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Edição Nº 98 Director: Mário Lopes Segunda, 29 de Dezembro de 2008
Director clínico admite que aumento dos tempos de espera pode colocar em risco saúde dos doentes
Urgências do Hospital das Caldas da Rainha
sem capacidade de resposta atempada
   


Sala de espera do serviço de urgência

As urgências do Hospital das Caldas da Rainha, até ao dia 17 de Dezembro, atenderam cerca de 73 mil doentes, mais 20 mil utentes que em 2004 e mais de três mil que em 2007. Os dados foram revelados pelo director clínico do Hospital das Caldas, que comentou o facto deste serviço ter recebido desde o final do mês de Novembro um anormal fluxo de pessoas às urgências. Manuel Nobre refere que “há uma procura demasiado grande para os recursos que temos e uma procura muitas vezes indevida. As urgências do Hospital das Caldas da Rainha têm tido uma afluência muito maior que em 2007”, descreve. Para “ajudar” a este fluxo foi implementado o sistema Alert que “aumenta o tempo de tomada de elementos dos doentes, porque os profissionais ainda não estão familiarizados com o sistema novo”, explicou o director clínico.

   Por outro lado o director clínico diz que “muitas pessoas não têm conhecimento dos cuidados de saúde primários e por isso não recorrem aos serviços dos Centros de Saúde, ou então dizem que não têm médico. Por isso as pessoas recorrem onde há uma porta aberta sempre. Nós não podemos recusar o atendimento a qualquer pessoa, mas ao deixarmos doentes crónicos, de alguma idade, com cor verde, corremos algum risco, porque não sabemos o que lá está. Os doentes de menor gravidade podem esconder patologias que não se vêem logo. Os sistemas não são 100% eficazes e nós estamos atentos e não queremos que os doentes corram riscos quando vão ao médico”.

   O director clínico descreve que as urgências do Hospital das Caldas “tiveram um enorme aumento do número de reclamações por causa do tempo de espera”, dando a sua opinião de que “também considero que há tempos de espera exagerados. As pessoas têm razão, mas nós não temos um médico para cada pessoa”. 

   O médico lembra que os doentes que não deveriam estar no serviço de urgência “sofrem as consequências de estar muitas horas à espera, embora não desejamos. Estamos a estudar a possibilidade de aumentar o número de profissionais médicos durante uma parte do dia, mas isso é difícil porque não há médicos”, argumenta.

   “Há muitos médicos a reformarem-se e muito poucos a entrarem no activo. Vamos passar ainda tempos muito mais difíceis e preocupantes na assistência médica em Portugal. A maioria dos médicos de hoje tem entre os 50 e 60 anos e vão-se reformar no espaço de dez anos”, alerta.

   O director clínico considera também que o facto dos doentes ocuparem mais camas e macas no serviço de urgência, por causa de não haver resposta no serviço de internamento do Hospital, faz atrasar o atendimento. “Se os doentes forem encaminhados ao serviço de internamento não dão tanto trabalho aos médicos que tratam a fase aguda da doença. Estou farto de alertar que o serviço de internamento do Hospital das Caldas é extremamente deficitário, mas continuamos a aguardar que algo seja feito para alterar essa situação, porque compete à tutela resolver esta situação”, reafirmou.

   O cenário no serviço de urgência “é de doentes a aguardarem em locais menos próprios”, como são os corredores em macas ou camas, até que sejam resolvidas as suas situações que têm passado pelo encaminhamento para o Montepio Rainha Dona Leonor e para o Hospital Casimiro da Silva, no Bombarral.

   Manuel Nobre assume que muito pontualmente as macas dos bombeiros que trazem os doentes ficam retidas “mais tempo que o desejado em alguns casos pontuais”, no serviço por falta de capacidade de resposta do Hospital. Este fluxo anormal às urgências deve-se também ao facto de “muitas famílias trazerem os seus idosos para o Hospital nesta época do ano, porque deste modo podem passar um Natal e a Passagem de Ano descansados”, aglutinando ainda mais o serviço de urgência e de internamento.

   Por último Manuel Nobre é defensor de um novo Hospital para Caldas da Rainha em detrimento de uma ampliação das actuais instalações tendo em conta que o tempo para esta obra já passou.

   “O Centro Hospitalar tenta adaptar-se o melhor que pode, mas a zona Oeste merece uma nova unidade hospitalar. Há ideias para a utilização das actuais instalações e por isso sou defensor, hoje, de um novo hospital, porque a segunda fase não foi feita na devida altura. Prefiro uma coisa nova a uma quase nova, porque ficaremos sempre com um hospital remendado. Nós queremos ter condições para tratar os nossos doentes. E se não for feito nada a breve trecho, o hospital das Caldas não vai conseguir responder à procura. Só em casos de urgência há uma afluência crescente de doentes e nós temos praticamente o mesmo número de profissionais”, comenta. 

   Rui Faria, comandante interino dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha levado a comentar o facto desta anormal afluência às urgências recordou que “este é um período nada atípico ao normal funcionamento dos bombeiros”, embora aceite que “tem havido mais trabalho nas emergências”.

   O responsável considera que os doentes entregues nas urgências do hospital “são logo «triados», embora seja da opinião que as urgências do hospital, “deveriam ter mais um enfermeiro a fazer o serviço de triagem, devido ao aumento de doentes” que recorrem àquele serviço e por existirem mais corpos de bombeiros a drenarem agora directamente para a unidade das Caldas. Rui Faria descreve ainda que “pontualmente as macas demoram a ser entregues”, mas justifica este “pequeno atraso por causa do novo sistema de consulta, o Alert”.

   O bombeiro aconselha também as pessoas para antes de recorrerem ao Hospital “esgotem todos os serviços anteriores”. “O hospital é um bom local para curar as pessoas, mas também, e estas alturas são propícias a isso, porque há muitos vírus de gripes, as pessoas devem ir primeiro ao médico de família e ao Centro de Saúde antes de recorrerem a estes serviços que são só de urgências”, disse.

   A voz dos utentes 

   Uma mulher que acompanhava um bebé descreveu que aguardava atendimento “há cerca de três horas”, queixando-se de que o filho tinha “febre há quatro dias”. “Tenho de esperar, mas ninguém nos diz nada. Todos têm febre”, lamentou. 

   Um homem que acompanhou a mãe queixou-se porque agora o serviço de informações passa pelo preenchimento de um papel em vez do atendimento ao balcão que anteriormente acontecia. “A minha mãe está lá dentro há quatro horas e há duas horas que espero por uma informação. Não sei o que se passa com ela. Preenchi um papel e há duas horas que não sei nada”, deplorou.

   Uma senhora que se queixou de dores abominais que a faziam urinar com hemorragias, lamentava que aguardava há quatro horas para ser chamada para ser vista por um médico. “Estou aqui com pensos, toda urinada. Fui à triagem ao 12h12 e deram-me a cor verde. Não tenho outra hipótese se não recorrer a este serviço, porque para apanhar consulta no posto médico tenho de me levantar às seis da manhã. O SAP do Centro de Saúde de Óbidos estava fechado à hora que vim para aqui, porque abre apenas às 16 horas. Eu estou cansada de estar aqui”, desabafou.

   Carlos Barroso
29-12-2008
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