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Edição Nº 117 Director: Mário Lopes Sexta, 30 de Julho de 2010
No dia do 90º aniversário do escultor Joaquim Correia
Pavilhão de Exposições de Escultura inaugurado na Marinha Grande
   


Sessão de homenagem a Joaquim Correia

A Câmara Municipal da Marinha Grande homenageou o Escultor marinhense Joaquim Correia e inaugurou o Pavilhão de Exposições de Escultura no dia 26 de Julho, dia em que se assinalou o 90º aniversário do artista, numa cerimónia realizada no Museu Joaquim Correia, na Marinha Grande. A sessão contou com a presença de cerca uma centena e meia de pessoas, entre as quais personalidades da cultura nacional, representantes da Academia de Belas Artes e muitos familiares e amigos do escultor.

   Joaquim Correia começou por dizer que “é muito reconfortante estar aqui a assistir à evolução deste Museu, sempre na ânsia de vê-lo a continuar desenvolver-se”. Agradeceu o empenho de todos os que se associaram a criação do Museu e ao projecto do Pavilhão de Exposições de Escultura que guarda peças espalhadas por todo o país e até no estrangeiro.

   Nunca esperou chegar aos 90 anos nesta disposição de continuar a trabalhar, por ser tão estimulante ver que além da sua obra, se fazem outras coisas úteis para terceiros, este museu é um exemplo disso, para servir de estimulo para a juventude, para com mais coragem enfrentar as dificuldades. “Acabei por ver a minha obra ampliada neste pavilhão espero que ela possa continuar viva e espero que os meus conterrâneos possam aproveitar aquilo que eu fiz”.

   Explicou como foi o seu trajecto até entrar na Academia de Belas Artes, na qual veio a ser director e falou do seu percurso profissional, de como o poeta Afonso Lopes Vieira apadrinhou a sua vocação e do orgulho nas suas raízes como dizia: “Eu estou em Lisboa por empréstimo e sempre me envaideci, os meus anteriores são homens do vidro, homens e mestres que há poucos”.

   No dia em que se assinalou o 90ª aniversário do escultor, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Álvaro Pereira, lembrou que esta acção pretendeu “evocar o prestigiado percurso profissional do artista e reconhecer publicamente o seu contributo para a dignificação da arte a nível local e nacional”.

   O autarca referiu que o artista é um homem de exemplo a reconhecer, um artista cujo legado é indelével que está representado em vários espaços públicos do concelho, além do Museu, que permite uma aculturação da população com a sua obra.

   Durante muitas décadas, Joaquim Correia foi pedagogo de muitos alunos que encontraram no seu saber fonte de inspiração, discípulos que, como disse, “não aprenderam senão o que de melhor se fez em escultura”.

   Inaugurado no dia 7 de Dezembro de 1997, o Museu exibe o valioso espólio do artista, no qual está dignamente registada a memória do que foi o maior expoente no campo da criação artística. Além de constituir uma justa homenagem ao Professor, está perenizado o reconhecimento do concelho à sua obra e à sua família que doou os trabalhos expostos, para fruição e enriquecimento do património cultural. 

   A vereadora Cidália Ferreira dirigiu-se a Joaquim Correia, como “uma grande alma” à qual se deve a concretização destes projectos, como “um livro sem fim”. Um grande artista que continua a rejuvenescer aos 90 anos, privilégio que como disse “só aos grandes artistas é permitida esta bênção, porque a arte está na sua alma e ela é imortal e este local vai sê-lo porque é e será sempre seu. E nós marinhenses iremos sempre querer e reconhecer e por isso este é um espaço de alma e querer. Porque este é o espaço de Joaquim Correia”.

   O académico da Academia de Belas Artes, Professor Fernando Guedes, falou do trajecto profissional e das obras que o constituem, espalhadas pelo país e pelo estrangeiro. O cuidado e o requinte do pormenor, a enorme capacidade de penetração psicológica que permite que avance meticulosamente no trabalho, foram características que Fernando Guedes sublinhou como o que mais se deve admirar na sua obra.

   António Valdemar, presidente da Academia de Belas Artes, começou por referir a obra multifacetada do escultor, evidenciando a importância e a projecção da sua criação artística, sublinhando que “não se pode fazer a história da escultura sem referir a presença e a intervenção de Joaquim Correia e este Museu documenta o seu longo e diversificado percurso”.

   Recordou o seu papel como renovador do ensino universitário de Belas Artes, durante os anos em que a dirigiu, impulsionando uma nova pedagogia e introduziu uma nova didáctica abrindo o caminho para o futuro.

   Esta cerimónia foi iniciada e finalizada com a actuação do Ensemble Concertante de Guitarras do Orfeão de Leiria.

   Inauguração do Pavilhão de Exposição de Esculturas

   Depois de uma visita guiada pelo próprio Joaquim Correia ao Museu, o presidente da Câmara e o artista descerraram a placa inaugural do Pavilhão de Exposições inserido no perímetro do Museu Joaquim Correia, no largo 5 de Outubro, na Marinha Grande. 

   Este edifício é destinado à exibição de elementos escultóricos de grandes dimensões. A natureza destes materiais impede a sua exposição ao ar livre, pelo que se tornou necessária a construção deste edifício. 

   Joaquim Correia referiu que este é um espaço para evocar os “homens do vidro, os homens do forno”, sempre com a intenção de fornecer conhecimento aos mais jovens.

   Fonte: Gabinete de Comunicação e Imagem da Câmara Municipal da Marinha Grande
30-07-2010
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