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Quem foi o principal vencedor das eleições para o Parlamento Europeu?
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Edição Nº 170 Director: Mário Lopes Sábado, 13 de Dezembro de 2014
Opinião
Filhos do Descontentamento
   Filhos do descontentamento serão todos aqueles que pertencem à primeira geração nascida no século XXI. Portugal terá uma grande dificuldade em sair da crise e aumentar a competitividade externa porque o setor público tem constrangimentos agudos nas competências de gestão. Esta é uma perspetiva “otimista” da parte de quem a proferiu: o chefe do FMI na recente deslocação a Lisboa. Portugal não recupera enquanto se mantiverem à frente dos destinos do nosso país os mesmos de sempre, que se alternam entre si para tudo continuar sempre na mesma.

   O esquema foi montado há dezenas de anos, não existindo motivo para os portugueses continuarem a arriscar naqueles que têm destruído tudo o que havia de menos mau neste país; foi uma autêntica “Ceifeira” que só deixou restolho queimado por onde passou. O cenário português é aterrador e perspetiva-se uma mudança no palco, mas os atores são precisamente os mesmos. Portugal vai ter pela frente um longo e penoso caminho, para competir com as economias fortes da União Europeia; um derradeiro teste que dificilmente se conseguirá concretizar por falta de motivação dos portugueses, que veem continuamente o esforço do seu trabalho “armadilhado” por aqueles em quem confiaram os destinos da Nação.

   Os últimos acontecimentos em jeito de reality show deixaram a nu o que se pode esperar nos próximos tempos, em que o alheamento e um certo masoquismo dos portugueses tem sido um grande contributo para a ruína do nosso país, deixando-se apanhar na onda de que, enfim, vamos ter justiça. A detenção de José Sócrates é apenas para nos distrairmos um pouco, até sermos confrontados com a parte submersa do grande Iceberg que está a emergir, consequência das políticas devastadoras do património público e do setor produtivo que a “ Grande Ceifeira” dos partidos PS e PSD-CDS-PP, que em governos alternativos levaram ao desastre uma Nação com quase nove séculos; deixando a descoberto toda a podridão de quase 4 décadas de partilha alternada entre estes destruidores do país.

   A Indecorosa atitude do PS e PSD na tentativa da reposição de subvenções acima dos 2000 euros, enquanto centenas de milhares das nossas crianças e idosos nem uma refeição diária conseguem ter e vinda da casa onde deveria ter lugar um debate sério para colmatar as assimetrias criadas na sociedade portuguesa, e que tiveram a origem precisamente em quem tem a responsabilidade da pobreza que atingiu brutalmente os mais pobres, é um manifesto e despudorado desprezo do Parlamento pelos infelizes deste país. Este deveria ser o local de partida de soluções concretas para minimizar o sofrimento de muitos que contribuíram com o seu trabalho e o seu voto para as mordomias de muitos deputados que para ali vão dormir como se vê frequentemente.
Terem retirado o documento da discussão não vai alterar absolutamente nada, só o fizeram porque a penalização dos partidos proponentes PS e PSD seria mais que evidente, não teriam mais de 30% dos votos nas próximas eleições, no seu conjunto.

   Mesmo assim, não sei porque acabaram de entregar uma arma poderosíssima ao populismo de alguma esquerda, sempre apostada em tanto pior quanto melhor; sendo a tragédia de muitos, a sobrevivência de uns quantos. A ganância foi tal que nem se aperceberam do tiro no pé que estavam a dar. Em Portugal já vale tudo para depenar a galinha que já foi dos ovos de ouro para muita gente.

   Os portugueses já perceberam o que têm pela frente e o entusiasmo foi tal que se esqueceram da impopularidade que esta medida (reposição das subvenções vitalícias aos deputados) iria causar, estando a sua passagem praticamente garantida no Parlamento.

   Não existem quaisquer dúvidas de que os líderes parlamentares dos dois maiores partidos estavam empenhados na sua passagem e, pela certa, informaram os “seus chefes” de que aquilo iria beneficiar todos no futuro. O CDS safou-se in extremis pela mão do seu ministro da Solidariedade, que entendeu que se o seu partido aprovasse aquela medida não elegeria um único deputado nas próximas eleições. É confrangedor e imoral alguém com grande responsabilidade na fábrica da pobreza em que Portugal se transformou pensar em beneficiar de uma medida que nada tem com reposição de justiça porque não trabalharam para beneficiar dela. Srviram-se de benesses negadas aos cidadãos que trabalharam uma vida para lhes manter mordomias inaceitáveis, enquanto as nossas crianças e idosos estão a passar fome, muitos mantêm o silêncio, e outros não têm coragem para pedir pão para os filhos.

   Só a peste negra, que em 1348 dizimou 1/3 da população portuguesa, tem um paralelo com o que se passou nos últimos 10 anos em Portugal. Este regime e os partidos que o representam já mostraram a sua face aos portugueses, que não podem mais contar com eles, para transformar Portugal num país igual para todos.

   J. Vitorino
Vermelha - Cadaval
Nota: o Autor escreveu ao abrigo do novo acordo ortográfico.
13-12-2014
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