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Edição Nº 70 Director: Mário Lopes Quinta, 10 de Agosto de 2006
Líbano


Ricardo Miguel


" (Depois de fortemente bombardeada
a cidade X foi ocupada pelas nossas tropas)

 O General entrou na cidade ao som de cornetas e tambores.
Mas porque não há "vivas" nem flores?
Só mortos por toda a parte".
  José Gomes Ferreira
 
     As notícias que chegam do Líbano são extraordinariamente alarmantes. Israel, violando uma vez mais a soberania e integridade territorial do Líbano, está a bombardear alvos civis e a aterrorizar as populações de Beirute e de outras localidades, nomeadamente no sul do país. É grande a destruição e são numerosas as vítimas, nomeadamente crianças.

    É difícil imaginar o cenário de devastação em que se tornou o «país dos cedros». Na capital, não há praticamente nenhum bairro que não tenha sido alvejado, com destaque para os que se situam a Sul de Beirute, tidos como bastiões políticos do Hezbollah. As escolas acolhem centenas de famílias desalojadas em fuga dos combates que se desenrolam na fronteira. As infra-estruturas básicas de fornecimento de água, electricidade, combustíveis juntam-se às dezenas de prédios, pontes, estradas e outras vias de comunicação total ou parcialmente destruídas.

    Em Tiro, a situação é semelhante. A intensificação dos bombardeamentos nos últimos dias levou a população a abandonar a cidade. Os que fica estão de passagem, alojados como podem em escolas, igrejas e tudo o que sirva de abrigo até encetar a caminhada para Norte.

    Os relatos que chegam são assustadores e revoltantes. A Comunicação Social já não consegue esconder a catástrofe humanitária em que se encontra o país e começam a chegar as denúncias do uso por parte de Israel de armas não convencionais, como o fósforo branco ou armas químicas.

    Perante a impunidade das violentas acções militares desencadeadas nos últimos dias em Gaza e na Cisjordânia contra o povo palestiniano, o governo de Israel sente-se encorajado a prosseguir e intensificar, com os habituais pretextos, a sua política terrorista com o objectivo de liquidar a causa palestiniana, anexar territórios, impor a sua hegemonia na região em aliança com o imperialismo.

    Depois de três semanas debaixo de fogo israelita, a população palestiniana vive isolada, sem electricidade no maior campo de concentração do mundo em que se transformou Gaza e enterram a centena de mortos vítimas de mais uma onda de matança israelita.

    É este o cenário nesta região: uma tentativa fria e calculada de destruição, por um lado da autoridade palestiniana e por outro do Líbano que ainda agora se começava a refazer de 18 anos de ocupação israelita que nunca terminou por completo. O pretexto do rapto dos soldados, quer no caso palestiniano, quer no libanês é um exercício de pura hipocrisia e um insulto à inteligência. É mais que conhecido que Israel já negociou no passado, com o Hesbollah e com a Autoridade Palestiniana trocas de prisioneiros e que recusou até agora iguais propostas de negociação. É igualmente conhecido e hipocritamente ignorado pela chamada «comunidade internacional» que Israel tem nas suas prisões mais de 9000 prisioneiros palestinianos - na sua esmagadora civis - e entre os quais figuram agora 8 ministros e 25 deputados.

    O rapto dos soldados foi o «clique» que faltava para pôr em marcha toda uma operação que visa não só uma reocupação do Líbano ou de parte do seu território mas também a criação de condições para uma maior pressão militar junto às fronteiras com a Síria que poderá resultar num alastramento do conflito caso Israel decida provocar ainda mais o governo Sírio.

    A verdade é que Israel já há muito preparava esta nova onda de violência. Inclusive com o conhecimento e o apoio dos EUA, que nos últimos tempos aceleraram a entrega de bombas de precisão e «bunker busters» a Israel. A verdade é que a destruição massiva em curso no Líbano não é um acto de procura desesperada de soldados ou de vingança pelo seu rapto mas sim uma fria, precisa e calculada operação de destruição de um país que quase não tem exército e de aumento do «poder de dissuasão de Israel» nas palavras dos próprios...

    O ciclo de mentira e hipocrisia é levado ao extremo e o país que mais resoluções da ONU já desrespeitou, o país cuja história é marcada pela agressão a outros povos, pela ocupação de territórios que não lhe pertencem e por uma política de terrorismo de estado, vem agora invocar resoluções das Nações Unidas e o direito de defesa para prosseguir os seus crimes!

    É necessário pôr imediatamente termo a esta escalada criminosa que está a provocar inúmeras vítimas e incontáveis sofrimentos e a arrastar toda a região do Médio Oriente para um conflito de ainda mais vastas e perigosas proporções.

    É necessário condenar, sem reservas, as brutais acções de "retaliação" e "castigo" de populações inteiras, com o cínico espezinhamento dos mais elementares direitos humanos e o ostensivo afrontamento do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas, que caracterizam a política de Israel. O silêncio e a cumplicidade da União Europeia e da ONU perante tais crimes, que nada pode justificar, é inaceitável e constitui um autêntico insulto à dignidade humana.

    É necessário a retirada imediata das tropas israelitas dos territórios ocupados no Líbano e Palestina; com o reconhecimento do direito à existência do Estado Palestiniano independente e viável com capital em Jerusalém Leste; com a libertação dos presos políticos das cadeias de Israel e com a solução do problema dos refugiados de acordo com as resoluções das Nações Unidas será possível uma paz justa e duradoura no Médio Oriente.

         Ricardo Miguel

 

10-08-2006
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