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Edição Nº 180 Director: Mário Lopes Quarta, 21 de Outubro de 2015
Opinião
Tromboembolismo venoso afeta dez milhões em todo o mundo
  
                 Drª Celeste Dias
Uma em quatro pessoas em todo o Mundo morre devido a problemas relacionados com esta patologia silenciosa.

   A trombose é caracterizada por uma formação anormal de coágulos sanguíneos que ocorre nas artérias ou nas veias. Quando o coágulo se forma nas veias profundas, localizadas nos grupos musculares, damos o nome de trombose venosa profunda (TVP), uma situação que ocorre, com muita frequência, nos membros inferiores. Se o coágulo se deslocar e bloquear o fornecimento do sangue num vaso distante, origina uma embolia. Ao fenómeno conjunto, de trombose e embolia dá-se o nome de tromboembolismo venoso (TEV), sendo esta considerada a terceira doença cardiovascular que mais mata no mundo. Se o órgão afetado é o pulmão desenvolve-se um tromboembolismo pulmonar (TEP).

   Anualmente, em todo o mundo, ocorrem cerca de dez milhões de casos de tromboembolismo venoso, um problema que mata, aproximadamente 544 mil pessoas, por ano, em toda a Europa. Na Europa e nos Estados Unidos da América, o TEV mata mais pessoas que a SIDA, cancro da mama, cancro da próstata e acidentes de viação.

   O TEV pode afetar pessoas de todas as faixas etárias, raças e etnias, não havendo uma prevalência diferente da doença em função do sexo da pessoa. No entanto, existem diversos fatores de risco que aumentam a probabilidade de sofrer um TEV. Um internamento hospitalar de longa duração, uma cirurgia realizada à anca, joelho ou a algum tipo de cancro, o elevado sedentarismo ou ausência de movimento por longos períodos de tempo estão entre os principais fatores de risco. Também a idade superior a 60 anos, o histórico pessoal ou familiar de formação de coágulos sanguíneos, o cancro ou prática de quimioterapia e a utilização de medicamentos à base de estrogénios podem ser determinantes para a ocorrência do TEV. E, tal como associados a grande parte das doenças, temos outros fatores de risco como a obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.

   A TVP manifesta-se habitualmente, através de dor ou sensibilidade nos gémeos, inchaço súbito nas pernas, pés e tornozelos, vermelhidão da pele e sensação de calor. O TEP acompanha-se de falta de ar, respiração rápida e irregular, dor no peito, que piora com respiração profunda, aumento da frequência cardíaca, tonturas e desmaios.

   A maioria dos TEV pode ser evitado se forem colocadas em prática estratégias de prevenção que detetem o desenvolvimento de coágulos em indivíduos de risco. Para identificar se um paciente está em risco, os profissionais de saúde realizam uma avaliação e aplicam um questionário/escala que reúne informações sobre a idade do paciente, antecedentes clínicos, medicamentos e estilo de vida do paciente. Esta informação é usada para avaliar o risco de potencial do paciente desenvolver coágulos de sangue nas pernas ou nos pulmões (risco alto, moderado ou baixo). Todos os pacientes que estejam internados em hospitais devem igualmente ser submetidos a esta avaliação e estratificação, como medida de prevenção.

   Os doentes em risco necessitam de medidas de prevenção que incluem medicação anticoagulante (“para tornar o sangue mais fino”) ou sistemas mecânicos de compressão das pernas e pés (meias elásticas, compressão pneumática intermitente) para favorecer a circulação venosa e evitar o TEV.

   O aparecimento de TEV é uma condição com risco de vida que necessita de terapêutica imediata para dissolver o coágulo (terapêutica trombolítica) e/ou anticoagulantes para diminuir o risco de repetição e aplicação dos sistemas mecânicos de compressão.

   Este problema tem um impacto económico muito negativo para o Serviço Nacional de Saúde. Os testes de diagnóstico e tratamentos, o internamento prolongado e os cuidados por parte dos profissionais de saúde representam um elevado encargo financeiro. No entanto, se os países se centrarem na prevenção do TEV, os custos nacionais com a doença poderão diminuir, melhorando os resultados e diminuindo as mortes associadas a esta doença.

   Dra. Celeste Dias
Coordenadora Clínica da Unidade Cuidados Neurocríticos do Centro Hospitalar São João
21-10-2015
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