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Edição Nº 199 Director: Mário Lopes Quarta, 17 de Maio de 2017
Festival de música vai mudar-se para Santarém
Câmara do Cartaxo negoceia alternativa
ao festival Reverence Valada
  
           The Veldt atuaram em 2016 no Valada Reverence
Apoio financeiro de 15 mil euros seria o “mínimo necessário para que o Reverence se mantivesse em Valada”, explicou Pedro Magalhães Ribeiro, que desafiou “os que estão sentados a esta mesa e que fizeram comentários nas redes sociais, contribuindo para a desinformação dos cidadãos, a trazerem a esta câmara uma proposta para dar 15 mil euros a um festival de música. Se consideram que este custo deve ser assumido, que o proponham aqui e o aprovem”. A Câmara procurou alternativas a Reverence e já tem duas propostas em negociação para festivais de música a realizar em Valada, “em condições idênticas às que foram dadas ao Reverence.

   Pedro Magalhães Ribeiro informou o executivo, na reunião descentralizada da Câmara Municipal que decorreu ontem, dia 15 de maio, na Ereira, sobre as razões financeiras que levaram o “Reverence Festival a deixar Valada”. Para o autarca, “os 15 a 30 mil euros necessários para que os promotores continuassem a realizar o Festival no concelho, não podem ser assumidos neste mandato. Penso que ninguém compreenderia se assumíssemos este custo. Não compreenderiam quando há tantas necessidades essenciais às quais dar resposta”.

   O autarca reafirmou que “as dificuldades que temos vivido, que condiciona o nosso apoio a associações e coletividades do concelho, são as mesmas que nos levam a entender que este apoio seria excessivo para a nossa realidade financeira. Reconheço e sempre defendi a importância do Reverence, fui eu neste mandato que promovi este Festival em Valada mas o sentido de responsabilidade diz-nos que este não é o tempo para decisões populistas e de circunstância”.

   Para o autarca, “a asfixia financeira que temos vivido e que tem condicionado o nosso apoio a clubes, associações e coletividades, não pode ser esquecida em nome de qualquer populismo de circunstância. O caminho de responsabilidade que traçámos vai ser mantido até ao último dia deste mandato. O associativismo que dá, ao longo de todo o ano, um enorme contributo para o desenvolvimento cultural e desportivo do concelho, que promove a integração e o apoio social a milhares de pessoas, não poderia compreender este apoio. Eu não o compreenderia a não ser à luz da irresponsabilidade, ou para dar resposta a comentários nas redes sociais”.

   O apoio que o município deu ao Reverence desde o seu início “é o que sempre estivemos dispostos a dar. Apoio logístico e de recursos humanos, apoio na montagem das estruturas necessárias, na limpeza diária, na presença permanente dos Bombeiros Municipais com um centro de primeiros socorros e patrulhamento das margens do rio e na procura de parcerias”.

   Na reunião que o presidente da Câmara teve com os promotores no dia 8 de maio, reafirmou “o que sempre disse nesta Câmara – o Reverence foi muito importante para Valada e para o concelho, pela sua projeção internacional, pela sua importância para a economia local e pelo seu cuidado e empenho em integrar a comunidade de Valada. Mas fomos muito claros desde o início. Nesta mesma câmara, logo em 2014, informei que a nossa situação financeira não nos permitiria mais do que apoio logístico e que o Reverence só poderia ter uma vida longa se fosse sustentável pela sua capacidade de atrair pessoas e gerar interesse, são estas as palavras exatas que mantenho hoje”.

   Pedro Magalhães Ribeiro informou ainda que “desde a primeira edição do festival, pela fragilidade dos seus resultados financeiros, procurámos sempre ser parceiros da organização na busca de soluções, de patrocínios, quer junto de empresas, quer de instituições, para que o Reverence se tornasse sustentável e pudesse continuar em Valada”, lembrando que “o Reverence começou neste mandato”, afirmou que “ ninguém lamenta mais do que eu a saída deste festival para outro concelho, mas quando há tanto investimento essencial por fazer, há que decidir sobre o que é prioritário para as pessoas”.

   Câmara procurou alternativas e já tem promotores interessados

   Pedro Magalhães Ribeiro informou ainda o executivo que iniciou “negociações com vários promotores e agentes culturais de modo a que ainda em 2017 possamos ter um festival em Valada”.

   Dos contactos e da negociação já estabelecida, resultaram “duas propostas mais avançadas, uma para 2017 e eventualmente duas para 2018”. Hélder Raimundo que “iniciou comigo o Festival do Tejo, em Valada, é um dos promotores interessados. Uma outra empresa, com experiência na organização de festivais e com a qual temos reunido desde há dois meses, poderá vir também a estabelecer um acordo com o município”.
De qualquer das possibilidades, “ou outra que possamos vir a considerar, será sempre dado conhecimento à Câmara. Os termos que estamos a negociar serão idênticos aos estabelecidos em protocolo com o Reverence e não poderão envolver custos para o município, para além dos que decorrerem de apoio logístico”, informou o presidente da Câmara.

   Recorde-se que o festival, criado por Nick Allport, promotor britânico, vai mudar-se já este ano para o Parque da Ribeira, em Santarém, estando agendada sua realização para os dias 8 e 9 de Setembro.

   Fonte: GIC|CMC
17-05-2017
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