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Edição Nº 78 Director: Mário Lopes Terça, 17 de Abril de 2007
Alcobaça
Ministro da Agricultura vai transferir tutela
do Museu Nacional de Vinho

     


Gonçalves Sapinho e Jaime Silva junto
ao velho cartaz de propaganda ao vinho

O Ministro da Agricultura visitou no dia 13 de Abril, o Museu Nacional do Vinho, em Alcobaça, com o intuito de se inteirar da situação desta instituição sob sua tutela. Jaime Silva pretende transferir os museus do Ministério da Agricultura existentes no País para outras entidades, nomeadamente, o Ministério da Cultura e as autarquias locais. O ministro lembrou que, na última década, o número de visitantes do Museu do Vinho passou de 10 mil para 3 mil e pretende dar-lhe uma nova vida com o estabelecimento de parcerias com instituições públicas e privados. 

      Além do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Jaime Silva, estiveram presentes nesta visita, António Rego, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara Municipal de Alcobaça e restante Executivo camarário, Franco Pinto, chefe de gabinete do Governador Civil de Leiria, Fernando Gonçalves, director do Museu Nacional do Vinho, entre outras entidades.  A visita surgiu no seguimento de contactos já encetados em 2002, entre a autarquia, a Região de Turismo de Leiria/Fátima e a direcção do Instituto da Vinha e do Vinho, no intuito de melhorar a gestão do Museu.
 
     


Visita ao Museu Nacional do Vinho

Jaime Silva considerou o Museu Nacional do Vinho “um magnífico museu”. O ministro, que visitou a instituição pela primeira vez, justificou a sua presença em Alcobaça com o facto de estar em curso uma reforma no seu ministério e de não gostar de tomar decisões sem vir aos locais. O ministro considera que o Museu Nacional do Vinho é um museu com um interesse que extravasa o âmbito regional, com um espólio muito rico e, por isso, nunca poderá fechar. Pelo contrário, os pequenos museus, que representam o espólio de uma freguesia ou de um município, poderão ser entregues às autarquias, se estas manifestarem interesse em tê-los a funcionar.

      O ministro defende que os museus devem ter especialistas a tratar deles e, por isso, admite que o Ministério da Agricultura, ao contrário do Ministério da Cultura, não tem vocação para valorizar e tirar partido de um museu que conta a história do vinho português e possui, simultaneamente, interesse regional. Segundo Jaime Silva, os museus só fazem sentido com pessoas a visitá-los para adquirirem mais Cultura e aprofundar a sua identidade. Por isso, defende a divulgação e integração dos museus nas regiões onde estão inseridos, de forma a aparecerem em todos os roteiros turísticos.

     


Uma das salas do Museu

O governante recordou que o Mosteiro de Alcobaça é um grande monumento nacional que atrai milhares de pessoas, fazendo assim todo o sentido enquadrar o Museu do Vinho na Rota dos Vinhos da Região do Oeste e na rota dos monumentos históricos nacionais. O ministro     admite que o Ministério da Agricultura sozinho não tem capacidade nem vocação para gerir instituições culturais e, por isso, deve fazer parcerias com outras entidades. Jaime Silva referiu que o Ministério da Agricultura possui vários museus, espalhados em todo o País, todos eles com problemas de sustentabilidade em termos de público, com repercussão também em termos económicos. 

      “O Ministério da Agricultura é um ministério para a produção, comercialização e promoção da agricultura portuguesa. Não é um ministério que tem como vocação a actividade museológica. Desse ponto de vista, no quadro da reforma do Ministério, fizemos um inventário de todo o património e demos conta que temos museus por todo o lado. É um espólio admirável que precisa de ser valorizado sob critérios museológicos. A minha ideia é que o Ministério da Agricultura não fique com qualquer museu. Não temos vocação para gerir museus, nem temos vocações para outras actividades que actualmente fazemos”, explicou.

      


Jaime Silva, António Rego e Fernando Gonçalves

Os únicos dois funcionários actualmente no Museu do Vinho foram colocados no quadro de mobilidade. "Vamos arranjar uma solução transitória e eu já referi que os funcionários não vão para o desemprego, ficam dentro dum quadro de mobilidade do Ministério da Agricultura. Se fizermos parcerias, nomeadamente, com a autarquia vamos encontrar uma solução, inclusive a possibilidade dos funcionários se manterem", adiantou o ministro.

     Jaime Silva quer acabar a reforma do seu ministério ainda este ano. Segundo o ministro, a solução do Museu Nacional do Vinho irá passar pelo diálogo com o presidente da Câmara de Alcobaça e com a ministra da Cultura, de forma a estabelecer uma parceria com a autarquia e com parceiros privados, de forma adicionar ao projecto uma actividade comercial, que lhe dê sustentabilidade financeira. “Os visitantes quando vêm ao museu gostam de levar uma recordação e a recordação que podem levar do Museu do Vinho é a de alguém que lhes ensine a beber vinho, a escolher vinho e levar algumas garrafas. Este museu pode ser valorizado e ter sustentabilidade financeira por aí”, defendeu.

      “Penso que um museu deste género tem todo o interesse em envolver o sector privado. Os produtores de vinho têm aqui uma montra de promoção dos vinhos actuais, porque quem vem ver um museu do vinho terá todo o interesse em ver um museu vivo, conhecer as práticas enológicas, a modernização das adegas e os novos vinhos que Portugal produz, dos melhores a nível mundial. Os museus do vinho não podem ser os museus do Ministério da Agricultura, têm de ser os museus dos produtores de vinho nacionais”, argumentou.

      Jaime Silva referiu que a Região Oeste se atrasou na modernização e viu outras regiões do País, como o Alentejo, o Douro e o Dão a darem grandes passos, mas considera que o Ribatejo e o Oeste começam a ter produtores e engarrafadores que primam pela qualidade. Por isso, entende que estes têm todo o interesse em fazer parcerias com o Ministério da Agricultura e com a Câmara de Alcobaça para que o Museu volte a figurar no mapa do turismo enológico e nas rotas do vinho. “Temos de pôr as pessoas a virem cá beber e - porque não? - incluir a parte gastronómica que dá sustentabilidade financeira ao museu”, concluiu.

    Por sua vez, Gonçalves Sapinho adiantou que a autarquia tem acompanhado com preocupação a situação do Museu Nacional do Vinho, confirmando que teve várias reuniões com a direcção do Instituto da Vinha e do Vinho na Câmara Municipal, com visitas ao local. O autarca anunciou que a Associação dos Agricultores de Alcobaça está disponível para entrar numa parceria e que a Câmara Municipal de Alcobaça também está “100% aberta” a uma parceria, embora esta esteja dependente das condições e dos termos a discutir.

      O edil considerou gratificante ter em Alcobaça uma riqueza museológica  reconhecida pelo Ministério da Agricultura e manifestou a convicção de que a Câmara Municipal pode gerir e valorizar melhor o Museu Nacional do Vinho do que o Ministério da Agricultura. “Temos aqui uma riqueza e é uma questão de termos capacidade, inteligência, sabedoria e vontade para a pormos ao serviço da comunidade local, regional, nacional e internacional”, concluiu.

      Mário Lopes

17-04-2007
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