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Edição Nº 213 Director: Mário Lopes Domingo, 16 de Setembro de 2018
Da autoria do historiador leiriense Saul António Gomes
17ª Cadernos de Estudos Leirienses aborda vida dos judeus na judiaria de Leiria
  
               Saul António Gomes
Apesar do que se tem investigado e escrito sobre a judiaria de Leiria, tem-se consciência de que, para além da inexistência de testemunhos humanos, nem vestígios materiais evidentes, sequer a sinagoga, sobreviveram. E, no entanto, toda a zona baixa de Leiria, entre a Praça Rodrigues Lobo e a Sé ou entre o Rossio e as faldas do castelo foram a zona de habitação, de convívio, de práticas religiosas, de comércio e de indústria de uma significativa população judaica desde os tempos medievais até aos finais do século XV, subsistindo, a partir do século XVI, em condições nem sempre claras, numa minoria cristã-nova, grandemente criptojudaica que, com os tempos, foi eliminada ou se diluiu entre a população geral, cristã.

   Faltava descer mais profundamente no assunto e tentar identificar quem ali viveu, isto é, observar a judiaria povoada, com pessoas concretas e suas actividades, desta vez e ainda só no século XVII.

Foi isso que fez o historiador leiriense Saul António Gomes, num trabalho que agora se edita no volume n.º 17 dos Cadernos de Estudos Leirienses com o título “Leiria em tempos de opressão: subsídio para o conhecimento dos seus cristãos-novos no século XVII”, onde identifica e trata de quatro centenas de pessoas concretas.

   Em síntese, escreve: «O passado da presença judaica em Leiria e na sua região, em tempos medievos, e judeo-cristã, após a legislação opressiva promulgada pelo rei D. Manuel I, em 1496 e 1497, é verdadeiramente uma questão central na atual historiografia local, assim como na memória social identitária leiriense que viu abrir, recentemente, na antiga igreja da Misericórdia da cidade, erguida no local da última sinagoga dos judeus de Leiria, um Centro de Diálogo Intercultural. Ao período áureo medieval corresponde a instalação e a prosperidade da comunidade judaica leiriense; a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492, e as leis manuelinas de 1496 e anos seguintes abriram um segundo período histórico, o dos cristãos-novos, dominado por intolerâncias sociais, culturais e religiosas que culminaram nas prisões inquisitoriais e na fuga e diáspora dos filhos da Lei de Moisés, naturais e moradores em Leiria.»

   Naquele espaço que se presume ter sido o da sinagoga judaica ergueu-se depois a igreja da Misericórdia e, mais tarde, um pequeno hospital anexo. Justamente da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Leiria nos fala, neste mesmo volume n.º 17 dos Cadernos, o Dr. Mário Rui Simões Rodrigues num trabalho intitulado “Memorias antigas da fundação da Santa Caza e Irmandade da Mizericordia de Leiria”.

   Mas de muitos outros assuntos trata este novo volume. Destacamos alguns mais:
- “Os Governadores Civis de Leiria”, de Ricardo Charters d’Azevedo;
- “O Reguengo de Monsalude”, de Jorge de Alarcão;
- “A Tentativa para Monopolizar a Indústria Vidreira: Conflito entre Trabalhadores e Administradores da Companhia da Nacional e Nova Fábrica de Vidros da Marinha Grande (1896-1921)”, de Gabriel Roldão;
- “O Património Cultural Imaterial e os sinos: notas da Fundição da Boca da Mata, Alvaiázere (1899-1962)”, de Maria Adelaide Furtado; ou
- “Afonso Lopes Vieira: o Relatório africano e o exílio nas Cortes”, de Cristina Nobre.
O volume insere ainda dois “In memoriam”: um de José Batista de Matos (Batalha) e outro de Vítor Hugo Beltrão (Marinha Grande).

   É este volume n.º 17 dos Cadernos de Estudos Leirienses, com 496 páginas, que vai ser lançado no dia 21 de Setembro, justamente no CDIL – Centro de Diálogo Intercultural de Leiria / Igreja da Misericórdia, em Leiria, às 21h00.
16-09-2018
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