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Edição Nº 62 Director: Mário Lopes Sábado, 7 de Janeiro de 2006
Opinião
Porque apoio Manuel Alegre

 José Niza

1 - Conheci o Manuel Alegre em 1956 quando fui estudar para Coimbra. E aí começou uma amizade que dura há 50 anos. Vivemos em conjunto muitas vidas. As eleições presidenciais de Humberto Delgado, em 1958. As lutas estudantis contra Salazar e a guerra colonial. As muitas canções que fizemos antes e depois do 25 de Abril. O regresso dele a Portugal dias depois da revolução dos cravos e o abraço no aeroporto. (Salgado Zenha, que foi comigo esperá-lo, confidenciou-me: "o rapaz tem boa figura"). Depois foi a exaltante saga da Assembleia Constituinte e muitos anos no Parlamento e no Conselho da Europa. Tudo isto entremeado com pescarias ao achigã e ao robalo.

É muita coisa, muita vida, muita amizade.

Mas não é só por razões destas que se apoia um candidato a Presidente da República

É que a candidatura do Manuel Alegre, como se tem provado, era necessária para obrigar Cavaco Silva a disputar uma segunda volta, muito mais incerta do que a primeira. Porque, numa segunda volta eleitoral, tudo pode acontecer: Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, perdeu em 1986 quando julgou que com Freitas do Amaral eram "favas contadas". Perdeu. E voltou a perder depois, em 1996, para Jorge Sampaio.

E agora?

É o que iremos ver em 22 de Janeiro.

2 - A escolha do candidato do PS às presidenciais acabou por se transformar num processo conturbado.

Ao contrário do PSD e da direita, que só tinham um candidato, o PS tinha vários. E bons. E foi por isso que as coisas se complicaram. Em relação a António Guterres, e depois António Vitorino, foram criadas falsas expectativas. Eles sempre disseram não, mas o PS não quis acreditar. A hipótese Mário Soares foi também claramente desmentida pelo próprio, no discurso do jantar dos seus 80 anos, em que lhe fui levar o meu abraço de amizade e gratidão por tudo o que fez por Portugal.

Haveria ainda outros possíveis e bons candidatos como Jaime Gama, Vítor Constâncio ou Rui Vilar. E, é claro, Manuel Alegre.

E foi perante o vazio de o PS não conseguir encontrar um sucessor para Jorge Sampaio, que Manuel Alegre, uma vez mais, deu a cara e se declarou pronto a enfrentar Cavaco Silva. A direcção do PS, numa errada e injusta avaliação, não percebeu que Alegre pesava muito mais no eleitorado português do que ela própria julgava. E, por isso, não só não o apoiou como optou por Mário Soares, em circunstâncias cujos contornos profundos ainda estão por esclarecer.

Quer Mário Soares, quer Manuel Alegre, estão a dar um grande exemplo, uma grande lição de cidadania e de entrega total à causa da democracia portuguesa. Honra lhes seja!

3 - Com surpresa - digo-o sinceramente - comecei a constatar, no meu convívio diário com gente comum, que cidadãos anónimos e desenquadrados de todos os partidos e de todos os quadrantes, me diziam mais ou menos o mesmo: estavam desencantados com a política e com os políticos, admiravam e respeitavam Mário Soares, mas nem votariam nele nem sequer iriam votar; mas se Manuel Alegre se candidatasse, teria o voto deles.

Foram estes sinais, vindos de todos os quadrantes, de todo o país e até do estrangeiro, que "obrigaram" Manuel Alegre a candidatar-se.

Sem apoios partidários (ao contrário do que acontece com os outros quatro candidatos). Sem estruturas organizadas. Sem dinheiro. Sem marketing de campanha. Sem nada. A partir do zero. Apenas com entusiasmo, empenhamento e convicção.

4 - Tudo isto, todo este movimento cívico espontâneo, generoso e patriótico, constitui um fenómeno novo, diferente das rotinas e dos rituais eleitorais que se vinham instalando e que os portugueses têm vindo a contestar através de uma crescente abstenção de protesto.

Todo este entusiasmo, toda esta alegria, toda esta esperança, só tem paralelo nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974.

Que saudades que eu já tinha disto!

5 - Como já referi, estou profundamente convicto de que, caso Manuel Alegre não se tivesse candidatado, Cavaco Silva seria eleito logo à primeira volta. Aliás, era essa a sua estratégia. Manuel Alegre - como ele próprio diz - veio "estragar a festa" porque vai somar votos à esquerda que não iriam para nenhum dos outros candidatos e ficariam, a maioria deles, perdidos na abstenção.

Não é previsível saber se será Manuel Alegre ou Mário Soares a ir a uma segunda volta com Cavaco Silva. O que sei é que, se a esquerda estiver unida, não será vencida.

José Niza
Mandatário para o distrito de Santarém e membro da Comissão política da candidatura de Manuel Alegre

07-01-2006
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