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Edição Nº 228 Director: Mário Lopes Domingo, 19 de Janeiro de 2020
Empresa prevê criar 40 postos de trabalho diretos
Empresa luso-americana na área do ambiente investe 6 milhões de euros no Cartaxo
   
      José Eduardo Carvalho, Pedro M. Ribeiro e Davis Fowler
A empresa BB&G – Alternative Worldwide Environmental Solutions, Lda (BB&G), representada pelos empresários Germano Araújo Carreira e David Fowler, vai construir uma unidade industrial no Valleypark - Parque de Negócios do Cartaxo.

  A assinatura do contrato decorreu hoje, na Câmara Municipal do Cartaxo, entre o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, o presidente do Valleypark, José Eduardo Carvalho e um dos empresários da BB&G, Germano Araújo Carreira.

   A instalação está prevista para o ano de 2020 e o início de funcionamento da fábrica para o 2º trimestre de 2021. O investimento previsto é de 6 milhões de euros e serão criados 40 postos de trabalho diretos. A fábrica vai operar em regime de turnos, 24 horas por dia, para maximizar todo o potencial instalado.
 
   O projeto assenta numa tecnologia própria, patenteada, que tem vindo a ser desenvolvida e testada intensivamente, desde 2012, em resultado de um longo período de investigação, por parte da equipa de gestão e respetivos parceiros.

   Trata-se de um processo exclusivamente térmico, conduzido em contínuo, para conversão de pneus usados, sob a forma de borracha triturada (livres de metal e têxtil), através da transferência de calor em ambiente anóxico. Os produtos obtidos serão o negro de fumo recuperado (N550, N660 e N772), duas frações de hidrocarbonetos (C9 a C18) e gás de síntese.

    Trata-se de um projeto inovador, motivado por causas ambientais, enquadrando-se no âmbito da Economia Circular. Esta unidade industrial irá constituir uma alternativa viável para a reutilização dos referidos componentes utilizados na fabricação de pneus, possibilitando a sua incorporação enquanto matérias primas, em diversas industrias, ou até na fabricação de pneus novos, promovendo a sustentabilidade ambiental.

   Esta é uma tecnologia limpa, que não recorre a produtos químicos ao longo do processo nem gera desperdício, permitindo a reutilização de todos os produtos obtidos. Estes produtos, tal como Germano Araújo Carreira explicou na apresentação, terão depois destinos distintos: “o negro de fumo recuperado permitirá fabricar um novo pneu utilizando uma quantidade menor do que se fosse utilizado negro de fumo virgem e com um menor impacto no ambiente”.

   “Na nossa tecnologia”, clarificou Germano Araújo Carreira, “para produzir uma tonelada de negro de fumo recuperado a emissão de CO2 corresponde a 150 kg, o que contrasta com as 3 toneladas necessárias para obtê-lo na sua versão virgem, para além das 5 toneladas de água suja que não pode ser reutilizada”.

   Este negro de fumo recuperado será depois vendido em Portugal, ao grupo Amorim, mas a maior parte será exportada para Espanha.

   “Os hidrocarbonetos, um gasóleo e uma gasolina, serão vendidos a uma refinaria – estamos já em conversações com a GALP – que, depois de serem refinados, poderão ser vendidos aos postos de abastecimento”, acrescentou.

   O último produto, o gás síntese, “será convertido em eletricidade, através de um gerador, e servirá para autoconsumo da unidade, cerca de 70% do produzido, sendo o excedente entregue à rede, através da EDP”.

   O empresário da BB&G explicou que o projeto conta com a parceria da Universidade de Aveiro, no âmbito da I&D e que será cofinanciado pelo Programa Portugal 2020. Para o futuro, o objetivo passa por “conseguir fazer um pneu novo exclusivamente a partir de um pneu usado”.

   Para a empresa, “o entusiasmo e a disponibilidade com os quais a Câmara Municipal do Cartaxo acolheu o projeto, desde o primeiro momento, o modo como se afirmou enquanto parceiro institucional e facilitador, capaz de reunir esforços, contribuíram para assegurar a implementação do deste projeto e deste investimento, no concelho do Cartaxo”.

   José Eduardo Carvalho, do Valleypark, destacou o âmbito inovador de todo o processo: “há um projeto piloto desta linha de fabricação, em Fátima, no valor de 600 mil euros, e todos os que têm oportunidade de assistir ficam impressionados com este projeto que, no âmbito do Portugal 2020, foi aprovado com a maior ponderação de mérito que um projeto no nosso país pode ter”.

   A Proman Portugal – o parceiro selecionado para efetuar a gestão da instalação da unidade industrial no Cartaxo –, é um fornecedor de serviços de engenharia, design e construção, que atua nos setores das energias, petróleo e gás. O Grupo Proman é uma das referências no setor a nível mundial, oferecendo uma ampla gama de serviços, desde o desenvolvimento inicial do projeto até estudo de viabilidade, instalação e validação de tecnologia.

   O facto da primeira unidade desta empresa ser construída em Portugal, no Município do Cartaxo, “é uma grande notícia para o concelho, uma ótima forma de começar 2020, e que nos alimenta a expectativa, fundamentada, de que em breve vamos voltar a estar aqui, a anunciar mais investimentos para o nosso parque de negócios”, afirmou o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro.

   Pedro Magalhães Ribeiro agradeceu esta escolha à BB&G lembrando que “em Portugal temos 308 municípios que lutam, trabalham e competem para atrair este tipo de investimentos e é, por isso, uma honra, que o Cartaxo tenha sido o eleito”. “Da nossa parte, tudo será feito para que a unidade esteja implementada no terreno rapidamente”, assegurou.

   No encerramento da sessão, o presidente da Câmara Municipal destacou o investimento inicial de 6 milhões de euros e a criação de 40 postos de trabalho diretos, “temos motivos para celebrar sempre que estamos a criar riqueza, trabalho e que recebemos no nosso concelho gente empreendedora”.

  Também o facto da sede social da empresa passar para o Cartaxo logo que unidade esteja construída e a preferência que será dada, em termos de recrutamento, aos munícipes, são, para o autarca, motivos de celebração, “por contribuírem, diretamente, para o tecido empresarial do nosso concelho, em diferentes dinâmicas, quer na construção do pavilhão, quer na capacidade para trabalhar com outras empresas locais e pela capacidade de atrair mão de obra qualificada”.

    “Estamos certos de que a BB&G será uma grande embaixadora do Valleypark e do Cartaxo e de que, trabalhando em conjunto, conseguiremos que mais pessoas da nossa terra possam vir a desenvolver aqui os seus negócios e assim contribuir para o desenvolvimento da nossa terra”, concluiu Pedro Magalhães Ribeiro.
 
    Fonte: GIC|CMC
19-01-2020
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