobaça para ver esta ópera barroca de marionetas, estreada em 1737, e que não era vista em Portugal há mais de 20 anos. O espectáculo contou com a participação dos SA Marionetas e da orquestra "Escola de Rethorica, Metrica e Harmonia", dirigida por Stephen Bull.

Alexandre Delgado foi o autor da adaptação do texto, explicando que "As Variedades de Proteu" foram apresentadas neste espectáculo numa versão resumida pois a original durava 4 ou 5 horas, dado que à época a noção de tempo era muito diferente da actual. António José da Silva, o Judeu, escreveu a ópera em 1737, no mesmo ano em que voltou a ser preso pela Inquisição, desta vez para ser relaxado em carne pelo Santo Ofício, no dia 18 de Outubro de 1739. O espectáculo estreado no teatro de marionetas do Bairro Alto, em Lisboa, contou com a música de António Teixeira, um compositor que estudou em Roma como bolseiro da coroa e que, por isso, compôs muito mais música sacra que música secular.

 Cena da ópera barroca

No final do espectáculo, José Gil, dos SA Marionetas, referiu ao Tinta Fresca que o desafio para colaborar nesta ópera surgira há alguns meses, mas há vários anos que a companhia de Alcobaça desejava levar à cena a ópera do Judeu. O espectáculo, integrado no programa ArteEmRede, foi gravado em vídeo e mobilizou um total de 22 pessoas. De salientar ainda que esta ópera irá ser gravada e editada na colecção Portugal Som, do Ministério da Cultura.

Por sua vez, Alexandre Delgado, emocionado, agradeceu a Stephen Bull o grande empenho colocado neste projecto, traduzido num meticuloso e longo trabalho de escrita da partitura a partir de excertos existentes em Vila Viçosa para alguns instrumentos e cantores de uma produção posterior da ópera, talvez dos anos 70 do século XVIII, do Teatro do Salitre. Embora a orquestração seja mais própria do final do século, Stephen Bull optou por mantê-la por a considerar boa, mantendo também o elenco de instrumentos.

Stephen Bull escreve que foi Filipe de Sousa que identificou as partes vocais e instrumentais de "As Variedades de Proteu" na Biblioteca do Palácio de Vila Viçosa, tendo reconstituído a partitura e dirigido a sua estreia moderna no Teatro da Trindade em 1968, numa encenação de Artur Ramos, com a Companhia Portuguesa de Ópera. A obra seria reposta em 1882 no Teatro Nacional de S. Carlos, dirigida por Gunther Arglebe com encenação de Carlos Avillez, com a companhia residente.

O director artístico do Cistermúsica homenageou também o trabalho de actores e marionetistas que deram uma magia especial ao espectáculo. Em relação a uma possível reposição da ópera, Alexandre Delgado confessa que face ao múltiplos projectos em que se encontra envolvido envolvido não dispõe de tempo para acompanhar o espectáculo, mas veria com bom grado que tal pudesse acontecer.

O espectáculo teve encenação de Salmo Faria, contando como actores e cantores com Mário João Alves, Susana Teixeira, Maria Repas Gonçalves, Armando Possante, Paula Pires de Matos, Marco Alves dos Santos, Rui Baeta e Carlos Guilherme. Da parte das S.A. Marionetas - Teatro e Bonecos, estiveram em palco José Gil, que também dirigiu, Carla Sofia Vinagre, Jaime Leão e Bárbara Santos.

De referir ainda que "As Variedades de Proteu" trouxeram a Alcobaça dois críticos de ópera de jornais nacionais: Bernardo Mariano do Diário de Notícias (crítica publicada a 22/6), e Jorge Calado, do Expresso (crítica publicada na edição de 11/6).

Rui Morais: "Alexandre Delgado é o meu director artístico"

Alexandre Delgado, Alcina Gonçalves e Rui Morais na apresentação do X Cistermúsica em 2002 

Num balanço deste XIII Cistermúsica, o seu director executivo adiantou que o festival foi em crescendo até ao final a partir do segundo fim-de-semana, sobretudo, porque o primeiro espectáculo coincidiu com o derby Benfica- Sporting. Rui Morais elogiou ainda o papel eclético e infatigável de Alexandre Delgado na organização do Festival de Música de Alcobaça, conseguindo dominar desde os mais ínfimos aspectos técnicos e artísticos, até à redacção dos contratos e "ainda ter um óptimo feitio", qualidades que reconhece serem muito raras de encontrar na mesma pessoa.

Por isso, no final do espectáculo e perante todos os artistas e técnicos da ópera presentes - convidados para uma merecida ginjinha de honra - o também presidente da Banda de Alcobaça revelou que Alexandre Delgado será sempre o seu director artístico enquanto couber à Academia de Música de Alcobaça a organização do evento. Para já, a continuação desta dupla de directores está apenas dependente do resultado das eleições autárquicas de Outubro de 2005.

Rui Morais congratulou-se por o Cistermúsica ser um festival único no País, apresentando frequentemente obras raramente tocadas em Portugal e, por isso, atrair melómanos de todo o País, como foi o caso desta noite, onde entre várias personalidades da Cultura portuguesa, se contaram os críticos de ópera do Diário de Notícias e do Expresso, Jorge Calado. No entanto, defende que o festival deve apresentar também as grandes obras universais, de forma a cativar um público mais alargado.

Relativamente à não atribuição do subsídio do Ministério da Cultura à edição 2005 do Cistermúsica, Rui Morais esclarece que essa circunstância se deveu ao facto do Instituto das Artes apenas ter aberto concurso para festivais com 5 ou mais anos de apoio público, o que não era o caso do Festival de Música de Alcobaça que contava apenas com 2 anos de apoio governamental (2003 e 2004). Desta forma, o Cistermúsica apenas se encontrava na posição de concorrer aos apoios anuais, cujos concursos não foram abertos em 2005, embora tal possa ainda vir a ocorrer.

Passados mais de 6 meses sobre a reabertura do Cine-Teatro de Alcobaça, o programador do Cine-Teatro lembra, em jeito de balanço, que a sala passou de uma frequência de 1 a 2 espectáculos por mês para 1 ou 2 espectáculos por semana. De qualquer forma, Rui Morais considera que o Cine-Teatro, apesar de apostar na qualidade da programação, não se tornou elitista, tendo havido até agora desde música clássica e ballet contemporâneo a comédias, à festa de aniversário da Orquestra Típica ou à Gala dos Bombeiros.

Um dado adquirido é que o Cine-Teatro de Alcobaça, apesar de possuir apenas 330 lugares, raramente esgota a sua lotação. Rui Morais considera que para encher regularmente a sala seria necessário contar também com públicos de outros concelhos, o que exigiria uma política de promoção mais agressiva e mais dispendiosa, para a qual não dispõe de verba actualmente.

Em aberto, está também a hipótese do Cine-Teatro contar com patrocinadores privados, embora a recente adesão de Alcobaça à rede de cine-teatros de Lisboa e Vale do Tejo - ArteEmRede - possa contribuir para baixar os custos de produção dos espectáculos em cartaz, esperando-se este ano uma meia dúzia de espectáculos neste âmbito.

SA Marionetas em Inglaterra e na Escócia

 José Gil

A companhia representou Portugal, de 7 a 12 de Junho, no "Dynamics 05 - International Puppet Festival" no Midlands Arts Centre em Birmingham (Inglaterra) com o espectáculo "T U B I C" e no "International Puppet Festival - Scottish Mark and Puppet Centre" no Scottish Mark and Puppet Centre em Glasgow ( Escócia ) com o espectáculo "Dom Roberto". Em Setembro, será a vez de estrear a produção Pedro e Inês, inserida nas comemorações dos 650 anos da morte de Inês de Castro.

"T U B I C" é uma mão cheia de histórias originais ilustradas por marionetas feitas de esponja que procuram fundir-se com o som envolvente e desconcertante da tuba. Já "Dom Roberto", um espectáculo de rua composto por duas peças "O Barbeiro" e "A Tourada", assenta na tradição europeia de marionetas de luva e mantém as características próprias do teatro de Robertos.


          Mário Lopes

21-06-2005
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