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| Paulo Batista Santos |
Várias leituras podem ser feitas em torno dos resultados eleitorais, aliás é fácil identificar opiniões contraditórias a pretexto desta matéria, todavia existem três certezas que, em minha opinião, são incontestáveis
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1. Na região, como no país, o PSD obteve uma vitória clara e conquistou as principais autarquias;
2. O Partido Socialista e os seus protagonistas nestas eleições locais foram globalmente derrotados, em muitos casos, ficando mesmo aquém dos resultados eleitorais de 2001;
3. Mesmo reconhecendo que estas eleições não devem influir na governação nacional, o governo socialista eleito há escassos seis meses, não pode ignorar a expressão dos resultados, sobretudo nos principais centros urbanos do país.
Na região de Leiria e no Oeste verifica-se também um dado incontornável: o Partido Socialista apostou tudo - procurando mesmo capitalizar algum crescimento eleitoral nas últimas eleições legislativas -, mas foi vencido pela competência dos candidatos do PSD e pela obra realizada em muitos dos concelhos da região. Aliás, foi quase surrealista assistir à colagem de alguns candidatos locais à eleição de José Sócrates como primeiro-ministro, esquecendo aquilo que aparentemente é óbvio, ou seja, numa eleição local os eleitores esperam ouvir propostas concretas e identificar os candidatos pelas suas capacidades, e não propriamente valorizam a imagem que os candidatos socialistas procuram passar de meros «clones» locais do actual primeiro-ministro.
Acresce que no contexto regional registam-se também alguns dados novos, por um lado as candidaturas do PSD, mesmo em municípios que lideram há vários anos, conseguem crescer significativamente, são exemplos os concelho de Alcobaça e Óbidos, entre outros, como também mantêm um forte apoio popular em meios ditos mais urbanos como Leiria ou Caldas da Rainha, neste último conseguindo mesmo crescer em valores absolutos.
Este facto confirma a ideia de que os eleitores tendem nas eleições locais a reconhecer o trabalho desenvolvido e a credibilidade dos candidatos, independentemente das suas opções políticas nacionais. Ignorar esta realidade foi provavelmente o principal erro do Partido Socialista da região de Leiria que conheceu nestas eleições a sua mais pesada derrota autárquica, chegando mesmo ao ponto de ceder para o Partido Comunista a liderança das câmaras de Peniche e Marinha Grande.
Para o futuro da região de Leiria e do Oeste estão também criadas novas expectativas de progresso, nomeadamente ao nível de alguns projectos multimunicipais que tardam em conhecer o melhor desenvolvimento, em larga medida por alguns entraves colocados por autarquias que agora conhecem novas lideranças.
Resta agora que o governo socialista compreenda bem este sério aviso político e de uma vez por todas comece a governar para portugueses (e não apenas para os grandes grupos económicos estrangeiros) e, sobretudo, reconheça no poder local um parceiro estratégico para retomar o crescimento económico e o desenvolvimento social.
Paulo Batista Santos, dirigente distrital do PSD