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Edição Nº 156 Director: Mário Lopes Terça, 1 de Outubro de 2013
Opinião
Portugal 2020 e os 21 mil milhões


Valdemar J. Rodrigues
Valdemar J. Rodrigues
Professor Universitário
e-mail: vjrodrigues65@sapo.pt


   A partir de 2014 e até 2020 prevê-se para Portugal a ocorrência de uma chuvada, torrencial, de 21 mil milhões de Euros de Fundos Comunitários. Na Europa anestesiada quase ninguém questiona porquê, a troco de quê, e implicando o quê tais “ajudas”. Questões fundamentais cuja resposta talvez esclarecesse melhor o que aí vem. Primeira resposta: Porquê os biliões: porque sim! As famílias e as empresas ‒ as primeiras penhoradas e “convidadas” a emigrar; as segundas, sobretudo as pequenas e médias, sobrevivendo esmagadas por impostos e obrigações de toda a espécie ‒ carecem de mais competitividade e qualificação. Agora é que vai ser! Acreditar nisto faz bem à auto-estima, sobretudo quando a dívida pública não pára de aumentar... Segunda resposta: a troco de quê vêm os biliões: a troco de mais dívida e de mais domínio do sector financeiro sobre o Estado e a economia nacional. Aos 21 mil milhões devem juntar-se as obrigatórias ‒ e cada vez maiores ‒ comparticipações nacionais, dinheiro que o país terá de ir buscar, necessariamente, endividando-se junto do sistema financeiro. Nada de bom (ou de inovador) portanto. Por fim, o que implica esta chuvada de fundos para Portugal? Resposta: uma alteração no curso habitual das privatizações, que irão agora virar-se mais para os chamados activos fixos tangíveis ou seja, para os recursos naturais (e territoriais) sob alçada do Estado. Coisas que até não valem nada, sobretudo em tempo de “crise”, como é o caso dos (vastíssimos) recursos minerais da plataforma continental portuguesa. Como poderá também o Estado (falido e falhado) manter e conservar adequadamente as belas áreas (ecologicamente) protegidas do seu território, representando hoje cerca de 22% da sua superfície!? É urgente pois, com a “amável” assistência financeira da UE, criar as condições para a grande marcha triunfante rumo ao capitalismo natural. 

   Para um neoliberal, tal como para o economista habitual dos tempos que correm, existe uma tremenda irracionalidade financeira no facto de alguém chegar à praia; mergulhar as vezes que quiser nas águas salgadas e frias do Atlântico; estender-se na areia quente e macia; observar os belos corpos que se vagueiam; e depois, sem urgência, ir-se embora sem ter de pagar um cêntimo pelo esplêndido serviço do ecossistema! Afinal, como pode um ecossistema não ter dono? Como podem as ondas do mar rebentar ou o vento soprar sem o “auxílio” do sistema financeiro? Não é verdade que sem a presença do “oxigénio” bancário a vida na Terra seria impossível? Os biólogos que o digam, eles que tão bem conhecem Darwin! Para que há-de um Estado-nação precisar de um território? Sobre isto falarão os envolvidos numa coisa chamada “defesa nacional”, todos nós é certo mas sobretudo os militares.

   O que implicam os 21 mil milhões é muita coisa, e a falta que fazem muito duvidosa. Se calhar era melhor que não viessem. Até os solos e os recursos marinhos iam agradecer! Além, claro está, dos nossos filhos e netos...
01-10-2013
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