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Edição Nº 78 Director: Mário Lopes Segunda, 9 de Abril de 2007
Autarca quer apuramento de responsabilidades sobre milhões de contos gastos em estudos inconclusivos
Luís Filipe Meneses visita terrenos da Ota e pede respostas a dúvidas da sociedade civil

     


Pedro Afonso, Luís Filipe Menezes
e Francisco Henriques

Luís Filipe Meneses, candidato assumido à presidência do PSD, visitou, no dia 4 de Abril, os terrenos do futuro Aeroporto da Ota. O presidente da Câmara Municipal de Gaia não é contra a opção Ota, mas exige respostas sobre as muitas dúvidas que ainda subsistem sobre o projecto. O autarca pediu o apuramento de responsabilidades sobre os milhões de contos já gastos em estudos, aparentemente, inconclusivos. A associação ambientalista Alambi acompanhou a visita e lembrou as fortes limitações ambientais e técnicas ao projecto, como a deslocação de 70 milhões de metros cúbicos de terras e a ocupação de duas importantes nascentes de água que abastecem Lisboa.

        A visita teve lugar a convite da Concelhia de Alenquer do PSD, que se fez representar, entre outros militantes, por Pedro Afonso, presidente da Concelhia e Vítor Ronca, presidente da Junta de Freguesia de Triana, que inclui a localidade de Camarnal, a mais próxima do novo aeroporto. Cerca de duas dezenas de jornalistas acompanharam a visita, juntando-se à caravana automóvel que percorreu o futuro aeroporto.

     


Paul do Alvarinho

O presidente da Alambi fez questão de se demarcar de qualquer colagem político-partidária, lembrando que a sua associação já participou  também noutras visitas com membros de outros partidos. Francisco Henriques lembrou os fortes impactos ambientais causados ao nível da hidrogeologia pela construção do novo aeroporto, explicando que as captações de água de Alenquer e Ota têm um potencial maior que a próprias nascentes do Rio Alviela no abastecimento de água a Lisboa. Alenquer conta com um potencial de captação de água entre 25 a 55 metros cúbicos por dia e a Ota com um potencial entre 20 a 40 mil.

       O ambientalista referiu também que a Ribeira do Alvarinho, inserida no paul natural do estuário do Tejo com o mesmo nome, vai ter de ser desviado para o perímetro exterior do aeroporto. Actualmente, desagua no Rio Ota e, depois das obras, vai passar a desaguar no Rio de Alenquer. Francisco Henriques referiu ainda que o novo aeroporto irá assentar em terrenos de aluvião, com lodos entre  2,5 e 20 metros de profundidade, o que exige a aplicação de estacaria para suportar a pista. Por outro lado, a Alambi estima que a movimentação de terras deverá ser de 70 milhões de metros cúbicos de terra – e não 50 milhões, como indicam os estudos já efectuados - incluindo a demolição de alguns montes.

     


Esta linha eléctrica de alta tensão terá
de ser mudada

Por sua vez, Luís Filipe Menezes revelou não ser, em princípio, contra a localização do aeroporto na Ota, defendendo apenas ser preciso ouvir os diversos interlocutores, uma vez que há problemas ambientais, de segurança aeronáutica e sobre o futuro dos fluxos turísticos na Grande Área Metropolitana de Lisboa. “Há múltiplas questões que têm sido suscitadas, talvez pela primeira vez de uma forma profunda na sociedade portuguesa, que merecem reflexão. Mesmo alguns de nós que, porventura, tivemos posições diferentes no passado, temos obrigação de ouvir a sociedade”, defendeu.

        “Eu julgo que estamos neste momento perante o cume do autismo do Governo, que nas últimas semanas se evidenciou em relação a diversos estratos da população portuguesa e que teve o seu zénite nesta questão da Ota. Eu aconselhava o primeiro-ministro a parar para pensar e perceber que um grande projecto nacional não se desenvolve contra os portugueses e, nomeadamente, contra as populações que estão na proximidade de um projecto deste género. Vale a pena parar, ouvir as pessoas, reflectir, para, quando tomar uma decisão, ela seja consensual e consiga unir toda a gente”, frisou.

     


Terreno da futura pista de aviação

Luís Filipe Meneses considera o Aeroporto da Ota uma problemática complexa que deve ser analisada, envolvendo o Governo, Assembleia da República, presidente da República, ambientalistas, autarcas e empresários. Embora admita que nunca será unânime, o autarca defende que o projecto deve ser maioritariamente suportado pela esmagadora maioria dos cidadãos portugueses. “Trata-se de um investimento que é 1/20 do Plano Marshall, o plano que reconstruiu a Europa após a II Guerra Mundial”, lembrou.

       “Quem demorou tantos anos a tomar uma decisão, também pode esperar mais alguns meses”, defendeu Luís Filipe Meneses, adiantando que “se fosse Governo, faria um investimento mínimo na Portela para que pudesse aguentar mais três ou quatro anos, de forma a ter tempo suficiente para a ponderação de fundo que um problema destes exige.”

     


Luís Filipe Meneses com o pântano em fundo

O candidato derrotado à presidência do PSD no último congresso evitou afrontar o actual líder dos sociais-democratas, mostrando-se antes “preocupado com o País em que se vive da propaganda, em que todos os dias se faz festa e o desemprego aumenta e as questões essenciais da Justiça e da Administração Pública continuam na mesma.” No entanto, aconselhou o presidente do seu partido a vir à Ota, para “aprender algumas coisas como eu aprendi e mudei de opinião relativamente a algumas coisas.”

       Segundo Luìs Filipe Meneses, “Nesta problemática, há muito Estado e pouca sociedade, como em geral, na governação do engenheiro Sócrates. O Estado deve ser regulador e orientador, mas a sociedade é que deve decidir. Num caso como este, qualquer concurso que vier a ser feito deve colocar na mão da entidade privada que vai desenvolver o projecto a possibilidade de apresentar várias alternativas, incluindo esta. As decisões devem ser colocadas na mão da sociedade civil, um projecto público não é necessariamente desenvolvido pelo Estado. O Estado socialista gosta muito de ser empreiteiro, adora adjudicar obras, mas é altura de dar voz à sociedade”, defendeu.

     

 
Montes ao fundo vão ter de ser demolidos
por razões de segurança aérea

No caso de vir a ser construído aqui o aeroporto, Luís Filipe Meneses considera que “esta região deve ser olhada com particular carinho porque vai ser uma porta de entrada no País. Tem de se fazer para esta região um Plano de Ordenamento do Território como deve ser, um conjunto de investimentos infra-estruturantes que faça com que dê um salto em termos de desenvolvimento e seja capaz de captar investimento, porque vai ter uma responsabilidade adicional na imagem pública do País, ser uma porta por onde chegarão milhões de pessoas.

 

      Confrontado com o cenário de um partido a duas vozes, Luís Filipe Meneses defendeu-se afirmando que “se estou aqui é porque acho que o meu partido tem tudo a ganhar em ter vários agentes a dizer o que deve ser dito sobre o que está mal feito em Portugal”, acrescentando, no entanto, que “se houvesse eleições hoje eu seria candidato.”

      Luís Filipe Meneses acha estranho que se tenham já gasto milhões de contos e ainda não se saiba, sem margem para dúvidas, qual a melhor localização. O autarca defende que se deveriam apurar algumas responsabilidades, considerando “lamentável” que num projecto público desta dimensão, muitos anos depois, com tantos estudos, ainda haja dúvidas e não apenas sobre um item.

      “Há dúvidas sobre questões ambientais, de segurança aeronáutica, capacidade de expansão futura do projecto, ligação à rede rodoviária, ligação à rede ferroviária e impacto turístico na região. Não sei quem ganhou tanto dinheiro a fazer estudos e que estudos fez. Até agora confiava nos estudos, a partir de agora vou deixar de confiar”, concluiu.

      Mário Lopes

 

09-04-2007
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