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Edição Nº 71 Director: Mário Lopes Segunda, 11 de Setembro de 2006
Opinião
Uma ideia para Alcobaça

      
Valdemar Rodrigues
Para começar devo confessar a minha completa ignorância em matéria de arquitectura. Aprecio ou desaprecio obras de arquitectura mas não sei explicar cientificamente porquê. E isso acontece de uma maneira geral com as obras de arte, para fruição das quais raramente convoco o saber dos especialistas e críticos de arte. Isto vem, sem o parecer, a propósito das obras de requalificação da envolvente do Mosteiro de Alcobaça.

       Desconheço o Sr. arquitecto Gonçalo Byrne, e não sou como é óbvio competente para pôr em causa a sua competência, por várias vezes premiada. Mas para quem conhece a História e aquilo que dela fica, mesmo na memória dos que não venceram, sabe que Alcobaça ficou indelevelmente marcada pela paixão de Pedro por Inês, esse fascinante romance histórico que a História para sempre esculpiu no tempo. Esse facto aparentemente tão simples mas que pode significar o clique de que Alcobaça urgentemente necessita.

        O que proponho ao senhor arquitecto e a todos aqueles que gostam de Alcobaça, e que até têm especial responsabilidade pelo governo dos seus destinos, é que reflictam nas opções e políticas de desenvolvimento local esse romance magnífico e essa História que é de nós todos e também universal. Há que criar na cidade recantos para seduzir, espelhos de água e resguardos de vegetação que possam a alguém que passe sugerir paixão, romance, namoro. Que se faça de Alcobaça a capital dos namorados e que se atraiam pessoas a Alcobaça para namorar.

       Se Biarritz é uma cidade francesa com esse encanto e recanto dos lugares próprios para namorar, também Alcobaça o pode e deve ser neste país que muitas vezes desperdiça o que tem de melhor acabando por sucumbir de sede à beira dos riachos Infelizmente, e mesmo que as árvores esparsas e geometricamente plantadas venham a resistir à secura e ao calor dos estios, o projecto do senhor arquitecto Byrne sugere tudo menos paixão e recanto. Sugere pelo contrário aridez, espaçamento, crua exposição. Evoca essa racionalidade jacobina tentada a “educar severamente” o gosto do povo inculto. Urge pois fazer algo para recuperar esse espírito do lugar.

      O futuro depende cada vez mais desta capacidade de revitalizar a cultura e as tradições locais face a um mundo cada vez mais igual em toda a parte. Exige-se porém autenticidade, o que implica prolongada dedicação e competência. Alcobaça é um concelho de tradição agrícola e frutícola, e esforços como a certificação da origem da sua maçã são excelentes exemplos do que pode e deve ser feito. O mesmo se poderia dizer em relação a eventos como a mostra de doçaria conventual, mas o mais importante é a permanência das coisas e não a sua “eventualidade”.

       Os eventos podem ser excelentes tónicos para o desenvolvimento, mas se nada mudarem no interregno, incluindo a autenticidade das motivações que lhes subjazem, nada se altera duradouramente. Centrar a vida da cidade em torno dessa ideia que é afinal a divisa que Alcobaça ostenta, nada autenticamente diga-se, a de terra de paixão, parece-me pois ser uma oportunidade a não desperdiçar. E olhar criticamente e sem paixões “acessórias” para o que tem sido feito, incluindo essa obra sem alma de requalificação da envolvente do Mosteiro, é algo que se pede a todos aqueles que ainda sonham com o futuro e que saúdam todos os dias o sol que chega de nascente.

Alcobaça, 7 de Setembro de 2006

             Valdemar Rodrigues
          
Professor Universitário

11-09-2006
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