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Edição Nº 117 Director: Mário Lopes Segunda, 5 de Julho de 2010
Opinião
O (en)canto de Eduarda Soeiro
    


Carlos Oliveira

No passado dia 3 deste mês de Julho, no Teatro Municipal de Santarém (moribundo e já sem qualquer programação) a jovem cantora Eduarda Soeiro apresentou o seu recital de canto, numa iniciativa dela própria, após a conclusão dos seus estudos académicos na área do canto.

   Sozinha, sem quaisquer apoios institucionais na promoção e divulgação do Concerto, a cantora soube escolher um repertório diferente do que habitualmente se ouve, com uma magnífica interpretação de bandas sonoras de clássicos do cinema. Lindas canções apropriadas à sua voz de soprano ligeiro, trouxeram memórias, sentimentos e emoções, a um público que não lhe poupou elogios e aplausos.

   Julie Andrews (Música no Coração), Andrew Llyod Webber (Jesus Cristo Superstar e Cats), James Horner (Titanic e Em Busca do Vale Encantado), canção de Fatine (Os Miseráveis), e canções dos musicais Moulin Rouge e Fama, proporcionaram na voz de Eduarda Soeiro uma admirável primeira parte do recital, onde a cantora exibiu os seus conhecimentos e grande talento na área do canto.

   A segunda parte do Concerto foi preenchida com as fantasias e encantamentos das bandas sonoras dos filmes de animação da Disney, tendo a cantora surpreendido pelo registo da sua voz, que, sem esforço, conseguiu cambiantes de notas agudas de difícil vocalidade.

   A capacidade de interpretação, a harmonia e suavidade com que canta, a humildade da sua bonita postura em palco, e o espaço cenográfico com fotografias alusivas às canções, fizeram com que este Recital de Canto se possa considerar como um dos melhores a que Santarém assistiu.

   Eduarda Soeiro encheu o palco com a sua figura, e a sala com a sua cativante voz. Não precisou de ridículas “bailarinas” a darem ao rabo e a mostrarem as mamas, nem tão pouco de efeitos áudio-visuais com luminotécnicas industriais, que quase sempre apenas servem para esconder a falta de qualidade artística dos pseudo cantores, que assim enganam o público.

   Pena foi que a Câmara Municipal de Santarém não tivesse promovido este Concerto, considerando-o com a mesma importância e dignidade com que recebe os artistas que contrata por milhares de Euros. Seria por Eduarda Soeiro ser scalabitana? Ou seria por não ter “amigos” nos gabinetes da Autarquia? Já sei! Certamente que foi devido ao facto de não fazer a “cultura do porco assado no espeto”.

   Carlos Oliveira
05-07-2010
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