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Edição Nº 35 Director: Mário Lopes Terça, 6 de Junho de 2006
Ministro da Cultura inaugurou exposição
(E)vocações: seis escultores contemporâneos na galeria do Mosteiro de Alcobaça

 Mise en Scène, de José Aurélio

Seis escultores, José Aurélio, João Carlos Silva, Sara Matos, Sérgio Vicente, Vanessa Santos e Virgínia Fróis são os rostos que deram vida à exposição que estará patente ao público até 30 de Dezembro, na Galeria do Mosteiro de Alcobaça. À inauguração ocorrida no dia 20 de Agosto, dia da comemoração dos 850 anos da morte de S. Bernardo, compareceram o ministro da Cultura, o novo presidente do IPPAR, o presidente da Câmara de Alcobaça e o reitor da Universidade de Lisboa. Seis escultores, José Aurélio, João Carlos Silva, Sara Matos, Sérgio Vicente, Vanessa Santos e Virgínia Fróis são os rostos que deram vida à exposição que estará patente ao público até 30 de Dezembro, na Galeria do Mosteiro de Alcobaça. À inauguração ocorrida no dia 20 de Agosto, dia da comemoração dos 850 anos da morte de S. Bernardo, compareceram o ministro da Cultura, o novo presidente do IPPAR, o presidente da Câmara de Alcobaça e o reitor da Universidade de Lisboa.

o Carlos Silva, Sara Matos, Sérgio Vicente, Vanessa Santos e Virgínia Fróis são os rostos que deram vida à exposição que estará patente ao público até 30 de Dezembro, na Galeria do Mosteiro de Alcobaça. À inauguração ocorrida no dia 20 de Agosto, dia da comemoração dos 850 anos da morte de S. Bernardo, compareceram o ministro da Cultura, o novo presidente do IPPAR, o presidente da Câmara de Alcobaça e o reitor da Universidade de Lisboa. Mise en Scène, de José Aurélio

o Carlos Silva, Sara Matos, Sérgio Vicente, Vanessa Santos e Virgínia Fróis são os rostos que deram vida à exposição que estará patente ao público até 30 de Dezembro, na Galeria do Mosteiro de Alcobaça. À inauguração ocorrida no dia 20 de Agosto, dia da comemoração dos 850 anos da morte de S. Bernardo, compareceram o ministro da Cultura, o novo presidente do IPPAR, o presidente da Câmara de Alcobaça e o reitor da Universidade de Lisboa. A ideia da exposição partiu do escultor José Aurélio, na sequência do trabalho que os seis escultores vinham a realizar na recuperação destas esculturas. Além do consagrado escultor alcobacense, participaram neste exposição os escultores João Carlos Silva, Sara Matos, Sérgio Vicente, Vanessa Santos e Virgínia Fróis, todos eles enviados pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.

Estas propostas plásticas dos seis escultores, resultam do trabalho prévio de conservação e restauro das peças escultóricas - a maior parte delas oriundas da Sacristia Manuelina do Mosteiro de Alcobaça - que obrigou a que fossem retiradas dos seus locais originais. E foi esta circunstância, que pode não ser repetida nos próximos séculos, que levou à idealização da exposição "(e)vocações".

A outra circunstância foi o cancelamento por parte da direcção do IPPAR, da prevista grande exposição sobre S. Bernardo, no início deste ano, por falta de verbas. Confrontados com a hipótese de nada ser feito, os escultores propuseram esta solução alternativa à directora do Mosteiro. Um trabalho de mecenato dos próprios artistas, que José Aurélio classifica de "generosidade sem nome, por amor a Alcobaça, à escultura do Mosteiro ou ao projecto em si".

Isabel Costeira: agradecimento a Luís Calado e... às térmitas

Na sessão inaugural, a directora do Mosteiro de Alcobaça, Isabel Costeira, agradeceu aos seis escultores intervenientes na exposição, aos dois técnicos de conservação e restauro, Luís Seixas e Fernando Soares, e ao ex-presidente do IPPAR, Luís Calado, por ter possibilitado esta intervenção e ainda às térmitas que atacaram a Sacristia Manuelina, originando uma intervenção de emergência.

Por sua vez, o presidente do IPPAR, arqº João Rodeia recordou que, "por vezes, o IPPAR é mais protagonizado pelo que eventualmente não faz ou não deixa fazer do que reconhecido pelos silenciosos e benéficos efeitos da sua acção preventiva, da colaboração sempre desejada permanente e da constante pedagogia no quadro do nosso património arquitectónico bem como da obra realizada".

Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara de Alcobaça, salientou que espera da nova direcção do IPPAR diálogo e estabelecimento de um programa de trabalho: "Alcobaça tem património, história, espiritualidade e vida, não para ser nomeada Capital da Cultura, mas para o ser em permanência".

José Barata Moura congratulou-se pela iniciativa tripartida entre IPPAR, Universidade de Lisboa e Câmara de Alcobaça, que permitiu a realização desta exposição e manifestou o desejo de que esta possa ser o início de uma colaboração regular entre estas entidades.

Pedro Roseta: "É importante que o Património
tenha uma ligação com a criação contemporânea"

João Rodeia, Barata Moura, Gonçalves Sapinho, Isabel Costeira e Pedro Roseta 

O ministro da Cultura, Pedro Roseta, considerou que "um dos aspectos mais negativos que pode haver quando se trata de Cultura é de estabelecer territórios ou fronteiras. A Cultura vive da diversidade, que distingue os povos, que enriquece os países dentro de si próprios, que exprime a singularidade das pessoas. A Cultura não pode conviver com territórios fechados, com guerras de estatutos ou de competências.

Pelo contrário, a política do Ministério da Cultura e do Governo é uma política de abertura ao trabalho com as universidades, câmaras municipais, fundações, empresas, com todos vós, particulares.

A Cultura não é para ser feita pelo Ministério, muito menos pelo ministro ou pelo secretário de Estado. A Cultura é para ser vivida, para ser criada, não apenas pelos artistas, mas também por aqueles das artes e ofícios tradicionais, artesanato, também aí há cultura- a Cultura popular- e há aqueles que fruindo a Cultura se colocam numa situação de procura que estimula a criação. Aqui estamos também a esbater uma fronteira clássica entre o património e a criação. Não existe essa fronteira.

Sabemos que o Património é a nossa memória, sem ele não temos identidade. O Património cultural em sentido lato, vai para lá do Património da Humanidade, como o que temos aqui em Alcobaça: para além do Património arquitectónico, há o Património documental, o Património móvel, o Património imaterial, um conjunto de valores e tradições que se transmitem oralmente, dentro da comunidade, das famílias, das comunidades religiosas, das associações, etc.

Mas o que importa é que esse Património tenha também uma ligação e não tenha fronteiras com a criação contemporânea. É banal já dizer-se que a criação de hoje é o património de amanhã. Mas não basta isso. O IPPAR e o Ministério da cultura têm dado provas de que muitos monumentos ficam enriquecidos quando os seus espaços estão abertos à criação contemporânea e se estabelece este diálogo na continuidade entre aquilo que herdámos do passado e aquilo que vamos incorporando através dos nossos criadores.

Fernando António Baptista Pereira: "Colunas do altar-mor barroco do mosteiro não deveriam estar na rotunda à entrada da cidade"

A Relíquia, de João Carlos Silva 

Coube a Fernando António Baptista Pereira, da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, apresentar a exposição "(e)vocações". O professor começou por lembrar que "esta exposição nasceu de um projecto que tinha na sua base a recuperação de um segmento de património que ainda se encontra dentro do Mosteiro de Alcobaça, apesar de todas as vicissitudes que ele sofreu, sobretudo depois de 1834, altura em que o Mosteiro foi espoliado e despejado de grande parte do seu recheio artístico e do seu património cultural. Grande parte dele foi levado para Lisboa, para instituições de referência, como museus arquivos e bibliotecas nacionais. No entanto, ainda ficou muito património, sobretudo, o património escultórico", esclareceu.

"Ainda no século XX, houve ocasião para desmontar, destruir e fazer desaparecer uma parte desse património. Eu, aliás, queria pedir ao Sr presidente da Câmara de Alcobaça que um dia quando este alto lugar da memória que é o Mosteiro de Alcobaça puder ser um fabuloso percurso de história da escultura portuguesa que existe aqui - entre a tumulária medieval e o espectacular acervo de escultura barroca - nós possamos recuperar da horrível rotunda que está à entrada da cidade, as colunas do altar-mor barroco deste mosteiro, retirá-las dessa utilização verdadeiramente menor e recolocá-las, não no lugar de origem, mas em apresentações museológicas que as valorizem e lhe dêem a grandiosidade que, a nosso ver, perdeu", defendeu.

"De facto, uma dos aspectos fundamentais que esta exposição encerra é: como é que nós podemos ler o património a partir das preocupações dos criadores de hoje? Por um lado, a obra de arte possui uma aura e essa aura tem de ser, de alguma maneira, recuperada, uma vez que estas peças perderam a sua função original. Um outro vector prende-se com o papel do espectador. A arte contemporânea nega ao espectador um papel meramente passivo, sujeito e observador. O espectador é, ele próprio, construtor da significação, e, por vezes, o participante da performance que é a própria obra de arte. Grande parte das peças que vão estar aqui presentes, convidam o espectador a ser parte integrante da performance que é a obra de arte, ela própria", explicou Batista Pereira.

"Outra questão fundamental é que não se trata de uma exposição de arte contemporânea sobre o passado, mas sim uma exposição de arte contemporânea com esse passado. Ou seja, os escultores apropriaram-se dessas peças, usaram-nas e integraram-nas em montagens que eles próprios conceberam. E essa é a grande novidade. Finda esta exposição, será muito difícil manter essas peças patrimoniais, até porque terão de regressar aos seus lugares de origem, ou para montagens museológicas futuras. Por isso mesmo, muitas destas peças existem apenas para a circunstância desta mesma exposição e têm um carácter efémero, de duração algo limitada", lembrou.

A finalizar a sua intervenção, Fernando António Batista Pereira, referiu-se aos seis escultores individualmente: "Vanessa Santos tem uma peça que evoca o sonho utópico que foi a fundação do mosteiro e que representa o espírito do lugar. Um lugar de memória da identidade portuguesa e que pode ser, dentro em breve, um lugar maior da escultura portuguesa, um percurso espectacular da escultura portuguesa até à contemporaneidade", referiu o orador.

"Para interrogar um pouco o espírito do lugar, temos a intervenção da Virgínia Fróis, onde através do binómio morte-ressurreição, que é algo que percorre todo este espaço, através de ondulações muito subtis em momentos-chave da construção deste mesmo edifício", prosseguiu.

Ad Virginem, de Sara Matos 

O professor explicou que todas as outras intervenções têm a ver com a escultura barroca: "Por um lado, o lugar do espectador é aquilo que está provavelmente em causa nas peças do José Aurélio, que também se apropriou destas peças para fazer os seus relicários das relíquias que são os fragmentos da escultura barroca".

Na instalação de João Carlos Silva, "há também uma relação entre a eternidade e a efemeridade: efemeridade da nossa existência, mas eternidade do espírito e da alma, dentro das preocupações do escultor já de exposições anteriores".

Para o professor, "a intervenção da Sara Matos é talvez a mais perfomativa, aquela que exige do espectador uma participação activa como actor no todo da história que ela conta e que nos permite jogar um pouco com o carácter imaculado de Maria, como Virgem da Assunção. O aspecto imaculado está lá presente, mas também a imagem maculada pelo tempo. E, portanto, dentro da sua apoteose, há uma mácula que se descobre quando se defronta a própria materialidade da escultura".

A finalizar, Fernando António Batista Pereira referiu-se àquela que considerou "a peça talvez mais irónica, que é a exposição do Sérgio Vicente onde se faz uma reflexão sobre o estatuto museológico da própria peça que aqui está. Metade de uma delas está embalada numa caixa e é um anjo: voa na nossa imaginação, voa no espírito, como voará numa caixa de embalagem para uma outra exposição, noutro local qualquer".

Mário Lopes

06-06-2006
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