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Edição Nº 82 Director: Mário Lopes Quinta, 2 de Agosto de 2007
07/07/07 – Ordem para ganhar
Alcobaça – Maravilha Nacional. E agora?

     


Eduardo Nogueira

O dia 7 de Julho de 2007 ficará marcado para sempre na memória de todos nós.
Para muitos, o estatuto de Maravilha Nacional parecia tão longínquo, que a sua conquista terá tido um sabor especial e difícil de definir… Mas foi, sem dúvida, uma grande conquista! Bem à portuguesa, em Alcobaça, fomos do entusiasmo contido, no início da votação, até à desmotivação generalizada, após a publicação dos resultados intermédios a 31 de Março. 

      Esses números, que nos colocavam fora dos 10 primeiros, caíram que nem um balde de água fria e levaram muitos a não acreditar. Em vez de ajudar na angariação de votos, houve quem preferisse discutir a ética, a validade ou a credibilidade do sistema de votação. Ora, um concurso é um concurso! O Euromilhões não deixa de ser sério pelo facto de eu poder preencher mil cupões! Ou deixa?      Não nos deixámos desassossegar com esses números, sabíamos que ainda faltava tempo e, por essa altura, já a nossa campanha estava em fase adiantada de concepção. Acreditávamos que o truque seria (mesmo) votar!

      A determinação como o Presidente da Câmara encarou este desafio e a forma obstinada como repetiu que “se o Mosteiro de Alcobaça não fosse eleito maravilha, era uma vergonha nacional”, não nos deixou, a nós, que levámos a cabo a campanha, margem para falhar. Só havia um resultado possível – ganhar! Teremos dado (em conjunto com todos aqueles que votaram) uma enorme alegria a todos os alcobacenses. E digo “todos” porque sou optimista e quero acreditar que, de facto, todos estavam a torcer pela vitória. Por uma vez na vida, não fomos o “patinho feio”. Um momento de alegria e vitória colectiva sabe sempre tão bem…

      Longe vão os tempos em que o Ginásio militava no primeiro escalão do futebol nacional… Os anos 90 foram trágicos para Alcobaça. Um profundo e longo Inverno de declínio e apagamento. Enquanto um pouco por todo o país florescia o Ensino Superior, por aqui apenas floresciam uns vasos de terracota presos aos postes de iluminação pública! Na mentalidade dos alcobacenses instalou-se a ideia que ficar para trás e ver os outros passar à frente era a ordem natural das coisas… Ainda bem que rompemos com o marasmo e, já no séc. XXI, começamos a trilhar a recuperação do tempo perdido. Desta feita, não houve lóbis nem factores ocultos que nos retirassem aquilo que por direito era nosso. E agora?

      Como disse no meu anterior artigo, mesmo que não ficássemos nos sete primeiros, a campanha e os meios empregues teriam sido justificados pela importância em promover, mesmo internamente, o nosso Mosteiro. Tendo ganho, melhor ainda! Não querendo superlativizar exageradamente a importância do galardão, abre-se todo um conjunto de novas possibilidades.

      Nos dias que correm, e menos de um mês após a conquista do galardão, é já visível o aumento do número de visitantes. Segundo o Mosteiro, não é, já, a nível de “excursionistas” mas sim, pequenos grupos: família, casais, pessoas com mais cultura, mais tempo e, por ventura, mais poder de compra. Saibamos nós tirar partido disso!

      A abertura do Mosteiro à cidade e à região vai também dar os seus frutos. Iniciativas como o Congresso do Oeste, a Mostra de Doces Conventuais, o Congresso de Cister, que terá lugar em 2008, ou as actividades promovidas pela AMA têm o condão de incrementar o número de visitantes. Mas, atenção, a abertura do Mosteiro, não pode ser vista como um fim em si, mas sim como um meio de levar por diante um conjunto de objectivos ambiciosos.

      Imbuído desse espírito de ambição que me ficou da campanha, penso que seria interessante que se fixassem metas e objectivos a médio prazo. Penso que seria razoável definir que dentro de 8 a 10 anos o número de visitantes de Alcobaça estivesse a nível do da Batalha. Não estou a ser demasiado ambicioso… É verdade que eles têm a E.N.1 e o D. João I, mas nós temos o Pedro e a Inês e os nossos 7 ícones!

      A euforia da conquista não nos pode desviar do essencial. Temos que ter presentes os números da Marktest. O Mosteiro de Alcobaça é o terceiro monumento entre os idosos, mas os jovens e as crianças mal nos conhecem. Temos que ir buscá-los às escolas e atrair até nós, jovens casais, em busca de uma escapadinha romântica numa cidade para onde fugiram os mais famosos amantes. Como pontos positivos, encaro tudo quanto se perfila em termos de futuro próximo: Gilberto Gil, Luís de Matos em 2008, Programa Cultural Comum para os sete vencedores…

      Não menos importante que tudo isto, a valiosa sintonia de posições entre Câmara e Mosteiro/IGESPAR no tocante ao que é essencial: Candidaturas ao QREN, requalificação das áreas devolutas, instalação de Pousada de Luxo e Centro de Congressos. Numa cidade onde tantas vezes se opta pela confrontação estéril e desgastante, não deixa de ser assinalável esta sintonia. Será, sem dúvida, um bom presságio para o nosso futuro colectivo.

      Eduardo Nogueira
Adjunto do Presidente da Câmara de Alcobaça

02-08-2007
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