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Edição Nº 52 Director: Mário Lopes Sábado, 29 de Janeiro de 2005
Opinião
Inês, Memória e Futuro

 Jorge Pereira de Sampaio

Em Janeiro de 2005 celebram-se os 650 anos da morte de D. Inês de Castro. Os amores de Pedro e Inês, desde o século XVI que entusiasmam poetas, romancistas, músicos, dramaturgos e artistas de todas as áreas pela Europa e pelo Brasil. Depois do desafio lançado pelo Dr. José Miguel Júdice para que se comemorasse a efeméride, aderiram as Câmaras Municipais de Alcobaça, Coimbra e Montemor-o-Velho assim como o Ministério da Cultura. Foi entretanto criada a Associação Amigos de D. Pedro e D. Inês.

O Ministério da Cultura, através da Delegação Regional Centro, que tem assumido papel importantíssimo na condução dos trabalhos, está presente também pelo IPPAR. Este Instituto empenhou-se completamente nestas comemorações, disponibilizando os dois principais monumentos ligados a Inês de Castro, o Convento de Santa Clara-a-Velha e o Mosteiro de Alcobaça sendo que, neste último, ocorrem a maioria das actividades ao longo do ano. Consequentemente, a partir de Abril passado começou a elaborar-se um projecto de programação.

Durante vários meses, convocaram-se e consultaram-se curadores e intelectuais de reconhecida competência. A programação foi-se desenhando. Procurou-se, a par da continuidade da Tradição e da evocação historicista, privilegiar-se também a coragem da descoberta e o apelo a uma transversalidade e interactividade. Seguimos assim uma nova linha mestra para estas Comemorações, que apresentamos aos diversos comissários e agentes culturais - que as peças criadas caminhem para além de um retrato dos acontecimentos ou mesmo das personagens.

Num sentido mais amplo, que sejam como reflexões actuais sobre tópicos em relação aos quais essas figuras constituem referências exemplares - as relações entre paixão e tragédia, desejo e morte, ou amor e poder, ou ainda as situações específicas do homem e da mulher no contexto das relações sentimentais e sociais. Esta perspectiva leva-nos à fala de D. Pedro ao seu escudeiro Afonso Madeira, em "Pedro o Crú" de António Patrício: "O meu reino é maior do que tu pensas: Portugal é uma província apenas... O meu reino de segredo, sem fronteiras, o meu reino de amor abrange a Morte, a sua natureza de mistério...".

Desse modo, existirão ao longo das Comemorações dois tipos de iniciativas distintas - um conjunto considerado de Evocação ou Memória e outro de Criação ou Futuro (da Memória). No primeiro momento, foi chamada a Academia Portuguesa da História que reunirá em Alcobaça em Colóquio Extraordinário, aberto à população, e o Recital de Poesia Inesiana de autores portugueses com que abrem solenemente as Comemorações, entre os túmulos do Rei e da sua amada «de colo de garça». A partir de 2 de Abril - data da trasladação do corpo para Alcobaça, em 1361 - terão início um conjunto de manifestações tomando a história de Pedro e Inês interpretada à luz da actualidade naquilo que ela representa.

As Comemorações têm lugar essencialmente no eixo Alcobaça - Coimbra - Montemor-o-Velho, sendo o cortejo histórico um dos elementos de ligação entre as três localidades. Contudo, foram feitos alguns convites e lançados desafios para que também em Lisboa aconteçam eventos integrados na temática inesiana - que terão lugar no Museu Nacional do Teatro, no Museu Nacional do Traje, na Biblioteca Nacional, no Teatro Nacional D. Maria II, no Teatro Ibérico e também no Teatro Experimental de Cascais.

Estas Comemorações privilegiaram o Brasil, presente não só através do ciclo de cinema como também por uma das exposições de arte contemporânea, com comissariado duplo dos dois países, incluindo um conjunto de oito instalações feitas para o Mosteiro de Alcobaça, para o Convento de Santa Clara e para a Quinta das Lágrimas.

Teatro, dança, escultura, pintura, cortejo histórico, instalação, performances, moda, poesia, cinema, colóquios, conferências, mesas-redondas e tertúlias são algumas das iniciativas que acontecerão até Janeiro de 2006, com encerramento marcado para Montemor-o-Velho e Coimbra.

Ao longo destes vários eventos, esperamos conseguir encenar um movimento, uma trajectória artística e cultural a partir de um episódio do passado, que nos dá sentido no presente e nos anime a inventar novos caminhos para o futuro. Com a noção de que o amadurecimento cultural de uma sociedade se verifica no reconhecimento do passado com a capacidade de abrir horizontes e olhar em frente.


        Jorge Pereira de Sampaio
Programador-geral do Ano Inesiano da Cultura

29-01-2005
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