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Edição Nº 218 Director: Mário Lopes Segunda, 31 de Dezembro de 2018
Moção “Rios a Oeste das Serras de Aire e Candeeiros - Território, História e Património Ambiental aprovada por unanimidade
Assembleia Intermunicipal do Oeste alerta
para diminuição de caudal nos rios da região
  
                                              Rio Alcoa
A Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Oeste, em reunião realizada no dia 19 de dezembro, aprovou por unanimidade, uma Moção intitulada
“Rios a Oeste das Serras de Aire e Candeeiros - Território, História e Património Ambiental em que alerta para a diminuição e poluição que se está a notar no caudal dos rios da região, particularmente, nos concelhos de Alcobaça e Nazaré.

   Os deputados municipais recordam que “os rios devem ser entendidos como elementos ricos em vida, presentes no território, do qual emanam geologicamente e para o qual contribuem economicamente, ecologicamente, culturalmente.”

   Além disso, “os rios e outros cursos de água para além de serem componentes essenciais dos ecossistemas constituem também elementos identitários do território. Devido aos rios, os campos agrícolas da nossa região são caraterizados por possuírem canais e açudes usados para regar os terrenos, nos quais nascem campos de milho, extensas zonas de horticultura e os mais variados pomares.”

   Assim, “não devemos dissociar um rio da constituição geológica da sua bacia hidrográfica. Regiões dominadas por rochas graníticas são diferentes, por exemplo, de regiões dominadas por rochas calcárias, nomeadamente quando existe o modelado cársico, que é o caso das Serras de Aire e Candeeiros. Em zonas cársicas formam-se canais subterrâneos por onde se dá a circulação da água. Existem imensos algares e poços, os quais estão ligados entre si. As grutas com as suas galerias correspondem a zonas alargadas destes rios subterrâneos. Toda a zona pode ser entendida como semelhante a uma enorme esponja ou, como imagem alternativa, parece uma pedra-pomes (embora esta até seja uma rocha vulcânica…).”

   Os deputados alertam que, “em zonas cársicas quando se extrai água num determinado ponto, as consequências dessa extração afetam toda uma região pois estamos a secar a “esponja” como um todo. Cada proprietário não gere apenas a água que retira no seu local, mas sim interfere na gestão da água de toda a região. Assim, o futuro destes rios passa fundamentalmente pela consciencialização das populações e pela pedagogia do exemplo das autarquias.”

   Conforme é sabido, refere a Moção, atualmente vários cursos de água da região (os rios, Alcoa, Baça, em Alcobaça, para citarmos só alguns) estão com problemas de caudal que a não serem resolvidos vão certamente transformar estes antigos rios em simples valas de escoamento quando houver chuva intensa ou persistente, ou seja, podem passar à categoria de “rios secos”.

   “Este assunto interessa a vários concelhos da região, mas no que concerne aos rios acima mencionados afeta sobretudo os concelhos de Alcobaça e da Nazaré. Apesar da ausência de cursos de água importantes à superfície, acresce a importância da existência de água em abundância no subsolo, assumindo-se como um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do nosso país que se estende entre Leiria e Rio Maior, mormente sob as Serras de Aire e Candeeiros”, explicam.

   Neste sentido, a Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Oeste propõe “a realização de políticas de defesa do ambiente e de salvaguarda do nosso bem mais precioso. Destinadas também a chamar a atenção da população em geral, para a importância da preservação deste bem vital para a sustentabilidade da vida de todos em detrimento da diminuição e poluição que se está a notar no caudal dos rios da nossa região.”

   A Moção aprovada foi enviada ao ministro do Ambiente, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), à CCDR do Centro, às autarquias envolvidas e à comunicação social.”
31-12-2018
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