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Edição Nº 66 Director: Mário Lopes Domingo, 2 de Abril de 2006
Opinião
Mulheres a menos

 Ana Prata

Uns opinam que servirão para "mascarar" e "distorcer" os verdadeiros objectivos, outros consideram-nas um meio de combate à discriminação directa e indirecta sobre as mulheres. A efectiva representação das mulheres na esfera política, inconvenientes para uns, cavalo de Tróia para outros e exercício de democracia para muitos, passaria pelo estabelecimento de uma lei de quotas - modo que determina a percentagem de inclusão de ambos os sexos na séria actividade de governar o nosso país.

Homens e mulheres, que teoricamente têm os mesmos direitos, não gozam das mesmas condições socioeconómicas e culturais (...), que lhes permitam aceder de igual modo a esse círculo governativo, tão determinado a preservar o feudo patriarcal. Não se trata de uma luta entre homens e mulheres, mas sim uma nova posição que questiona um sistema deficiente pela continuada resistência e oposição à participação das mulheres nos lugares de decisão. Um sistema que só recolhe vantagens deste tão acentuado desequilíbrio entre os sexos. Um sistema que vive da nua exploração das mulheres, em casa, no trabalho, através do seu corpo, da sua frágil situação social e económica. Um sistema que não reconhece a capacidade de mais de metade da população deste país.

Se é o sistema que cria desigualdade, que reduz as mulheres a esta posição de menoridade deve ser o próprio sistema, a contemplar efectivamente os seus reais direitos de participação no espaço público. As quotas são um modo directo de fazer justiça em relação a uma herança que nós mulheres, carregamos e transmitimos umas às outras, herança de subalternidade. É um modo de corrigir esta memória que nos atira ainda para os lugares de secretárias "deles". - Como se duas ministras e três secretárias conseguissem fazer de conta que temos um governo democrático na postura ou na decisão?!

O estabelecimento de quotas na política, não é sinónimo de incompetência das mulheres para governar um país - será sim, um meio mais rápido de elas provarem (como sempre tiveram de fazer) a sua eficiência, a sua criatividade e a sua sempre demonstrada inteligência para a gestão de recursos, de estabelecimento de parcerias, de trabalho...

Mas, será a atribuição das quotas suficiente para uma efectiva participação das mulheres na política? - Onde deixarão os filhos quando as reuniões se prolongarem até tarde na noite? Quem tomará conta dos mais velhos que têm aos seus cuidados? Como conciliarão a gestão da sua própria casa e do país inteiro? - Novas estruturas de apoio, horários compatíveis, serviços pensados para responder às inúmeras responsabilidades que sempre ocuparam a vida das mulheres, são igualmente urgentes para acompanhar as tão bem planeadas quotas.

Revolução de mentalidades? - Também. Mulheres e homens devem aprender a partilhar o publico e o privado para que ambos se tornem mais adequados às necessidades de todos. As quotas poderão ser uma maneira de acelerar essa revolução de mentalidades. A nova lei foi aprovada hoje, 29 de março de 2006 com os votos favoráveis do PS e BE. O futuro dirá quais os resultados práticos.


           Ana Prata

02-04-2006
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