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Edição Nº 70 Director: Mário Lopes Quarta, 16 de Agosto de 2006
Alcobaça
Mariza:os encantos de uma fadista do século XXI
    

Mariza: voz e presença
em palco


    Perante uma plateia repleta de público, Mariza apresentou-se em concerto no dia 11 de Agosto, no Claustro do Rachadouro, no Mosteiro de Alcobaça. O espectáculo da fadista, que ocupa o topo nacional de discos há 33 semanas consecutivas
com o seu álbum “Transparente”, integrou-se na digressão nacional que privilegia as cidades históricas, iniciada a 27 de Julho em Monsaraz. A mais internacional das fadistas portuguesas da actualidade mostrou neste palco ao ar livre porque é uma estrela.

         Não transporta na alma a tragédia ou a humildade de Amália, não vendeu laranjas quando criança nem viveu os anos de chumbo do salazarismo, mas partilha com a diva do fado a potente voz e o culto da melhor poesia portuguesa. Os espectáculos de Mariza são o espelho da sua carreira, juntando ao mesmo tempo traços de autenticidade e marketing quanto baste. O resultado é um espectáculo planeado ao detalhe ou não fosse Mariza uma fadista do século XXI.

    

Sentada num dos altifalantes junto à plateia
  Seja como for, o produto final é compensador e esgota salas pelo mundo fora. Alcobaça não foi excepção. Os músicos que acompanham a fadista seguem na mesma onda, com prestações de encher o olho, sem tabus musicais, parecendo por vezes ao espectador não se encontrar num espectáculo de fado. Exemplo disso foi a actuação do percussionista João Pedro Ruela em “Feira de Castro”, canção em que predominam os ritmos do folclore do sul do País. Durante alguns minutos, o músico improvisou um solo de tambor como se estivesse num concerto de jazz, levando o público ao delírio.

         Mariza tem fãs que a seguem para todo o lado. Em Alcobaça, esteve um casal britânico de meia idade sentado nas primeiras filas, depois de ter estado presente em concertos na Polónia, Inglaterra e Finlândia. Mariza fez questão de os saudar publicamente e brincar convidando os presentes a irem a sua casa... A fadista cultiva a faceta de diva, com o seus longos vestidos pretos e as referências às suas digressões internacionais, ao mesmo tempo que faz questão de se aproximar do público, mesmo fisicamente. Afinal, não é este o segredo de qualquer grande estrela?

       
A fadista desceu do palco para cantar "Nem às Paredes Confesso"
Começou a cantar fado aos cinco anos, no restaurante dos pais, na Mouraria. A mãe é moçambicana, o pai um nortenho castiço, pelo que se afirma meio portuguesa, meio moçambicana. Dedicou a canção “Transparente” à sua “avó negra moçambicana.” Homenageado foi também Carlos do Carmo, uma das três referências da fadista, a par de Fernando Maurício e Amália, de quem se afirma discípula nestes últimos quatro anos.

     Algumas peripécias da digressão são intencionalmente partilhadas com o público. A fadista revelou que interrompeu a tournée para fazer um espectáculo em Boston, com a Filarmónica da cidade, após vários dias de muito calor. Contudo, durante o espectáculo, uma tempestade abateu-se sobre a cidade, com chuva torrencial e trovões, o que terá levado alguém a afirmar que Mariza tinha até capacidade para fazer mudar o tempo. O fenómeno da Natureza serviu para apresentar “Fado em Mim”, que a fadista afirmou ir cantar nesta noite por ver a Lua subindo no horizonte em frente ao palco.

   

Cantora e músicos no final do concerto
Do repertório constaram ainda clássicos dos seus dois álbuns anteriores - "Fado em Mim" e "Fado Curvo" - como “Barco Negro” e “Cavaleiro Monge”, canções autobiográficas como “Meu Fado” e “Primavera”, que a cantora confessou ser o seu fado preferido. “Nem às Paredes Confesso” foi cantado enquanto Mariza descia do palco, aproximando-se assim da plateia, entre surpresa e encantada. Terminou em triunfo com “Gente da Minha Terra”, um tema insistentemente pedido pelo público.

    Acompanharam a cantora Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), António Neto (guitarra acústica) Vasco de Sousa (baixo), António Barbosa (violino), Paulo Moreira (violoncelo), Ricardo Mateus (viola de arco) e João Pedro Ruela (percussão). A digressão passará ainda por Viana do Castelo, Bragança, Lagos, Trancoso, Faro e Estremoz .

 
          
Mário Lopes

16-08-2006
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