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Edição Nº 133 Director: Mário Lopes Segunda, 21 de Novembro de 2011
Opinião
Para que serve uma juventude partidária?
   

Micael Sousa
Se a pergunta “para que serve um partido político?” tem cada vez mais pertinência será igualmente importante questionar sobre qual a razão de ser, de existirem, e para que servem as juventudes partidárias - as “jotas”.

   Se os partidos políticos servem para fazer política em grupo, com indivíduos que partilham princípios, visões semelhantes e ideologias relacionadas com as práticas de governação conjunta que querem implementar, nas jotas o objetivo é também esse, mas não só. As juventudes partidárias, para além da atividade política que se espera que exerçam em representação e defesa dos jovens, servem também de espaços de experimentalismo político e aprendizagem cívica e política para os jovens. Será então nas “jotas” que os jovens experimentam a prática da política partidária, cientes da teoria da ideologia e dos princípios políticos associados a cada partido – ou pelo menos assim deveria ser.

   Mas e se os jovens forem, logo desde o berço político, ensinados, pelo exemplo, a seguir as más praticas políticas? Apesar do seu potencial enquanto espaços de formação política e cívica, e se as “jotas” forem escolas de maus costumes políticos e até da reprovável conduta pessoal? É muito importante pensar na importância das “jotas”, pois muitos dos futuros políticos dos vários partidos por lá se formam politicamente. É importante dar os “bons exemplos” desde logo, ensinar aos jovens das juventudes partidárias que a política serve para servirem e não para se servirem, que a atividade política deve ser um modo de exercício da cidadania, não o único meio de a fazerem e muito menos como opção de emprego para toda a vida. É importante cultivar a independência do cidadão político – especialmente do jovem político -, de que será tanto melhor cidadão quanto melhor for: a sua formação e percurso profissional; a sua atividade cívica e de voluntariado em prol da sua comunidade; quanto tiver conquistado pelos seus méritos e capacidades, sem favorecimentos e favores de cor.
 
   Tem de acabar o hábito de transformar as juventudes partidárias em distribuidores de brindes de campanha e abanadores de bandeiras. O futuro da nossa sociedade não se constrói com isso, e nem sequer a atividade política útil e consequente.

   Os partidos são os modos preferenciais – para não dizer únicos da atualidade, apesar de soprarem ventos de mudança – para se fazer política consequente (não existe nenhuma democracia sem partidos políticos). A qualidade dos partidos depende também do papel das juventudes partidárias a eles associadas, especialmente para a renovação com novos membros e ideias novas e inovadoras, e até - se calhar mais importante que tudo - pela necessidade imperativa de aproximar mais os jovens da política. No entanto, se alguns dos maus exemplos políticos oriundos dos partidos começarem desde cedo a ser replicados nas camadas das suas “jotas”, muito dificilmente teremos melhor política e melhores atores políticos no futuro.

   Micael Sousa
21-11-2011
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