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| Museu de Aguarela Roque Gameiro inaugurado em Minde |
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Jaime Gama e Luís Azevedo em 1º plano
O Museu de Aguarela Roque Gameiro, em Minde, foi inaugurado no dia 29 de Julho, com a presença do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama e do presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Luís Azevedo. A obra, que ascendeu a um milhão de euros, incluindo a aquisição da casa do meio-irmão do famoso aguarelista português e o restauro do edifício, contou com a colaboração do Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro e da família de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). Este é o terceiro museu inaugurado pelo Executivo de Luís Azevedo e irá também fazer parte do Museu do Território, um ambicioso projecto que pretende criar um museu em cada uma das 13 freguesias do concelho.
A Casa dos Açores, um palacete do início do século XX, foi restaurado com um projecto do arquitecto Martins Barata, neto do pintor Alfredo Roque Gameiro, que assim quis contribuir graciosamente para que o sonho, com mais de 20 anos, ficasse concluído. A adaptação não foi fácil, uma vez que o edifício possuía umas salas exíguas, por isso, teve de ser muito alterado. O projecto de museologia é da autoria do Professor Fernando António Baptista Pereira, conservador do Museu do Trabalho, de Setúbal.

Arquitecto Martins Barata
Martins Barata revelou ao Tinta Fresca que, tanto ele como o Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro (CAORG), estão muito gratos à Câmara Municipal de Alcanena por finalmente proporcionado um espaço de consagração da figura do aguarelista, que venceu, entre outros prémios, a Medalha de Ouro do Salão de Paris, no ano 1900.
Com efeito, apesar de Roque Gameiro ser um dos maiores aguarelistas portugueses de sempre, não havia até agora em Portugal um museu dedicado à sua obra, embora tivesse existido em Minde um núcleo muito rudimentar, “uma casinha muito pequena, que não tinha condições nem de conservação nem de visita e estava quase fechado.” Por isso, todo o acervo aí existente foi colocado em depósito no Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha, só agora tendo regressado a Minde. Outra parte das peças agora em exposição pertence à Fundação Calouste Gulbenkian.

Um dos quadros da triologia "As Pupilas
do Senhor Reitor", de Roque Gameiro
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Alcanena revelou que, no momento da aquisição, a casa apresentava alguns problemas de infiltrações e, por isso, teve de se proceder desde logo à recuperação do telhado. O projecto foi depois candidatado ao III Quadro Comunitário de Apoio e conseguiu ser aprovado. A parte de adequação ao projecto museológico teve a colaboração da associação CAORG, entidade com quem a autarquia protocolou a cedência do espaço e que irá dinamizar este espaço, nomeadamente, com exposições temporárias.
Luís Azevedo adiantou que a Câmara Municipal de Alcanena executou a obra, a Junta de Freguesia de Minde ficará responsável pela manutenção do jardim e o CAORG ficará responsável pelo museu, que terá como directora Alzira Roque Gameiro, bisneta do pintor, e conta com a colaboração de uma equipa por si constituída.

Alzira Roque Gameiro
No espaço de dois anos, Luís Azevedo inaugurou dois grandes infra-estruturas culturais no concelho: o Carsoscópio – Centro de Interpretação da Serra de Aire e Candeeiros e agora o Museu Roque Gameiro. O edil lembra, contudo, que também já foi inaugurado um projecto de menor dimensão, o Museu Rural e Etnográfico do Espinheiro, no ano 2000 e o Museu da Boneca, em 2009, esperando-se também a abertura do Museu do Curtume em 2010. Embora este último edifício já esteja pronto, o acervo deste património do concelho ainda não está totalmente recuperado, daí o compasso de espera.
Luís Azevedo explicou ao Tinta Fresca que o projecto do Museu do Território visa criar um conjunto de espaços visitáveis em cada freguesia com as actividades primeiras e principais daqueles lugares, para os transformar em museus vivos, uma vez que algumas das actividades já estão extintas, em termos industriais e sociais.

Museu de Aguarela Roque Gameiro
Na calha está também o projecto de um novo edifício em Minde, situado paredes-meias com o novo Museu da Aguarela Roque Gameiro, que visa colmatar as necessidades de instalações de duas associações que se dedicam ao ensino da música. O ante-projecto já foi aceite pelas direcções do CAORG e da Banda de Minde e Luís Azevedo garante que o edifício terá “um enquadramento fantástico e ficará muito bem junto ao museu”, proporcionando condições condignas para a música instrumental, coral e dança.
Luís Azevedo, que já anunciou a sua não recandidatura à Câmara Municipal, após mais de 20 anos como autarca, os últimos 13 como presidente do Executivo, considera que termina o ciclo político e o mandato “de consciência tranquila.” Embora admita ter dúvidas quanto à capacidade dos seus sucessores para continuarem a sua obra, o edil considera que, “com esta obra, as pessoas que comigo trabalharam terminam o mandato em beleza.”
Mário Lopes
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| 31-07-2009 |
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