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Edição Nº 213 Director: Mário Lopes Terça, 9 de Outubro de 2018
Tenor alcobacense é também autor e ator
Filipe de Moura vence prémio Books & Movies e assume-se como artista multifacetado
  
                      Filipe de Moura
O tenor alcobacense Filipe de Moura foi o vencedor do Prémio Internacional Books & Movies 2018. O tenor apresentou a concurso um documentário intitulado “Terras de Cister – Um legado para o futuro”, onde apresenta “uma radiografia que pode ser uma parte da atualidade”, mas também “uma projeção para o futuro do que pode esta terra e esta gente ir mais além”. O documentário será exibido no dia 19 de outubro, pelas 21h30, no Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro e o autor traçou para o Tinta Fresca o retrato desta obra.

   Tinta Fresca - O que o levou a participar neste concurso e a fazer um filme sobre Alcobaça e a sua história?
Filipe de Moura -
Já há muito tempo que gosto de vídeo e sou um grande amante de fotografia. Como gosto de coisas dinâmicas, nos últimos anos tenho vindo a desenvolver a minha experiência em diferentes áreas. A possibilidade de fazer este trabalho, de fazer entrevistas mas também de introduzir elementos de ficção, introduzindo atores para dar vida ao documentário, é algo que me cativa.

Desde o primeiro ano do Books & Movies, o facto de saber que havia um prémio talvez tenha sido uma sementinha que foi crescendo. Nunca pensei que fosse tão depressa, mas nos últimos anos tenho feito alguns trabalhos em vídeo e isso foi interessante para experimentar e aprender, dar-me “estaleca” e espero que essa “estaleca” vá crescendo para fazer outras coisas. ´

Sou um artista ligado ao palco, sou cantor, ator, também tenho encenado algumas peças, sou autor de teatro. Sendo amante de teatro, gostava de dar uma perspectiva mais próxima ainda ao espetador, transmitir uma história.

   Tinta Fresca - Porquê “Terras de Cister – Um legado para o futuro”?
Filipe de Moura -
“Terras de Cister – Um legado para o futuro” não é só uma radiografia que pode ser uma parte da atualidade, é também uma projeção, para o futuro, do que pode esta terra e esta gente ir mais além.

   Tinta Fresca - Quem participa no documentário?
Filipe de Moura -
No documentário foram feitas várias entrevistas, tentando abordar várias vertentes do concelho. Foram entrevistados os ex-diretores do Mosteiro de Alcobaça Rui Rasquilho e Jorge Pereira de Sampaio, dois historiadores com um conhecimento extraordinário do património da região. A nível económico, a cerâmica que é um dos pontos fortes da região e sofreu um grande abalo nos últimos anos e, por isso, tem de se reinventar, foi abordada por Carla Moreira. A Chita de Alcobaça não pode morrer e, para pensar a Chita com outras utilizações, entrevistei Florbela Costa. Por fim, a vinicultura, uma das atividades que vem na carta de doação aos monges, foi abordada pelo presidente da Adega Cooperativa de Alcobaça, Avelino Martins.

Tinta Fresca - De que forma tenta cativar o público para assistir ao documentário?
Filipe de Moura -
Começaria por perguntar às pessoas quais são as cinco coisas positivas que pensam primeiro quando pensam em Alcobaça e nestas terras, de que forma elas estão a ser tratadas ou desenvolvidas e como podem ser melhoradas.
Este documentário teve como principal objectivo fazer com que as pessoas reconheçam valor e possam encontrar formas de o desenvolver e aumentar. Não de criticar. É uma forma de olhar de maneira diferente, dar as mãos e fazer coisas positivas.

Tinta Fresca - Como se assume Filipe de Moura? Como cantor, ator, autor?
Filipe de Moura -
Eu não me resumo a um cantor, a um ator ou autor. Sou uma pessoa cuja forma de expressividade mais natural é o canto, mas que tenho e sempre tive uma criatividade imensa e sinto necessidade de a pôr em prática. A forma de a pôr em prática pode variar.

Tinta Fresca - O que podemos esperar do Filipe de Moura nos próximos tempos?
Filipe de Moura
- É importante sublinhar que o Filipe primeiramente é um artista de palco, é um cantor e é uma pessoa de expressão. O meu foco principal será sempre a música, o canto e a encenação. Este prémio é o reconhecimento do trabalho, mas causa em mim uma responsabilidade de não ficar por aqui. A minha primeira reação interior quando soube que iria receber o prémio, foi pensar “o que é que vou fazer de diferente”. Depois disso já apresentei outro documentário, sobre Virgínia Victorino, e a diferença entre os dois, sobretudo na vertente da criação, pode ser uma indicação para o futuro.

Mónica Alexandre
09-10-2018
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