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Edição Nº 55 Director: Mário Lopes Segunda, 2 de Maio de 2005
Opinião
A seca na agricultura e no mundo rural do Oeste

 Feliz Alberto Jorge

A agricultura e o Mundo Rural da Região Oeste debate-se com enormes problemas por falta de planeamento e ordenamento do território, das culturas e das actividades tradicionais. Não tem existido uma estratégia política por parte dos governos portugueses que dinamize o desenvolvimento da agricultura e do Mundo Rural. Não tem existido por parte das autarquias da Região Oeste uma política de apoio à agricultura e ao Mundo Rural.

Na elaboração dos PDMs, não tem existido a preocupação de fazer um levantamento de locais com potencialidades para a construção de pequenas charcas ou barragens, sustentadas por perímetros de salvaguarda, destinados a culturas consideradas âncora, como a fruticultura, horticultura, viticultura, floresta ou actividades como a pecuária, doçaria e artesanato rural, restauração com ementa rural, hotelaria rural... como suporte de um verdadeiro turismo em espaço rural.

Agora, vamos falar de problemas das geadas e da seca. Como manda a tradição e as características climáticas, os concelhos da Lourinhã, Peniche, Óbidos, Bombarral, Torres Vedras e Caldas da Rainha possuem umas franjas territoriais que normalmente sofrem a influência dos ventos temperados marítimos, sem geadas no Inverno, o que lhes permite produzir batatas Primor, " chamada batata do cedo" ou " batata nova". Esta batata plantada e produzida no Inverno preenchia até há pouco tempo as necessidades do mercado de consumo português, evitando as roturas dos circuitos de abastecimento deste tubérculo, até à colheita da batata de fim de Primavera/Verão.

Actualmente a batata Primor é a única possibilidade de alguns agricultores sobreviverem nestas sub-regiões, arrancaram as vinhas, pomares de macieiras, pessegueiros, ameixeiras ... Há dias por exemplo, frezaram as couves Bacalan porque não as conseguiram vender. Ao plantarem e colherem as batatas Primor no Inverno/Primavera contribuem também para a estabilidade do mercado grossista e retalhista, uma vez que se todos os produtores de batata plantarem e colherem na mesma época de produção e colheita, provocam um excesso pontual de oferta, junto do mercado grossista, que a par da importação descontrolada de Espanha, estrangula os preços no produtor. Muito embora, por falta de organização e por consentimento político, os preços no consumidor continuem demasiados elevados, reduzindo dessa forma o consumo, com prejuízos continuados para os produtores e consumidores.

Assim, é pertinente que os produtores de batata Primor do Oeste continuem a produzir "Batata do Cedo", até com mais insistência, no aproveitar de uma grande oportunidade de negócio, produzir " Antes dos Espanhóis", aproveitando as condições climatéricas favoráveis, para produzir " Batata Primor do Oeste" e exportá-la para Espanha, enquanto a neve impede os nossos vizinhos espanhóis de produzirem batata mais cedo. Mas para que a produção de batata na Região Oeste, possa ter futuro, é preciso que o governo português actual, não prossiga na política dos anteriores, considerando a agricultura e o desenvolvimento rural como sub-sectores económicos e sociais de menor interesse.

É neste paradoxo que temos de reflectir, a agricultura é ou não importante para a economia do País? Se Portugal quiser apostar no desenvolvimento da Agricultura e do Mundo Rural, então tem de apostar nas potencialidades da Região Oeste. Exemplos:

· Inovação Tecnológica
Construção de charcas
Pequenas barragens
Sistemas de rega inovadores
Novas práticas culturais
Novas técnicas de condução
Novas técnicas de colheita
Novas técnicas de conservação
Novas técnicas de comercialização e de promoção
Formação académica e profissional adequadas às necessidades...

· Empresas com Dimensão Económica:
Agrupamentos de Pequenos Produtores
Cooperativas de Produção e Comercialização
Associações de Produção e Comércio
Cooperativas de Máquinas e Equipamentos
Sociedades de Agricultura e Comércio
Associações de Exportação e Importação (com escritórios nos mercados alvo)
Cooperativas de Desenvolvimento Rural
Associações de Desenvolvimento Ambiental e Rural

Estas poderão ser algumas medidas de suporte do princípio da viragem para o desenvolvimento, porque Portugal para ser um País considerado na União Europeia e no Mundo Lusófono, não pode ficar eternamente á mercê das importações para satisfazer as suas necessidades alimentares, enquanto a sua população rural definha nos subsídios de desemprego ou do rendimento mínimo.

Actualmente a Região Oeste debate-se com graves riscos de seca, porque não tem estruturas de armazenamento e regulação dos milhões de m3 de água provenientes dos lençóis freáticos ou da chuva (anos chuvosos) que diariamente correm através dos rios ou riachos para o mar. Esta água a curto prazo fará grande falta nas culturas da batata e outras espécies hortícolas, na fruticultura e vinha, nomeadamente, lá para o inicio e fim do Verão. A falta de água far-se-á sentir na floresta logo que surja o primeiro grande fogo e no turismo rural não passa de uma miragem.

Portanto, a seca no Mundo Rural do Oeste é um problema endémico estruturante, tem a haver com a vontade política do governo e das autarquias, em quererem ter uma agricultura parecida, não é preciso ir mais longe, com a da nossa vizinha Espanha.


        Feliz Alberto Jorge
Secretário - Geral da Associação de Agricultores do Oeste
939347804

02-05-2005
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