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Edição Nº 109 Director: Mário Lopes Terça, 3 de Novembro de 2009
Galeria de Exposições do Mosteiro de Alcobaça
Virgínia Victorino e Florbela Espanca: melancolia e glória na vida e na morte
         “Face a Face” – Florbela Espanca e Virgínia Victorino é a


Jorge Pereira de Sampaio, Mónica Batista
e José Guilherme Victorino

  exposição que está patente na Galeria de Exposições Temporária do Mosteiro de Alcobaça até ao dia 20 de Novembro. Uma exposição que tem como finalidade apresentar as duas grandes poetisas da primeira metade do século XX, através da fotografia bibliográfica e de objectos pessoais. O Tinta Fresca ouviu a propósito, no dia da inauguração, José Guilherme Victorino, sobrinho-neto da poetisa de Alcobaça e Jorge Pereira de Sampaio, comissário desta exposição, técnico superior do IGESPAR e Doutorado em História – variante de História de Arte pela Universidade de Lisboa. Uma organização da Câmara Municipal de Alcobaça em parceria com o IGESPAR. 

   Jorge Pereira de Sampaio admitiu ao Tinta Fresca não haver nenhuma relação directa entre Florbela Espanca (1894-1930) e Virgínia Victorino (1895-1967) que, provavelmente, nunca se terão conhecido fisicamente. Apesar de nascerem na mesma época e em pequenas cidades históricas - Alcobaça e Vila Viçosa - seguiram um percurso completamente antagónico. Virgínia Victorino vai para Lisboa estudar no Conservatório e consegue brilhar em todas as áreas em que intervém: estudou e ficou a dar aulas no Conservatório Nacional, onde foi uma professora notável e aclamada. Mais tarde, trabalhou na Emissora Nacional, onde foi uma brilhante directora do Teatro Radiofónico, além de ter sido a poetiza que mais vendeu em Portugal nos anos 20. O seu primeiro livro, “Namorados”, fez 12 edições em Portugal e duas no Brasil. 

   Curiosamente, ainda há cerca de 4 anos a Academia Mineira de Letras, no Brasil, organizou uma sessão de homenagem a Virgínia Victorino. A poetisa foi condecorada em Portugal com a Ordem de Cristo (1929) e com o Colar de Santiago de Espada (1932) e em Espanha, com a Cruz de Afonso XII. Recebeu ainda o Prémio do Secretariado Nacional de Informação (SNI), com uma das peças de teatro. Primeiro, Virgínia dedicou-se à poesia depois à dramaturgia. As seis peças de que foi autora foram êxitos absolutamente retumbantes, de tal modo que numa delas, “Camaradas”, recebeu até o Prémio Gil Vicente. Jorge Pereira de Sampaio admitiu que Virgínia Victorino teve uma ligação muito grande ao Dr Oliveira Salazar, “essencialmente de estima e admiração mútua”, comprovada até pela correspondência existente entre ambos. 

   Pelo contrário, “Florbela é muito depressiva e vê-se nos seus poemas que ela própria atrai uma certa negatividade e acaba por se suicidar. A Virgínia Vitorino é o contrário, retira-se quando entende que se quer retirar, mas, no fundo, tudo em que toca acaba por transformar-se em ouro em proveito dela própria. Hoje em dia é muito menos falada e até há gente que não sabe quem é. Para a recordar não basta ter o seu nome numa rua de Alcobaça e outra de Lisboa, ou ter sido feita uma exposição na Biblioteca Nacional há uma dúzia de anos. Eu tenho uma biografia com carácter de fotobiografia a ser editada no início do próximo ano e espero que Alcobaça aproveite a ocasião para a conhecer melhor.”

   José Guilherme Victorino, sobrinho-neto de Virgínia Victorino: "Virgínia Victorino foi uma mulher do seu tempo"

   


José Guilherme Victorino

José Guilherme Victorino, sobrinho-neto de Virgínia Victorino e Professor da Universidade Autónoma, com Doutoramento sobre “A Imagem no Estado Novo”, revelou ao Tinta Fresca que o seu pai, Álvaro Victorino, foi o herdeiro universal da poetisa alcobacense, sendo uma grande parte das peças desta exposição pertencentes a esse espólio.

TINTA FRESCA- Como caracteriza Virgínia Victorino, no contexto da sua época?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
“A minha tia foi uma pessoa extraordinariamente retratada porque era uma mulher particularmente bonita, obedecia a um cânone de beleza que não era na altura muito convencional. Virgínia Victorino foi realmente muito requisitada por uma série de artistas portugueses e, graças a Deus, a maior parte dessas obras, sejam as caricaturas ou os retratos a óleo, excepto um que se perdeu por estar em más condições, correspondem ao cerne fundamental desse acervo”, explicou.

Por outro lado, “Virgínia Victorino foi uma mulher do seu tempo, viajou muito, tinha uma curiosidade absolutamente insaciável e, portanto, estava o mais na berra possível nesta altura, o que não é estranho ao facto de ser muito lida, pois obedece ainda a um determinado tipo de convencionalismo a nível da poesia. É uma poesia muito tradicional, mas que já tem um lestro com alguma modernidade nalguns poemas.

Mais tarde revelou-se como dramaturga, que provavelmente, obedeceria também a uma forma de estar que, possivelmente, se poderia traduzir no facto de poder ter sido uma grande actriz. Júlia Lello, que fez uma tese de mestrado sobre o teatro de Virgínia Vitorino, diz precisamente isso.

Quem a conheceu no seu apogeu diz que era uma pessoa que tinha um peso algo dramático, um certo gravitas, como dizem os ingleses, e isso possivelmente poderia ter feito dela também uma grande actriz do teatro português. Foi muito amiga de Amélia Rey Colaço e viu levadas à cena algumas das suas primeiras peças pelo Teatro Nacional - companhia de Amélia Rey Colaço /Robles Monteiro que tiveram muito sucesso. Algumas mais polémicas, uma delas com grande conteúdo político, que teria sido encomendada pelo próprio António Ferro, que fazia parte das suas relações directas porque era muito amiga da Fernanda de Castro, que veio a casar com António Ferro.

   


Virgínia Vitorino

TINTA FRESCA- Que papel teve Alcobaça na vida de Virgínia Victorino?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
Virgínia Vitorino saiu de Alcobaça muito nova, com a sua madrinha Virgínia Ferreira, uma senhora que tinha um nível de vida bastante elevado para a época e que descobriu em Virgínia Vitorino um talento formidável tanto para a área musical como para a poesia. A partir dos anos 16/17, quando lançou o “Apaixonadamente” foi uma verdadeira pedrada no charco, teve várias edições e foi o seu livro que mais se vendeu.

Ficou muito mais tempo por Lisboa do que era suposto, tirou o curso superior de Canto e Piano do Conservatório Nacional, onde ficou instalada. Começou imediatamente a escrever e a publicar. Alcobaça passou a ser a terra onde ela vinha quase como se viesse em romaria, com uma série de amigos escritores, poetas, pintoras, como a irmã do Tomás Ribeiro Colaço, a Aninhas Colaço, pintora e escultora, uma grande modernista da altura. Vinham ver a terra dos seus antepassados, privar um pouco com a família que tinha em Alcobaça, que possuía uma loja formidável: alugava bicicletas, era uma espécie de estanque de tabaco, de vinhos, aquelas lojas que tinham várias coisas ao mesmo tempo.

Há várias fotografias muito curiosas desse período em que ela vem nitidamente recordar essas memórias de afectos, em que, de repente, a província é descoberta por esta geração de artistas como uma espécie de paraíso perdido. Nessa altura também estão eivados de um nacionalismo algo exacerbado e Virgínia tinha simpatias integralistas. Era uma pessoa que tinha uma grande admiração por alguns sectores muito próximos daquilo que seria algumas tendências de reposição da monarquia. Mais tarde privou com a Rainha D. Amélia no exílio, através de uma grande amiga, D. Olga Morais Sarmento, aqui retratada nesta exposição. Na altura, pertencia àquele conjunto de portugueses que por terem mais vida lá fora do que em Portugal tinha uma placa giratória de conhecimentos e influências que fez com que a minha tia começasse a ter uma expressão muito grande.

O meu pai ainda preservou uma série de autógrafos de artistas como o Maurice Ravel, Ramon de Lacerda,Vianna da Mota, Manuel de Falla, Gabriel D’Annunzio, uma série de pessoas que nessa altura faziam furor na Europa e que ela teve o privilégio de conhecer no estrangeiro. Ela fazia essas viagens de viatura durante o Verão. Olga Morais Sarmento tinha uma casa em Paris, outra em Hendaya, elas saíam daqui no Sud Express e ficavam lá uns meses. Por outro lado, toda a parte epistolar entre ela e as pessoas que ficavam em Lisboa era absolutamente formidável: ela recebe notícias e transmite notícias e, se hoje nós fazemos parte deste mundo global, estamos à distância de um clique, como costumamos dizer, nessa altura era completamente diferente, mas já havia pessoas que estavam dentro deste registo. O que acho mais fantástico é que, num curto espaço de tempo, ela teve acesso a muitas coisas.

   TINTA FRESCA- Como e onde morreu Virgínia Victorino?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
A determinada altura, não sabemos bem porquê, teve um break down e morreu bastante infeliz. Começou a evitar as pessoas, foi para casa de uma amiga, a Manuela Lima de Carvalho, que tinha uma propriedade nas Caldas da Rainha, onde ela ficou até ao final dos seus dias, numa espécie de retiro espiritual.

Um dos últimos comentários jornalísticos são precisamente de repórteres que dizem “que saudades de ver a Virgínia Vitorino a descer a Rua do Carmo e a Rua Garrett, com o seu ar seráfico, botas altas, parece que tinha um grande impacto nessa Lisboa do antigamente. Nesse artigo, é muito curioso que se interroga o repórter: “O que será feito da Virgínia Vitorino nesta altura da mini-saia, da falta de graça, em que as pessoas já não têm o gosto que tinham?”, numa perspectiva também muito saudosista. Percebe-se perfeitamente que é já uma geração que, nos anos 50, nomeadamente, sofre todo o desencanto que algum pós-Guerra também trouxe e, Portugal não é excepção, naquela fase mais tristonha do salazarismo. Virgínia Victorino, na realidade, desapareceu dos holofotes e veio a morrer, sozinha. Tinha uma magnífica casa em Lisboa, na Rua das Flores, mas nem sequer já ia a casa quando vinha a Lisboa e morreu no Hotel Borges, por cima do café “A Brasileira”.

Ela tinha as criadas em Lisboa e uma casa com dois andares. Quando era miúdo, lembro-me perfeitamente que uma das coisas a que mais achava graça era o elevador de comida, que vinha da cozinha à casa de jantar. Era uma casa formidável em pleno Largo Barão de Quintela, em frente à casa do Eça de Queirós, mas quando vinha a Lisboa ficava no Hotel Borges. Realmente, foi um corte cerce com todas as suas referências, nunca se percebeu muito bem porquê e, portanto, foi uma artista que até ao fim da sua vida deixou preservar um certo mistério porque era uma pessoa que tinha uma vida pessoal a que poucos dos seus mais directos amigos tinham acesso. Era uma pessoa que tinha o condão da preservação da sua vida extremamente cuidado, era uma pessoa extraordinariamente recatada em relação a determinadas coisas, do ponto de vista prático e sentimental. No final da vida, parece que entrou numa espécie de exílio que nunca se soube muito bem explicar, mas isso é uma áurea que permanece e que confesso, até lhe dá um certo mistério.

   


Pedro Coelho, autor da exposição
de fotografia sobre Virgínia Victorino

TINTA FRESCA- Como foi o relacionamento de Virgínia Victorino com Florbela Espanca?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
Nós não sabemos até que ponto se chegaram a conhecer. Ela tem um comentário muito bonito relativamente à Florbela Espanca, numa efeméride após a sua morte. Não podemos esquecer que a minha tia estava no seu apogeu, já vendia mais edições no Brasil que em Portugal e a Florbela Espanca era ainda praticamente uma desconhecida. A Florbela só começa a ser verdadeiramente conhecida, nomeadamente, por parte de alguns que sentiram que ela tinha um lestro verdadeiramente inovador e que começaram pouco a pouco a escrever nos jornais. Nomeadamente, António Ferro que disse, no Diário de Notícias, que (Florbela Espanca) era um dos segredos mais bem guardados da poesia portuguesa.

Existe esse desnível temporal, no sentido em que Virgínia Vitorino já era uma das maiores poetisas portuguesas, era mesmo considerada a poetisa nacional por excelência, representante dessa geração de mulheres, enquanto a Florbela Espanca, como dizia o António Ferro, ainda era um segredo bem guardado. Portanto, não são absolutamente contemporâneas, nomeadamente, ao nível da sua notoriedade artística, mas são absolutamente contemporâneas em termos da vida que levavam. E têm muitas coisas parecidas, eram pessoas que tinham vidas muito apaixonadas, eram pessoas muito vibráteis relativamente àquilo que a vida tinha de bom para lhes dar e realmente foram também infelizes no final.

Florbela Espanca não teve o acesso à mesma fama, por também estar mais recatada no interior do País, teve aquela paixão funesta que tudo leva a crer que seria uma representação do próprio pai, através do seu irmão Apeles Espanca. A Florbela é, em termos quase melodramáticos, uma poetisa que cativou imenso uma determinada geração precisamente por esse gesto dorido, muito magoado, mas é uma pessoa que só mais tarde foi verdadeiramente descoberta. É uma poetisa que só postumamente acabou por ter o reconhecimento que lhe foi concedido e que curiosamente acabou por ultrapassar a Virgínia Vitorino que, há meia dúzia de anos, era uma pessoa completamente esquecida, ninguém sabia quem era.

Graças ao Jorge Pereira de Sampaio, o fã nº1 da Virgínia Vitorino, tem pouco a pouco renascido com este tipo de iniciativas que a nós, família, nos deixa encantados. Nós aprendemos muito também à custa da minha tia, não propriamente pela experiência do dia-a-dia, porque éramos muito miúdos, ela morreu em 1968, eu nasci em 1959. Nós convivemos com a Virgínia Vitorino após o casamento do meu pai em segundas núpcias, pois o meu pai enviuvou e casou com a minha mãe. Houve diversos contactos, mas o que ficou verdadeiramente desta experiência é todo um dia-a-dia, ao longo de anos a fio, a vivermos numa casa recheada de memórias da tia Virgínia. Nós ainda descobrimos coisas - a minha tia tinha um critério de arrumação absolutamente britânico, era das pessoas mais obcecadas pela arrumação - e nós, de vez em quando, no meio de determinadas coisas ainda damos com inéditos no meio de umas cartas. Ainda há pouco uma senhora nos disse que um dos poemas que está exposto corresponde a uma música brasileira que também foi cantada pela Mara Abrantes. Portanto, para nós, esse repositório de memórias ainda está muito presente e há sempre mais uma edição ou uma carta para descobrir.

TINTA FRESCA- A família ainda possui a casa da poetisa?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
A casa da Virgínia Vitorio precisava de obras, era uma casa pombalina, lindíssima, foi pena não termos ficado lá, mas mudámos para uma casa nas avenidas novas com 14 divisões. Tinha de ter porque o meu pai não se quis desfazer de nada, fosse um objecto pessoal ou um livro. Hoje já vivemos noutra casa bastante mais pequena, mas mantivemos as coisas principais e alugámos de propósito uma arrecadação para poder ter acesso a coisas que quando é necessário podem ajudar a construir exposições tão interessantes como esta.

Por exemplo, nessa altura ela gravou com o maestro Francisco Lacerda discos que nós ainda tocamos na grafonola de origem. São músicas tradicionais portuguesas e, de repente, começamos a ouvir a estupenda voz de contralto dela. 

   


Retrato de Virgínia Victorino

TINTA FRESCA- Como comenta o facto de Alcobaça não ter nenhum edifício público com o nome de Virgínia Victorino?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
Tenho muita pena que Alcobaça não tenha nenhum edifício público com o nome de Virgínia Vitorino. Sei que houve um Teatro Virgínia Victorino em Cabo Verde, na cidade da Praia. É uma pena que a cidade não nenhuma nenhum equipamento cultural com o seu nome, podia ser uma biblioteca, podia ser um jardim, nem sequer tem um pequeno monumento. Virgínia Vitorino tem um busto lindíssimo, foi pena o Museu do Teatro não ter podido ceder a peça para esta exposição, de um grande escultor português da altura chamado António da Costa, que fez um dos melhores monumentos ao Marechal Carmona. Mas eu creio que estará para breve, pois os alcobacenses começaram a descobrir e não apenas uma dramaturga desconhecida. Sobretudo as gerações mais novas devem ficar surpreendidíssimas porque é um repositório fantástico. 

   TINTA FRESCA- A exposição tem condições para iniciar uma itinerância, passando, nomeadamente, por Lisboa e Vila Viçosa, a terra de Florbela Espanca?
JOSÉ GUILHERME VICTORINO-
Esta exposição podia perfeitamente ficar em Lisboa e tenho a certeza absoluta que seria uma sensação absoluta. Manuela Rego, filha do grande republicano Raul Rego, uma das maiores especialistas da literatura feminina desta época, que esteve presente nesta inauguração, escreveu no catálogo, quando nós cedemos o espólio à Biblioteca Nacional, que existem condições mais do que suficientes para fazer uma exposição em Lisboa sobre Virgínia Victorino.

Horário: Todos os dias das 10h00 às 17h00
De 26 de Setembro a 20 de Novembro
Entrada Livre.

Mário Lopes
03-11-2009
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