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Edição Nº 171 Director: Mário Lopes Domingo, 25 de Janeiro de 2015
Opinião
A Pirâmide de Maslow e Políticas Autárquicas
  
              Carlos Cunha
A política autárquica na sua plenitude é a que está mais próxima das populações, detendo um contato quase quotidiano com os cidadãos. Esta relação de proximidade tem como cimento, entre outros factores, a satisfação de necessidade da população por parte dos vários órgãos autárquicos, como as juntas de freguesia e as câmaras municipais.

   Ora estas necessidades constituem grande parte do alvo da política autárquica, pois tendo cidadãos satisfeitos com o concelho, com a comunidade local e com os seus órgãos autárquicos os detentores destes últimos podem almejar a permanecer nestes por mais do que um mandato. Poucas necessidades são satisfeitas na sua totalidade pelos órgãos autárquicos, algo que emana, entre outras razões, da centralidade do poder e da tomada de decisão nos órgãos soberanos (Governo principalmente).

   Ora é nesta base de que existem necessidades a satisfazer que na década de 40 do século XX Abraham Maslow, teórico norte-americano, constrói uma teoria onde após trabalhar o conceito de necessidade, organiza essas mesmas necessidades do ser humano. Maslow defendia que o ser humano é motivado por necessidades pelo que a satisfação das necessidades é que motiva o ser humano diariamente ao longo da sua vida. As necessidades mais básicas são as inatas/fisiológicas. Estas caracterizam-se por serem as mais elementares e que constituem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie, como o ar, a água, a comida, o sono, o sexo…

   Seguiam-se as necessidades de segurança, relacionadas com a estabilidade e consistência do individuo no mundo, como a ordem, a segurança, o manter o emprego… Já as necessidades sociais e de amor prendiam-se com o fato dos seres humanos desejarem manter relações humanas com harmonia, sentirem-se amados e aceites pelos outros e fazerem parte de grupos, como clubes, grupos de trabalho, religiosos, família…

   Um quarto grupo seriam as necessidades de auto-estima, que se subdividiam em auto-estima resultando do reconhecimento das capacidades do individuo por ele próprio e da que resulta do reconhecimento e atenção fornecido pelos outros. Por fim encontraríamos as necessidades de auto-realização ou de crescimento, baseadas no desejo do individuo ser mais do que é e materializar todas as suas ambições e aspirações. A realização seria crucial neste grupo de necessidades, pois o individuo iria aproveitar todo o seu potencial para realizando as suas ideias e projectos, realizar-se a ele próprio. A ela estão associadas a autonomia, a independência e o autocontrole.

   Estes grupos organizar-se-iam na Teoria de Maslow conforme a pirâmide seguinte:

   Maslow na contextualização da sua teoria diria que há acções que satisfazem mais do que uma necessidade, como por exemplo ir a um bar, onde se pode satisfazer necessidade de auto-estima e de interacção social. Este também acrescenta que enquanto as necessidades de base da pirâmide (básicas ou fisiológicas) não estiverem satisfeitas abaixo daquilo que o individuo considerar aceitável, este não deverá partir para o patamar seguinte (necessidades de segurança).

   Ora é nesta consideração de Maslow que acredito estar a porta para a aplicação desta teoria na política autárquica. Se os órgãos autárquicos satisfazem necessidades das populações estes deveriam satisfazer as necessidades básicas em primeiro lugar e depois as de segurança, seguidas das sociais, as de auto-estima e por fim as de auto-realização. Resta-me perguntar: quando é que os órgãos autárquicos sabem o momento em que a partir do qual as necessidades básicas de uma população estão satisfeitas? E as de segurança?

   Havendo indicadores estatísticos que respondem a estas perguntas, somando-lhes o senso comum e a observação diária, há outra pergunta que, esta sim, continua sem resposta: e a nível individual? Quando é que uma Junta de Freguesia ou Câmara Municipal pode avançar para a satisfação de necessidades de um individuo de patamar superior?

   Caso um destes órgãos prossiga na satisfação de necessidades superiores sem satisfazer o exigível pelo individuo no patamar abaixo, perde a credibilidade junto desse eleitor. Por exemplo: se uma pessoa preza muito o conforto na deslocação de trabalho para a sua residência (Necessidade Básica e de Segurança) e a estrada que percorre estiver em mau estado, mas simultaneamente a Câmara Municipal da sua terra investe na cultura, no entretenimento e na ocupação de tempo livres (Necessidade Social e de Auto-Estima), essa pessoa irá se aperceber que não a estão a satisfazer dentro do que ela exige no patamar um e dois, logo não deveriam progredir para o terceiro. Esta assunção levará a que a pessoa perca confiança para com os detentores dos cargos políticos autárquicos.

   Assim a análise criteriosa das necessidades existentes na sua área de acção e da população que serve será o primeiro e mais importante passo para qualquer órgão autárquico, visto que deste dependerá a sua acção futura e a percepção que a população deterá dela.

   Carlos Miguel Boieiro Cunha

Secretário-geral da JSD de Arruda dos Vinhos e presidente da Mesa do Conselho Distrital da JSD Lisboa Área Oeste
25-01-2015
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