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Edição Nº 119 Director: Mário Lopes Domingo, 29 de Agosto de 2010
Opinião
Lobo Antunes, a “ficção verdadeira” e a quadratura do círculo…
   


JERO

Correspondendo ao pedido do meu amigo Mário Lopes apareço nesta espaço para dizer “umas coisas” sobre um assunto no mínimo desagradável, que tem merecido nos últimos tempos muitos e variados comentários. Obviamente que a minha presença aqui e agora é na qualidade de ex-combatente. Não faria qualquer sentido ter a presunção de vir a público dar “palpites” sobre António Lobo Antunes como escritor…Posto isso só mais um aviso à navegação. Ler (ou falar) sobre guerra em tempo de paz, à mesa de um café com amigos, ou no sossego e comodidade do lar, não tem nada a ver com o ambiente de tensão e sofrimento de quem “andou por lá” e sentiu na pele e na alma os estampidos, os tiros, os gritos e o cheiro do sangue e da morte… À distância no tempo haverá sempre que ter em atenção a…”memória das circunstâncias”…Recordar em 2010 factos dos anos 70 implica retorno no tempo e nas circunstâncias.

   Na Guerra do Ultramar (ou Guerra Colonial) a guerrilha não tinha nada de cavalheiresco. De parte a parte. E os militares portugueses, que “jogavam fora de casa”, num ambiente hostil e totalmente estranho, tinham (quando era caso disso) que fazer pela vida… Era matar ou morrer!

   Está claro que na guerra tem que haver “regras”, nomeadamente em relação a civis (velhos, mulheres e crianças), e a tropa portuguesa quando bem enquadrada – estou a pensar em chefias competentes – não cometeu exageros e deu protecção a populações apanhadas “entre dois fogos”…

   Sei do que estou a falar pois tive a sorte de ter sido comandado por um distinto oficial aquando da minha permanência na Guiné (1964-66). O meu Capitão veio mais tarde a ser o Oficial General mais novo do Exército Português E não foi por acaso. Chama-se Alípio Tomé Pinto.

   Quando ele estava presente – em operações ou no aquartelamento –não havia “baldas”nem abusos. Quando não esteve presente, nem sempre tudo correu bem…
Costuma-se dizer que na “tropa” há filhos de muitas mães e há gente sem princípios e sem escrúpulos. Conheci um soldado que era um assassino nato. Ainda há poucos dias – 40 e tal depois – soube pelo seu ex-Alferes que um dia, numa operação de rotina, tinha ficado para trás para matar à facada dois indivíduos da população que tinham sido mandados em paz.

   Sei mais histórias mas…fiquemos por aqui.

   Feito este intróito vamos ao que me foi pedido em relação a António Lobo Antunes.

    -------------------------------------

      


António Lobo Antunes

O tenente-coronel do Exército Carlos Matos Gomes, que escreve sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz, classificou recentemente como «fantasias e delírios» as declarações do escritor e ex-combatente António Lobo Antunes sobre a guerra colonial.
   Lobo Antunes descreveu um cenário de barbárie causado pelos militares portugueses na zona de Angola onde cumpriu comissão de serviço na guerra, numa das entrevistas que integram o livro «Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes».
Descontente, um grupo de ex-combatentes, oficiais na reforma, quis processar o escritor por «atentado à honra e dignidade dos militares», tendo apresentado ao chefe do Estado-Maior do Exército uma petição nesse sentido.
   A possibilidade de se avançar para um processo-crime foi rejeitada, por se tratar de uma «obra de ficção», noticiou o semanário Expresso, segundo o qual os militares admitem dar «um par de murros em público» ou «ir ao focinho» do escritor, a quem chamam ainda «bandalho» e «atrasado mental».
O tenente-coronel Matos Gomes disse mais tarde à Lusa que, na sua opinião, têm existido «em muitos discursos, em muitas declarações, em muitas obras, enormes fantasias e delírios e excessos de muitos ex-combatentes». 
   
   «Este do Lobo Antunes é mais um. Eu até já ouvi fantasias de que existiam submarinos no Lago Niassa. Portanto, julgo que a do Lobo Antunes é mais uma fantasia como muitas outras, como milhares de outras», comentou. 
   
   Por outro lado, o oficial do Exército classificou as pretensões do grupo de ex-combatentes como «uma patetice também, mais uma».
«O militar salientou ainda que «esses excessos de linguagem do Lobo Antunes e destes militares são muito recorrentes».
   Antes desta posição “oficial” do Tenente-Coronel Matos Gomes o “tema Lobo Antunes” já tinha tido outros comentários emotivos e agressivos por parte de ex-combatentes, que ainda hoje dedicam muito do seu tempo às memórias da guerra. Será uma terapia ocupacional onde também me incluo.
   
   O comentário do meu “irmão de armas” Mexia Alves data de 18 de Novembro de 2009.
   1-Começava assim «…apenas vos digo que isto deve ter sido das coisas que mais me insultou como ex-combatente da guerra do Ultramar.

«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».

   Estas são, por aquilo que me é dado saber, as frases proferidas por Lobo Antunes e que são objecto da justa indignação de muitos ex-combatentes.

   Lembremo-nos que Lobo Antunes esteve em Angola já nos anos 70, ou seja, quando a guerra em Angola estava praticamente acabada, (cheguei a Angola no início de 74 e circulava-se livremente por todo o território), e portanto as operações militares, sobretudo ao nível dos Batalhões em quadrícula, não eram de molde a provocar as baixas que ele cita e muito menos a barbárie que ele refere.

   Para um Batalhão em Angola ter naquele tempo 150 baixas, (que número tão redondo), como ele refere na mesma ocasião, deve ter contado as “baixas” por matacanhas e as unhas encravadas!

   E termina Mexia Alves:«Um dos meus irmãos mais velhos esteve no Norte de Angola de 63 a 65, sempre em zonas de combate, e disse-me peremptoriamente que essa história dos pontos é uma pura e simples invenção, o que aliás nós bem percebemos, porque se fosse prática em Angola porque não o seria na Guiné e em Moçambique? 

   Mas são sobretudo estas duas frases que me indignam, «E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros», porque faz dos militares portugueses um bando de assassinos frios e sem piedade, o que nós sabemos nem de longe nem de perto corresponde à verdade.

   Não nos esqueçamos que são frases proferidas por um médico, que já o era, e que portanto estava, devia estar, arredado das acções directas de combate.

   Coloca também em causa os seus camaradas de Batalhão, fazendo deles uma espécie sub-humana, sem sentimentos e a roçar o animalesco! (...)
Abraço camarigo para todos.
   Joaquim Mexia Alves

      


Imagens da guerra

Existem muitos e variados comentários de outros ex-combatentes.
   Além do Mexia Alves, que conheço e sei ser um homem bom e generoso, mas também particularmente emotivo, vou partilhar com quem me lê um ultimo comentário um pouco diferente.
   2. Comentário de Luís Graça, editor de um blogue de ex-combatentes que em cerca de 6 anos está à beira de atingir 2.000.000 (dois milhões) de páginas visitadas.

«As infelizes frases ditas, no estrangeiro, por um escritor de que eu sou leitor(…), reportam-se à sua condição de médico militar durante a guerra colonial e, nessa qualidade, não nos podem deixar indiferentes, dizem-nos também respeito... Em todo caso, não podem ser usadas como título de caixa alta, postas entre parênteses, fora de contexto, muito menos como libelo de acusação para linchamento do homem e do escritor em praça pública...

   Há que ler o livro e inserir essas e outras frases no contexto da experiência do autor que era, antes de mais, um oficial miliciano e só depois médico e só mais tarde escritor (em 1985, torna-se escritor profissional, abandonando a psiquiatria)... Deixo aqui outras frases do livro, o qual resulta - é bom não esquecê-lo! - de uma longa conversa com o Lobo Antunes, mantida pelo jornalista João Céu e Silva (que é, de facto e de jure, o AUTOR DO LIVRO!), entre Setembro de 2007 e Maio de 2009:

(...) [JCS] Dessa guerra há um dia que o tenha marcado mais do que todos os outros ?

[ALA] Há o dia 13 de Outubro de 1972, mas não posso dizer porquê. Foi uma violência, nunca vou esquecer esse dia! (p. 111)...

(...) Eu nunca quis falar nem nunca escrevi sobre a guerra! (p. 110)... Há dias, tive uma conversa com um amigo... e recordei algumas coisas da tropa, o resultado foi que passei uma noite má. Acho que não há quem não tenha vindo de lá afectado (p. 111)...

   Qual é esse terrível segredo que o escritor tem guardado, até hoje, só para si? E que não quis compartilhar com o João Céu e Silva (p. 391) ?... Aliás, essa "declaração inédita", esse terrível parágrafo que começa pelas terríveis palavras "Eu tinha talento para matar e para morrer"... podem ser "parte da solução do mistério sobre um certo episódio em África que se recusou a revelar-me" (sic) ... E, se for de facto assim, é um daqueles segredos que o homem leva para a cova , e não apenas uma manifestação da imaginação delirante do autor de "Memória de Elefante" (1979) ?

   De resto, as declarações do veterano da guerra colonial de Angola podem levantar (levantam, seguramente) uma questão ética, que tem ver com ambiguidade, confusão e conflito de papéis a que o Lobo Antunes também não escapa, como ser social: onde acaba a consciência moral do homem, do militar e do médico e começa a liberdade criativa do escritor?

   Os lapsos de memória do ex-oficial miliciano médico ou até a sua falta de rigor em relação a questões técnico-militares (por ex., calibres de armamento) devem ser tidas em conta, mesmo que não sirvam de desculpa... Por ex., na página 239, leio algumas coisas que me espantam e que não tenho a certeza de serem correctas (pode ser que alguém mo confirme):
"E à volta de cada mina, [os guerrilheiros do MPLA] punham várias minas antipessoais, porque a mina anticarro rebentava com duzentos quilos e a mina antipessoal, com a pica, eram mais quarenta quilos e aquela merda estourava toda. Mas assim saía mais barata ao Estado , porque enquanto uma Berliet custava dois ou três mil contos, pela morte de um homem, por um rapazinho, pagam quatrocentos contos à família. Ficava mais barato!"

   Confesso que já não sabia a que pressão rebentavam as minas e, muito menos, que o Estado pagava, na época, 400 contos de indemnização à família pela perda de um vida, cinco ou sete vezes e meia menos do que o custo de uma Berliet do Tramagal... 
   
   Fico por aqui. Não sou advogado do escritor, muito menos do homem. E quero sobretudo reafirmar aqui um dos nossos princípios fundamentais, a (ix) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus), princípio esse que tem que ser compatível com o (i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem)... 

   Termino com uma reflexão pessoal: “Ficção verdadeira” ou “fixação no que se julga que podia ter sido a verdade”!?
Quadratura do círculo ? Às vezes as peças não encaixam mesmo...
   E quatro décadas depois as feridas da Guerra do Ultramar (ou Guerra Colonial) ainda estão por fechar...
   JERO
29-08-2010
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Comentário de Bernardino Martins
05-09-2010 às 08:48
Também estive lá: Tirei o curso de Comandos em Angola e fui mobilizado para Moçambique, passei por Antadora, Diaca, Sagal, Nangololo e Mueda, não posso estar de acordo com o que diz Lobo Antunes. Como ex combatente ouço muitas histórias dos hiróes de caserna, sei que não fomos un santinhos mas chegar-mos ao ponto como esse senhor fala, essas coisas só podem sair da boca de guerrilheiros de caserna, hoje essas amélias queram ser Rambos. O Lobo Antunes fala em coisas abstratas, que não soube o que foi a guerra e muito menos uma guerra de guerrilha, esse senhor como psiquiatra precisa de tratamento adequado deve ter uma grande pancada. os comentários sobre esse senhor são poucos devemos desmascarar esses guerrilheiros de caserna. Passei por esse teatro de guerra em Moçambique e nunca vi esses meninos de 21 anos serem assasinos, estou de acordo com o José Vale, também estive em Diaca (71) fomos destruir uma base IN fizemos o nosso trabalho, então se esse senhor fosse médico nessa altura em Diaca como o meu amigo era infermeiro o que diria dos Comandos, não fomos assasinos simplesmente fizemos o nosso trabalho mas evacuamos muita gente de Hélicopter principalmente mulheres e crianças essa população servia de escudo á Frelimo, façam como eu á minha conta não vende livros . Um abraço para todos os ex combatentes - Bernardino Martins nome de guerra "SARDINHA".
Comentário de José Marcelino Martins
03-09-2010 às 14:22
Caro Jero Sei o que pensas, assim como sabes aquilo que eu penso. Torna-se, definitivamente, necessário dizer basta! BASTA de maltratar os que um dia, sem que para tal tenham sido consultados, rumaram outras terras e outros climas, deram o seu melhor e, ao voltar,. ajudaram a continuar um PAÍS que outros, por má formação ou desleixo, estragaram para os nossos filhos e netos, alem de nós próprios. Onde está a dignidade que os nossos camaradas feridos e doentes têm direito. Na "esquina da vida"? No banco do jardim? Basta, meus senhores, basta. Lembre-mo-nos que só há três categorias de Portugueses (leia-se políticos): 1 - Os que estiveram na guerra, "mas não interessa que se saiba"; 2 - Os que são muito novos, para lá terem estado; 3 - Os que são muito velhos, para que os pais por lá tenham passado. Parece que a amnésia paira sobre o País. Um abraço José Martins Guiné 1968/1970
Comentário de Carlos Pinheiro
02-09-2010 às 23:31
Este caso do Lobo Antunes mete-me alguma confusão. Não sei. Não vi. Não estive lá. Portanto tenho muita dificuldade em opinar. Do escritor, por acaso, o único livro que li foi “D’este viver aqui neste papel descripto” Cartas de Guerra. Mas será um livro diferente dos outros como diferente também será a entrevista que deu o tal livro polémico. O que li é a reprodução dos seus aerogramas para a sua esposa. E, claro, se nos aerogramas se podia dizer muita coisa, também não se podia abusar. A Pide podia vir a desconfiar e complicar a vida aos que cá ficaram e aos que lá estavam. Só por mera curiosidade, um dia, já no final de 69, estando eu de baixa com um braço partido num pequeno acidente, estava no Solar do 10, na esplanada e um camarada leu uma carta da sua namorada que estava em Direito em Lisboa onde contava algumas cenas que se teriam lá passado entre os estudantes, a Policia de Choque e a Pide. Ao lado estava o meu comandante que quando chegou ao quartel me mandou chamar para me dar um aviso solene dizendo que eu não podia estar naquele tipo de comícios. Por esta, disse ele, passava, mas se houvesse próxima a coisa seria bem diferente. Portanto, se o ALA disse, em sentido metafórico, segundo ele, que o seu batalhão tinha tido 150 baixas, talvez não quisesse dizer mortos. Eu também fui em rendição individual e o camarada que eu fui substituir, segundo julgo saber, não tinha morrido mas tinha sido evacuado. Portanto nestas coisas dos números há muita forma de os referir e muita forma de os interpretar. Estive na Guiné de 68 a 70 mas não fui operacional do gatilho. Portanto aquilo que possa pensar é sempre muito relativo em relação à realidade vivida por quem andou no mato a dar o peito às balas. Sim. Dar o peito às balas porque ali, como disse e bem, muitas vezes os operacionais eram obrigados a matar para não morrer. Mas fui obrigado a ter contactos muito próximos com alguns sobreviventes da CCAÇ 1790. Quantos eram? Quantos morreram naquela operação na jangada que, segundo diziam, tinha uma canoa partida e mesmo assim foi carregada até se virar no rio? E os sobreviventes como é que ficaram? Em boa verdade foi uma Companhia que desapareceu do mapa. Mas isso são contas de outros rosários. Falar da guerra, passados 40 anos, é sempre difícil. Nos primeiros tempos também não era fácil porque havia muitas feridas abertas. Mas passado todo este tempo, algumas ainda não sararam por completo. Aquela coisa de matar ou morrer era, e ainda hoje é, muito complicado. Mas para que eram as bombas e a metralha que os aviões lançavam? Era só para abrir frestas no capim? E aquelas noites inteiras com os obuses a vomitarem fogo sobre um objectivo, era só para aplainarem o terreno? E quando os meios navais metralhavam as margens do rio por onde navegavam era só para fazer a desmatação? Temos que ser cuidadosos com o que dizemos e admitirmos que a nossa memória já não será o que foi. Passaram-se muitos anos, mas há coisas que não se esquecem. Um dia quando entrei de serviço tinha uma FBP em cima da secretária, porque “estava previsto um ataque de mísseis a Bissau”. Claro que a meti na última gaveta e avisei o camarada que no outro dia me foi substituir que estava ali aquela “perigosa”. Claro que Bissau não foi atacada naquela noite mas depois os mísseis andaram por ali. Os resultados é que não terão sido os esperados, mas isso aconteceu também muita vez com a nossa artilharia. Aquela série de programas do Joaquim Furtado veio relembrar muita coisa. Mas ainda bem, porque há coisas que não devem ser esquecidas. A memória colectiva tem que saber que houve guerra em três frentes e que morreram por lá cerca de 10.000 combatentes, a esmagadora maioria a cumprir o serviço militar obrigatório. Feridos e estropiados terão sido muitos mais. E muita da gente que tem mandado neste país, nos últimos 36 anos, fez daquele período uma autêntica tábua rasa, qual campa rasa, como se a sua ignorância pudesse apagar da história aqueles 13 anos. E estes diferendos não ajudam nada a consolidar o respeito que deveriam merecer aqueles que lá foram obrigados a passar. Essa é que é essa. E é pena. Carlos Pinheiro 02.09.10
Comentário de Antonio Bilro Ferreira
02-09-2010 às 17:14
Caro JERO, faço minhas as palavras de J. Mexia Alves. Eu estive no Leste de Angola de 1968/70 em diversos locais, mesmo com os mercenarios do Katanga e eu penso que esse ex-médico delira completamente. Nessa altura falava-se de algumas atrocidades das NT, mas numca pode confirmar, toda esta Historia está por fazer de um lado e do outro. O sr. A.L.A. possivelmente na sua passagem por Angola já sofria de delirio e passou a comissão no Quintas em Luanda. Mas para vender livros pode-se dizer tudo.
Comentário de Pereira Garcez
02-09-2010 às 14:47
Caros camaradas, tendo percorrido Angola em todos os sentidos, como militar de 63/65 todo o Norte de Angola e,nos dois ultimos meses fui guarda costas de 2 Oficiais do QG/RMA que visitavam os Batalhoes no sentido de explicar a Acçao Psico- social para com os povos nativos. depois como civil fui camionista no MVL militar corri toda a Provincia em colunas militares até Feb75 e, nunca ouvi tamanha aldrabice com que o AlA nos comtemplou, penso mesmo que o seu Batalhao teve 7 ou8 baixas e nem todas em combate, costuma-se dizer que os psiquiatras tem uma "pancada" este senhor deve ter "muitas pancadas". Um abraço PEREIRA GARCEZ
Comentário de José Vale
02-09-2010 às 13:47
É realmente como dizes caro Jero. Só quem afocinhou na lama da picada ou nos lodaçais do mato e sentiu o cheiro e o sabor agridoce do seu próprio sangue, feito brotar do corpo por uma rajada raivosa de metralhadora, ou pela explosão assassina de uma mina é que pode falar (se quiser) e dizer que conhece a guerra. De facto, tal como a palavra verde não é verde, também a palavra guerra é a Guerra. E só quando for possível passar ao papel (no caso dos escritores) o cheiro fétido de uns intestinos furados por estilhaços e derramados pela terra é que consegue transmitir aos seus leitores toda uma realdidade que vada vez mais teima em proliferar pela mundo fora. Quanto a mim este escritor Lobo Antunes, ouviu falar na retaliação dos colonos que viram as familias trucidadas pelos bandidos da UPA de Holden Roberto, em Angola no ano de 1961, e que sendo cristãos, sabiam que o perdão só está nas mãos de Deus...assim apenas apressaram o encontro daqueles facínoras com Ele! Não podiam , eles próprios perdoar tanta barbaridade. Ora se o referido escritor se está a referir a estes acontecimentos, tem razão porque as represálias dos colonos sobreviventes foram severas e implacáveis sobre todos os negros que apanhavam e que eram considerados assassinos. Quem os pode censurar por tais procedimentos? Eu não ! Mas que o senhor Lobo Antunes queira referir estes factos fazendo deles protagonista o Exército Português é, além de uma descarada mentira, uma grandiosa e vil ofensa às nossas tropas e respectivos comamdantes, pois o nosso exército não sendo composto por santinhos nem beatos, deu provas neste conflito de que era uma tropa civilizada e sem instintos nazis criminosos ou sanguinários. Não eram Nazis nem soldados do Exército Vermelho, ou do KGB que tantas atrocidades fizeram na Chéchénia e outras antigas Repúblicas soviéticas. Eu próprio em 29 meses de mato, em Diaca, Moçambique, apenas assisti a um acto que ainda hoje hesito em classificá-lo: execução impiedosa? Castigo merecido? Este episódio está descrito no meu livro Guerra Colonial: As Razões de Salazar, editado pela Fonte da Palavra, Lisboa, em Maio de 2009. Por outro lado como enfermeiro de combate tive várias vezes de assistir crianças, mulheres e velhos indígenas atingidos pelas granadas da artilhjaria da Frelimo, que sendo um fogo cego, tanto atinjiam o nosso quartel com as palhotas do aldeamento Maconde que se abrigava junto a nós. Mas são estes factos de que ninguém quer falar, parecendo mais interessados em denegrir e vilipendiar os homens que, acatando as ordens de Salazar foram à guerra tendo sido, após o 25 de Abril, apelidados e alcunhados de colonialistas , fascistas e até criminosos de guerra...como se tivessem sido eles a pedirem a Salazar que iniciásse uma guerra em África ...porque isso lhes daria muito gozo !!!!!! Quanto ao senhor Lobo Antunes , e para concluir este apontamento que já vai longo, é assim: nunca comprei nenhum livro dele e nem tenciono fazê-lo. Mas é um autor à disposição de quem o queira ler e nesse sentido , se ele acha que é com fantasias ou mentiras descaradas que vende mais livros..é um problema dele! Zé Vale
Comentário de Amaro Martins
02-09-2010 às 13:13
Agora é que se está a fazer a guerra de escrita,quando, deveria ser feita no verdadeiro tempo de guerra,vamos esquecer um grande mal que nos marcou a todos abraço amigo ( Martins Vizela) ex.combatente na GUINÉ 69-71
Comentário de Joaquim Mexia Alves
31-08-2010 às 16:41
Meu camarigo Jero Obrigado pelo teu texto e pelas palavras que me diriges. Sou realmente, como negá-lo, bastante emotivo, sobretudo naquilo que toca a minha dignidade, a minha honra, em todos os aspectos da minha vida, em que a minha vida de combatente da Guiné é parte também. Por isso me ofenderam as palavras de Lobo Antunes e por muito que agora venha tentar dar a "volta ao texto" a verdade é quis protagonismo e mais nada. Uma entrevista não é ficção! Digo o que disse noutro sitio: Se quem disse aquelas baboseiras fosse um qualquer sujeito caiam-lhe em cima, como é um intelectual, desculpa-se! Eu não, não desculpo, ou melhor, estou-me "borrifando" porque não me merece consideração. Grande abraço para ti meu amigo e espero ver-te por cá na Tabanca do Centro em Setembro
Comentário de Julio Almeida
30-08-2010 às 17:25
Em vindo de ALA, tudo é possível, até "verdades ditas" viram ficção, ou, quem sabe temor moral por ter de responder a crimes de guerra?
Comentário de Valdemar Rodrigues
29-08-2010 às 02:04
Sem dúvida, uma análise íntegra e profundamente honesta deste assunto. Há que louvar haver Homens como o José Eduardo, e eu por mim só tenho de lhe agradecer este belíssimo texto. Obrigado JERO!
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