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Edição Nº 133 Director: Mário Lopes Segunda, 21 de Novembro de 2011
Opinião
No tricentenário da morte do beato português Padre José Vaz (1651/1711)
   

Domingos José
Soares Rebelo
Falecido aos 16-01-1711, Pe. José Vaz teve a graça de ser beatificado pelo Papa João Paulo II numa cerimónia solene efectuada em Colombo, capital do antigo Ceilão (ora Sri Lanka), aos 20-01-1995, pondo fim ao Processo de Beatificação iniciado no século XVIII pelo Bispo de Cochim e anulado por deficiências processuais.

   Com o Curso Teológico do Seminário de Rachol, ordenado padre (1676), no ano seguinte, ele deixou um Carta onde se confessava ser «Escravo de Maria». Designado missionário do Padroado Português empenhou-se seriamente na reconstituição das missões em Mangalore e no Canará, criando novas missões, fundando igrejas e capelas, asilos e hospícios, e até escolas rudimentares para os cristãos da região. O Bispo de Cochim nomeou-o Vigário-Geral do Canará.

   Com a invasão e a ocupação da Ilha de Ceilão pela Holanda, os cristãos feitos pelos missionários do Padroado, foram fortemente perseguidos pelos novos reinantes da seita Calvinista, que tentaram extirpar a Fé Católica e expulsaram todos missionários do Padroado. Quem fosse apanhado a entrar no Ceilão com o intuito de pregar o catolicismo incorria a pena de prisão, com chicotadas e com privação de alimentos, até mesmo, com a sua condenação à morte por enforcamento.

   Padre José Vaz segredou ao Cabido da Sé de Goa sua intenção de ir socorrer os cristãos católicos da grande Ilha de Taprobana arrostando o perigo de pesado encarceramento e posto a ferros, ou até de morte. Em vão o citado Cabido tentou dissuadir Pe. José Vaz dos seus intuitos.

   Abandonando as missões do Padroado na Índia, Pe. José Vaz regressou à Goa e ali fundou uma pequena comunidade religiosa de jovens padres goeses. No ano seguinte (1685) criou a Congregação dos Oratorianos de Goa, com forte apoio da Ordem de São Filipe Neri, de Roma. Em 1686 secretamente abandonou Goa para penetrar no Ceilão sob o disfarce dum carregador (coolie) tamil (indiano). Acompanhado do seu fiel criado da estirpe de faraz, baptizado e bem instruído na doutrina cristã.

   Desde o amanhecer até ao pôr-do-sol, ele trabalhou de tronco nu com apenas uma tanga a cobrir as partes pudendas, levando chicotadas dos agentes policiais calvinistas por qualquer descuido involuntário. De noite, Pe. José Vaz entrava nos lares católicos animando-os a manterem-se fiéis à Fé que lhes ministraram os missionários portugueses. Baptizava, ouvia de confissão, distribuía a comunhão e praticava outras funções sacerdotais e pastorais desprezando a eventualidade de ser denunciado aos novos governantes que lhe dariam a morte. 

   De Jafna ele passou a Colombo, onde reinava o Rei Budista Vimaladharma Surya II. Mal chegado à Kandy (Cândia) alguns esbirros meteram-no a ferros, todo agrilhoado de pés às mãos e metido em prisão. Grassava na região uma grande seca numa estiagem que matava as pessoas e os animais. Pe. José Vaz foi intimado a pedir chuva ao seu Deus e ele fez o Santo Sacrifício da Missa, que provocou fortíssima chuvada e tudo molhou menos o altar e suas imediações. Face a este milagre, o Rei Budista ordenou sua imediata libertação com a graça de poder pregar a Fé Cristã em todo o seu reino.

   Pe. José Vaz recebeu, em 1697, três Oratorianos goeses que muito o ajudaram na sua missão. Ele e os três missionários goeses muito se empenharam no combate à varíola epidémica, cuidando dos vivos e enterrando os mortos. Diz-se que o Pe. José Vaz labutou uns 23 anos na evangelização do Ceilão e do Canará sendo reputado como o Apóstolo do Canará e do Ceilão. Vozes eclesiásticas do Alto Clero consideraram-no como o 2º Xavier. 

   Foi seu companheiro nas missões do Padroado, em Baçaim, o Pe. José Manuel de Miranda (de Margão), tio-avô do Pe. António João de Miranda (1804/91), grande Apóstolo de Caridade e fundador do “Hospital do Hospício” e do “Albergue”, de Margão. Foi seu conterrâneo de Benaulim, o grande teólogo dominicano Frei Manuel de Santo António (aliás Manuel Gomes), Bispo de Malaca, sagrado em Macau, por Decreto do Papa Clemente XI de 1701, que faleceu em 1729 quase octogenário e do qual se julga que era oriundo da família Gomes-Cotêto, de Benaulim e de Vernã. 

   Para fortalecer o grau de virtudes que exornavam a sua figura de missionário, o Pe. José Vaz recusou aceitar o Bispado que Roma lhe oferecera, por um acto de grande humildade.

   Alcobaça, 20.11.2011
Domingos José Soares Rebelo
21-11-2011
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Comentário de Francisco de Vasconcelos
18-11-2014 às 03:28
Gostei muito de conhecer a vida deste santo sacerdote. É um grande exemplo para mim. fazem muita falta mais padres com esta fibra. Deus ajude os sacerdotes a serem homens de FÉ e sem respeitos humanos.
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