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Edição Nº 62 Director: Mário Lopes Segunda, 26 de Dezembro de 2005
Leiria
Ministra da Cultura quer dar possibilidade a todos os professores de trabalharem em museus

 Isabel Pires de Lima e Carlos André

A ministra da Cultura foi a convidada do programa Café das Quintas, no dia 15 de Dezembro, realizado no Teatro Miguel Franco. Cerca de uma centena de pessoas esperaram Isabel Pires de Lima nesta sessão realizada ao fim da tarde que contou, como habitualmente, com a moderação do Prof. Carlos André. Literatura, Eça de Queirós, hábitos de leitura e o papel dos professores foram alguns temas abordados pela ministra de 53 anos, natural do Porto, que anunciou, no dia 23, a instalação da Colecção Berardo no Centro Cultural de Belém.

Isabel Pires de Lima recordou que leccionou Literatura Francesa e Sociologia da Literatura, tendo a sua tese de doutoramento versado sobre Eça de Queirós. Carlos André, também ele professor de Literatura, lembrou que por Leiria passaram figuras notáveis das letras como Rodrigues Lobo, Afonso Lopes Vieira, Aquilino Ribeiro e Eça de Queirós. A diferença é que o autor de "Os Maias" não gostava de Leiria, provavelmente, por não gostar do cargo de administrador do distrito de Leiria.

Outra curiosidade sobre Eça de Queirós é que fundou o jornal "O Distrito de Évora" aos 21 anos, onde exercia todas as funções, desde editor a director, de jornalista a paginador. Eça encara Leiria como uma cidade concentracionária e fechada e é neste ambiente que, em 1870, começa a escrever "O Crime do Padre Amaro". Carlos André considerou que Eça viveu numa época de grande liberdade e Isabel Pires de Lima defendeu que os vícios da época do rotativismo político continuam ainda presentes na nossa democracia: "Basta trocar os nomes", ironizou.

Isabel Pires Lima: famílias dos ministros do Porto não vieram para Lisboa

A ministra da Cultura concorda que existe um défice de qualificação em Portugal, embora sublinhe a grande evolução registada nos últimos 30 anos. "Estamos numa sociedade pós-industrial que precisa não apenas de formação, mas de manter o nível de qualificação ao longo da vida", frisou. Isabel Pires de Lima considera que existe falta de curiosidade nos alunos universitários e pré-universitários, circunstância à qual não será alheia "o défice de atenção das famílias em relação aos filhos".

Em relação aos baixos índices de leitura existentes em Portugal, a ministra da Cultura realça que a literatura exige silêncio e solidão, condições difíceis de encontrar hoje em qualquer casa portuguesa, onde há sempre música a tocar ou uma televisão ligada. A ministra considerou que a rede de leitura pública é um dos grandes êxitos da política cultural portuguesa e, a este propósito, aproveitou para anunciar o lançamento do Plano Nacional de Leitura em Março de 2006, pelo Ministérios da Cultura e da Educação. Trata-se de um programa de apoio à difusão cultural, dado que actualmente existe oferta de livros, mas a procura é escassa.

Isabel Pires de Lima confessa que ainda não se habituou à cadeira do Poder, estando ainda a criar rotinas e, por isso, ainda não conseguiu conquistar tempo livre na sua agenda. "Tenho receio que me mudem a chave da porta de casa", ironizou, numa alusão ao facto da sua família, a exemplo do que sucede também com as dos ministros das Finanças e dos Assuntos Parlamentares, continuar a viver no Porto.

A ministra acredita ser mais fácil hoje publicar poesia porque as editoras entendem a poesia como um factor de prestígio. De qualquer modo, para os tempos livres prefere a leitura lúdica, sem qualquer preocupação de ter de tomar notas, muito teatro e artes plásticas. O exercício, um hábito de sempre, é algo que também não dispensa, a par de cozinhar.

A música esteve a cargo de Roberto Maddalena (Piano) e Suzana Teixeira (Mezzo Soprano)

Para a ex-deputada socialista, a Cultura não pode continuar a ser vista como uma despesa, devendo antes ser vista como um investimento. "Hoje não sabemos quanto a Cultura contribui para o PIB e para a imagem de Portugal no exterior", lamenta, assegurando que "houve falta de investimento na coesão social por via da Cultura". Isabel Pires de Lima defende para o Instituto Camões uma tutela partilhada entre o Ministério da Cultura e o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A ministra da Cultura admite que os professores têm uma má imagem junto da opinião pública, embora ressalve que há muitos "que têm muita vontade de fazer coisas" e que estão carentes de investimento em áreas novas. Talvez a pensar nisso, a ministra conta ter muitos docentes com "horário zero" a trabalhar em museus no próximo ano, no âmbito do protocolo que viabiliza a transferência de professores do ensino secundário para o Ministério da Cultura.

Isabel Pires de Lima tenciona mesmo propor à sua colega da Educação o alargamento da possibilidade dos professores poderem trabalhar em museus a todos aqueles que o desejem. As vagas nas escolas ficariam assim preenchidas por professores com "horário zero".

De referir que, no rescaldo do Ano Internacional da Física, o "Café das Quintas" dedica, no dia 5 de Janeiro, a sua sessão ao ensino das ciências, contando para isso com Guilherme Valente, editor da Gradiva e Henrique Neto, empresário da indústria dos moldes, como convidados.

Colecção Berardo no CCB

Museu de Arte Contemporânea: ministra quer repetir em Lisboa o modelo do Porto 

Isabel Pires de Lima anunciou, no dia 23 de Dezembro, que as mais de quatro mil obras adquiridas ao longo de 12 anos pelo coleccionador português ficarão instaladas no Centro Cultural de Belém (CCB) servindo de núcleo para o futuro Museu Nacional de Arte Contemporânea. Segundo o jornal "Público", a decisão terá passado pelo primeiro-ministro José Sócrates, o qual terá negociado directamente com o empresário madeirense, o 10º homem mais rico de Portugal.

A colecção de Joe Berardo, que reúne uma das mais importantes colecções privadas de arte moderna do século XX, terá um modelo de funcionamento semelhante ao da Fundação de Serralves, no Porto. A falta de um espaço condigno para a instalação da colecção levou alguns autarcas da região a encararem a hipótese de a receber, casos de Santarém, Caldas da Rainha e Alcobaça. No entanto, fica salvaguardada a permanência da colecção, cobiçada por vários países, em território nacional.


        Mário Lopes

26-12-2005
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