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Edição Nº 171 Director: Mário Lopes Sábado, 3 de Janeiro de 2015
Opinião
A dívida pública é um veneno letal
  
               Joaquim Vitorino
Portugal caiu na armadilha de uma enorme dívida, um veneno letal onde só lhe resta uma de duas opções: renunciar ao seu pagamento ou deixar arrastar até ao perdão ou esquecimento.

   A divida pública asfixiou o desenvolvimento do nosso país, e simultaneamente criou um fosso assimétrico sem retrocesso para esta e a próxima geração. Maria Luís Albuquerque disse recentemente que a dívida pública portuguesa tinha sustentabilidade, mas é um otimismo que não partilho, porque está desenquadrado da realidade. Quando a dívida se aproximou dos valores próximos do PIB, já Portugal estava sentenciado ao seu não pagamento, o estranho é que os credores sabiam o risco que corriam e continuaram a emprestar dinheiro a Portugal. Terão certamente de existir motivos e causas subjacentes para que se compreenda como é possível que os portugueses venham a empobrecer ao mesmo ritmo que entra dinheiro no país, aumentando a divida pública. É preciso acrescentar que é suposto ser o público a pagar a divida, mas não tem tirado qualquer beneficiar dela, sendo este um caso único em todo o Mundo Ocidental.

   Ao longo de vários anos que o grande absorvedor da divida pública são as parcerias público-privadas, as Fundações, RTP, transportes públicos, com o Metro de Lisboa e Porto a serem os campeões; as megalomanias de estádios de futebol e agora o caso TAP, em que, na eminência da sua privatização, os sindicatos querem reforçar a posição num autêntico atira abaixo, porque isto está a chegar ao fim. A obstrução à privatização da TAP por parte de alguns partidos já não faz sentido e quando chamam à TAP uma companhia de bandeira, só teriam razão se os seus colaboradores partilhassem as dificuldades do país para que a TAP continuasse a ser uma empresa sustentável e controlada pelo Estado, não concedendo privilégios que 95% da população não tem, mas que será ela a suportar.

   Lembro que uma das bandeiras inglesas a “Rolls Royce” e outras grandes empresas como a Rover, foram parar às mãos dos alemães e não vi os trabalhadores ingleses contestarem porque acima de tudo existia uma preocupação manter o posto de trabalho. A Rolls Royce e a Rover ainda existem, assim como acontecerá com a TAP mas provavelmente com outro nome. O que irá acabar são as mordomias pagas pelos outros, pois não se justifica uma greve no Natal em que dezenas de milhares dos nossos emigrantes, ansiosos por abraçar os familiares de quem foram forçados a separar-se, tenham de dormir empilhados nos aeroportos ou de adiar as viagens marcadas.

   Não existe Governo que disponha de engenharia financeira para conseguir dar resposta às grandes prioridades do país enquanto uns vão destruindo o pouco que temos, a que se juntam a falta de honestidade e ausência de patriotismo. O caso inglês é um exemplo: quando venderam dois dos grandes ícones da produção local como a British Airways que teve que encontrar parceiros para sobreviver. Naquele país não se brinca com dinheiros públicos, porque os partidos políticos, não obstante as divergências que os separa, são responsáveis e patriotas. É isto que marca a diferença para se ultrapassar os momentos difíceis.

   O dinheiro que entrou em Portugal contagiou e beneficiou muita gente e serviu para manter empresas estatais deficitárias a pagar salários altíssimos, criando grande desigualdade entre os portugueses, em que os mais prejudicados serão os que terão que pagar a dívida, dos quais mais de 80% ainda nem sequer nasceram. Todos os políticos têm responsabilidades nesta calamidade, incluindo os que nunca foram governo.

   Foram estas grandes injustiças que criaram, nas duas décadas de 1990 a 2010, uma classe média forte em Portugal, baseada no endividamento. Foi um sol de pouca dura que se esfumou com a crise e falência fraudulenta de vários bancos, que vieram arrastar Portugal para a pobreza sem retorno, como sem retorno será a decisão de privatizar a TAP, a RTP, os transportes e todos os organismos públicos que durante anos deram prejuízos. As águas deveria ser o único setor a não ser tocado, porque água todos temos direito a beber.

   O recurso à divida pública tem sido durante anos “o crime perfeito” das classes elitistas em Portugal e só existe um meio eficaz para o combater, que é privatizar o pouco que resta.

   J. Vitorino
OBS: o Autor escreveu ao abrigo do acordo ortográfico.
03-01-2015
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