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Museu José Malhoa reabre ao público com mais luz e abertura ao exterior |
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Matilde Couto e Paula Fernandes dos Santos
O Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, reabriu as portas no dia 19 de Dezembro, após obras de remodelação e ampliação que permitiram modernizar o espaço e melhorar a exposição das obras de arte. O museu dedicado ao pintor passa a dispor de sala de exposições temporárias, sala multimédia com novos recursos como um filme de animação, audio-guias e novos equipamentos na biblioteca de arte. A remodelação das instalações custou cerca de 2,5 milhões de euros, verbas do Programa Operacional para a Cultura e de fundos comunitários. O projecto esteve a cargo do arquitecto João Santa-Rita, que manteve o traçado original do edifício dotando-o de novas funcionalidades e infra-estruturas, como condições de segurança, iluminação e climatização.
“O público vai poder ver um museu completamente renovado e modernizado. É uma das maiores obras de remodelação da história do museu nos seus 70 anos de existência”, afirmou Matilde Couto, directora do Museu José Malhoa. Das obras de melhoramento, há ainda a novidade de envolvência com o espaço, com várias aberturas, em especial duas para o exterior com visão directa para o Parque D. Carlos I. “Esta transparência têm a ver com a exposição naturalista do Museu, mas também permite ao visitante encontrar uma apetência e uma relação com o espaço envolvente. Por outro lado quem passar no exterior recebe o convite de entrar no museu”, explicou a directora.
A assinalar a reabertura do espaço, esteve a secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos que destacou “a qualidade do projecto porque lhe cria um percurso museográfico novo e uma qualidade na exposição do acervo muito significativa. Traz-lhe luz e uma relação entre o interior e o Parque e faz necessariamente, com que o Museu Malhoa seja um activo para a cidade”.

Museu de Cerâmica será o próximo museu
caldense a ser requalificado
A secretária de Estado lembrou que existe um projecto idêntico quer em obras quer em custos, com uma candidatura ao QREN para o Museu de Cerâmica da cidade, onde pretende que “haja um pólo museológico importante”.
Levada a comentar o facto de ser investido uma verba para o Museu de Cerâmica numa altura em que muitas empresas encerram e se prevê que a Fábrica Bordalo Pinheiro encerre as suas portas a 2 de Janeiro de 2009, Paula Fernandes dos Santos declarou que “devemos fazer tudo para isso não aconteça”, mas por outro lado considera que “todos os Museus têm o papel de memória e de mostrar essa memória. Ao transmitir essa memória vai projectar o papel muito significativo da cerâmica ainda sendo uma identidade desta região. O museu vai permitir tudo aquilo que foi uma escola da cerâmica da região e criar condições para que a visibilidade e interesse pela cerâmica sejam reforçados”.
O presidente da Câmara, Fernando Costa, considerou que as obras no Museu Malhoa “foram benéficas porque o espaço melhorou em vários aspectos e está muito condigno”. O autarca considerou que esta requalificação “é um bom presságio” para o projecto e intenção de integrar todos os museus na envolvência do Parque D. Carlos I e Centro de Artes. “Penso que é uma boa forma de colaboração, até porque este parque é cada vez mais um espaço de cultura de arte, de esculturas, sem perder a parte termal. Por isso penso que cada vez mais devemos apostar na vertente cultural porque é o futuro”.

Visita à exposição de José Malhoa
Fernando Costa não quis comentar sobre o projecto de alargamento do Museu de Cerâmica, optando apenas dizer que lhe “compete acelerar o processo”. Também sobre o encerramento da fábrica Bordalo Pinheiro escusou-se a comentar por “ter sido apanhado de surpresa.”
A origem da instituição é de 1926 quando José Malhoa oferece “ao povo das Caldas” o óleo Rainha D. Leonor. O Museu José Malhoa seria inaugurado em 1940 embora tivesse sido criado em 1933, no ano da morte do pintor. Na altura foi o primeiro edifício do país construído de raiz para instalar um museu, sendo um exemplar da arquitectura modernista nacional.
A colecção do museu reúne obras do naturalismo português em torno de Malhoa, representado por um núcleo que inclui o Retrato de Laura Sauvinet, Gritando ao Rebanho, Vinha no Outono, Nuvens, Últimas Notícias, Primavera, Conversa com o Vizinho e as Promessas.
O Grupo do Leão - que Malhoa integrou com Silva Porto, Columbano, António Ramalho, João Vaz, Henrique Pinto e Moura Girão -, está também representado no acervo do museu assim como outros contemporâneos como Marques de Oliveira.
Ainda no naturalismo, possui obras de Veloso Salgado e Luciano Freire existindo os retratos da autoria dos pintores Eduardo Malta e Henrique Medina e algumas obras modernistas de Eduardo Viana.
A colecção de escultura conta com obras de Francisco Franco e Leopoldo de Almeida.
A cerâmica, de tradição local tem uma secção centrada na figura de Rafael Bordalo Pinheiro, artista que viveu e fundou uma fábrica nas Caldas da Rainha. De sua autoria pode-se ver “A Paixão de Cristo”, conjunto de esculturas de terracota.
Carlos Barroso
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| 21-12-2008 |
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