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Edição Nº 223 Director: Mário Lopes Quarta, 10 de Julho de 2019
Festa desce à cidade ocupando o coração do burgo
Leiria Medieval celebra memórias do Moinho
do Papel de 18 a 21 de julho
   
                                             Cartaz
A cidade de Leiria está a preparar-se para mais uma grande viagem à Idade Média, este ano revisitamos 1411 e “As memórias do Moinho do Papel” e damos vida ao que seria o burgo naqueles tempos com um batalhão de 800 figurantes, que encarnam personagens como mercadores, nobres, plebeus, mercadores, artesãos, místicos e artífices.

   Como já é tradição, os grandes senhores da corte estarão presentes, com destaque para sua majestade D. João I, que concedeu, em 1411, por carta de privilégio real a Gonçalo Lourenço de Gomide, seu Escrivão da Puridade, a autorização para a construção de um engenho nas margens do Lis destinado ao fabrico de papel.

  Nesta grande recriação histórica, que decorre de 18 a 21 de julho, com entrada livre, serão oferecidas cerca de 50 horas de animação deambulante, numa programação em que se destaca, como não poderia deixar de ser, uma oficina de escrita medieval e os concertos no Moinho do Papel e na Igreja da Misericórdia.

   À semelhança do que aconteceu no ano passado, a festa desce à cidade, ocupando o coração do burgo, onde tudo se apronta para quatro dias de grande animação, em que nada faltará: desde os tão procurados espaços de gastronomia, roupa, pedras preciosas, pulseiras, sabonetes, espadas, escudos, brinquedos, ao artesanato e artes tradicionais.

   Os ecos da grandiosidade da festa já ultrapassam fronteiras e este ano contamos com a participação do grupo espanhol – Lakadarma, a que se juntam dezenas de atrativos nacionais, nomeadamente Fazenda dos Animais, Grupo de Teatro O Gato - Palavras de Sobra - Associação de Artes | Grupo de Teatro Sport Império Marinhense | Grupo de Teatro Sport Operário Marinhense, Letras e Línguas, Filipe Eusébio, Grupo de Teatro Alguidar, O Nariz - Teatro de Grupo, TAP - Teatro Amador de Pombal, TASE - Teatro de Animação de Santa Eufémia, Te-Ato - Grupo de Teatro de Leiria, Teatro Apollo - Centro Cultural e Recreativo de Peras Ruivas, Tokajogar, Associação Cultural Marimbondo, CaosArte, Encerrado para Obras, Tentart, Thorsten Gruetjen, Lega Senso, Kinessis, Hikarium, Agape, EmCadeamentos, Cota de Malha Leiria, Bosque Atlântico, Espada Lusitana, Vícios do Campo, Associação Tocándar, Gaiteiro Johnny, Lérias - Associalção Cultural - Lôa Trovadoresca, Gambuzinos, Capela Gregoriana Psalterium, Terras de Atomun, ArtFalco, Alliusvetus, Danças de Segunda, Alcançar Memórias, Teatro em Caixa, Manipulartes, Escola de Ginástica de Formação Acrobática, Ginásio Clube Acrotumb Leiria, e Centro Escolar de Monte Redondo.
A preparação da edição deste ano envolve cerca de 2000 pessoas, numa azáfama que já se torna visível no centro da cidade, onde surgem os primeiros sinais de preparação da festa.

Horários
Quinta-feira, 19 de julho, 20h00 - 24h00
Sexta-feira, 20 de julho, 20h00 -02h00
Sábado, 21 de julho - 13h00 - 02h00
Domingo, 22 de julho - 13h00 - 23h00

    Enquadramento histórico

Em 1411, D. João I concede por carta de privilégio real a Gonçalo Lourenço de Gomide, seu Escrivão da Puridade, a autorização para a construção de um engenho nas margens do Lis destinado ao fabrico de papel (1).

É certo que este engenho foi, se não o primeiro, um dos primeiros a ser construído em Portugal. A sua história está inevitavelmente ligada à chegada da tipografia a Leiria, em 1492, pela mão da família do judeu Samuel de Ortas e esta à impressão, “sob um céu de Peixes”, do importantíssimo Almanach Perpetuum, do matemático e astrónomo Abraão Zacuto, em 1496 (2).

Mas, em 1411, ainda estamos longe da invenção dos tipos móveis e da tipografia como a reconhecemos hoje. O papel porém tinha já assumido em parte a sua função como substituto do pergaminho no registo e notas das paróquias e oficinas conventuais e na máquina do Estado (3) e é portanto um negócio cheio de futuro e em franca aceleração aquele que se começa a instalar junto da Ponte dos Caniços.
Se o que foi dito se sabe de fonte relativamente segura, tudo o resto que falta dizer entra noutro domínio.

Leiria cresce. As grandes obras de empreitada real, do Paço Novo, do Convento de São Francisco e, sempre, do Mosteiro da Batalha, revitalizavam a Vila e o seu termo.
A comunidade judaica alarga-se e firma-se no tecido da vila com novas entradas vindas de outras paragens em busca de maiores oportunidades e uma vida mais confortável. A judiaria leiriense é agora uma das mais significativas do país.
Da mouraria pouco se sabe mas sabe-se o suficiente para adivinhar uma comunidade sólida abrigada onde hoje é Santo Estevão, ocupada com os seus mesteres tão rudes quanto fundamentais à vida quotidiana, as seus olarias, teares e tinturarias ou as oficinas de tratamento de peles.

A comunidade cristã altera-se também sobre os novos impulsos do comércio e as novas oportunidades que lhe são oferecidas aqui. Vêm gente com mais poder e mais dinheiro procurar lugar, ainda que muito ocasional, junto ao Rei entre as muralhas do Castelo. Vêm gente que trabalha na Batalha, oficinas especializadas de pintura, provavelmente de escultura, vidraria e outras artes nobres, viver em Leiria. E com eles trazem outras formas de ver e novas atitudes.

A renovação do velho e decrépito espólio industrial das margens do Lis é parte deste processo (4). E o moinho de papel o seu símbolo.

     Luís Mourão

(1) Por carta de privilégio real de 29 de abril de 1411, Lisboa: “(…) Que Gonçalo Lourenço nosso criado escripvam da puridade (…) que ele ouve ora per scambo d’abadesa do moesteiro de Sancta Clara da cidade de Coimbra dous asentamentos velhos que em outro tempo forom moynhos que som em termo e Ribeira da nossa villa de Leirea no Rio que vay pera fora da dicta villa que som anbos de huum asentamento a par do outro que stam a sua ponte dos Caniços os quãaes soya de trager do dicto moesteiro Afomso Annes Fanqueiro os quães jaziam destroydos ha gram tempo. E que el quer fazer nos dictos asentamentos onde esteverom os dictos moynhos arteficios e engenhos de fazer ferro e serrar madeira e pisar burel ou outras alguãs cousas que se façam com arteficio d’agoa quãaes el entender por sua prol comtanto que nom sejam moynhos de pam. E porquanto no foral dadicta villa de Leirea e seu termo os reis ouvesem a metade da renda que rendesem el nom entendiade fazer os dictos arteficios e engenhos ou alguns delles salvo dando lhos nos por alguum fororazoado porquanto eram cousas sobre que era força de fazer grandes despesas que nom era certo da prol que se lhe dello podia recrecer. E Nos veendo que os asentamentos dos dictos moynhos huum dellos pasava de lxxx (80) annos que era destroydo e ho outro era derribado tal que nomaviamos nenhuum proveito. E porque outrossy entendemos que os arteficios e engenhos que o dicto Gonçalo Lourenço diz que em elles quer fazer seram prol e onrra dos nossos regnos e outrossy dadicta villa de Leirea e de que se a nos recrecera serviço e outrossy querendo fazer graça e mercee aodicto Gonçalo
 
     Fonte: GRPG|CML
10-07-2019
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