Google
Mantenha-se actualizado.
Subscreva a nossa RSS
Twitter Tinta Fresca
De momento não existem Sondagens activas.
Ver Sondagens Anteriores
Edição Nº 71 Director: Mário Lopes Quinta, 14 de Setembro de 2006
Mosteiro de Alcobaça
Sacristia Nova e Capela Relicário reabertas ao público
       A Sacristia Nova e a Capela Relicário do Mosteiro de Alcobaça
       Rui Rasquilho traçou o historial
             da Sacristia Nova
foram reabertas ao público no dia 11 de Setembro, na presença do chefe de Gabinete da ministra da Cultura, do presidente do IPPAR, do presidente da Câmara de Alcobaça e do bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo. O investimento na recuperação deste espaço, alvo de um ataque de térmitas em 2001, rondou os 300 mil euros, dos quais cerca de metade foi assumido por empresas privadas, no âmbito da Lei do Mecenato.

      O chefe de Gabinete da ministra da Cultura, que substituiu Isabel Pires de Lima, ausente nesta cerimónia por razões imponderáveis, defendeu que não basta recuperar Património, sendo também necessário que depois o público usufrua dele. Carlos Rodrigues aproveitou a ocasião para recordar que as Jornadas Europeias do Património se realizam de 22 a 24 de Setembro com o tema “O Património Somos Nós” envolvendo 550 acções e a maior parte das autarquias portuguesas.

      Por sua vez, o director do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça começou por recordar que a cerimónia se realizava no dia 11 de Setembro, data que assinala o 5º aniversário dos atentados terroristas de Nova  Iorque e Washington. Rui Rasquilho sublinhou o papel da luz na vida do Mosteiro considerando a luz o maior estímulo para a preservação do monumento Património Mundial da UNESCO.

      O historiador lembrou que a abadia só existe porque D. Afonso Henriques decidiu doar em 1153 os Coutos de Alcobaça a Bernardo de Claraval, como reconhecimento do apoio do grande impulsionador da Ordem de Cister e que aquelas pedras da igreja ouviram as palavras pronunciadas na Sagração, em 1153.

      Rui Rasquilho prosseguiu a sua viagem no tempo, referindo que, em 1519, D. Manuel I teve a sorte como governante de encomendar ao arquitecto João de Castilho uma sacristia nova. O rei comprou casa em Alcobaça, contrariando a opinião do alcaide, Vasco de Pina, que considerava Alcobaça um lugar em decadência. Em 1570, Frei Constantino de Sampaio mandou construir a Capela Relicário para guardar as relíquias e os tesouros do Mosteiro. A capela barroca possui uma torre lanterna octavada que proporciona imagens de belo efeito quando o sol penetra nas suas oito faces.

      O historiador realçou também os amitários da Sacristia Barroca, datados de 1664, dos móveis mais valiosos do património mobiliário português. O director do Mosteiro recordou também o desaparecimento do magnífico cadeiral de 150 cadeiras que, no início do século XIX, serviu para aquecimento do exército napoleónico durante as Invasões Francesas.

      Em 1755, o terramoto de Lisboa, que também se fez sentir em Alcobaça, destruiu parte da abóboda da capela, tornando impraticável a sua reconstrução. A nova abóboda acabaria por ser construída já no século XX pelos Monumentos Nacionais, mas sem a qualidade artística original. Rui Rasquilho não hesita ao afirmar que “houve restauros mal feitos no Mosteiro de Alcobaça.”

      A finalizar, Rui Rasquilho elogiou os mecenas deste projecto: a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Alcobaça, a Balbino & Faustino e José Cordeiro Luís. Reportando-se à sua gestão, o director elegeu como prioritários o restauro dos telhados da Ala Norte, a construção da loja e da cafetaria e a instalação de um elevador para deficientes, confessando ter ficado chocado ao ver recentemente um deficiente em cadeira de rodas cair desamparado das escadas do Mosteiro.

      O director do Mosteiro sublinhou estar no cargo por paixão e, por isso, só fazer sentido a sua continuação se houver condições para a concretização dos seus projectos. Rui Rasquilho reconheceu ainda ter recebido, desde que tomou posse, um “extraordinário apoio da Câmara Municipal de Alcobaça” às suas propostas.       
    Gonçalves Sapinho expressou
     preocupação com o novo QCA


Em seguida, Gonçalves Sapinho ressalvou não ser sua intenção interferir na gestão do Mosteiro, mas lamentou que o monumento continue na mesma, desde que António Guterres tomou a decisão de o tornar devoluto, à excepção da Igreja e da Ala Sul. O presidente da Câmara de Alcobaça alertou que o novo Quadro Comunitário de Apoio se inicia já em 2007 e que o Orçamento de Estado é insuficiente para resolver os problemas com que se debate uma abadia de tão grandes dimensões.

      O autarca considerou que sem investimento, o monumento irá ficar votado ao abandono e voltou a citar o ex-primeiro-ministro socialista referindo que o Mosteiro é uma âncora de desenvolvimento de Alcobaça. Gonçalves Sapinho aproveitou a cerimónia para solicitar publicamente apoio para o Festival Internacional de Contos Mágicos, a realizar no próximo ano na Benedita.

      Por sua vez, D. Carlos Azevedo traçou um quadro da relação do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça com o divino, considerando-o “um espelho do Céu”, acrescentando que “a beleza  alimenta-nos a alma”. O bispo auxiliar de Lisboa aproveitou também para enaltecer o trabalho do pároco da Paróquia de Alcobaça, padre Fernando de Cima, de partida para uma paróquia de Lisboa.

      Por fim, o presidente do IPPAR lembrou que foi visita assídua do Mosteiro de Alcobaça  nos anos 80, enquanto técnico do IPPAR. Elísio Summavielle afirmou rever-se inteiramente no discurso inspirado do director do Mosteiro de Alcobaça e aproveitou também a ocasião para se congratular pela grande adesão das autarquias às Jornadas Europeias do Património, lembrando que há dois anos esse número era menos  de metade.

      Seguiu-se uma visita à Sacristia Nova, que brilha agora novamente em todo o seu esplendor, acompanhada por muito público que não quis faltar à ocasião. As explicações do restauros ficaram a cargo dos técnicos Cristina Cecílio e André Remígio. Elísio Summavielle interveio ainda para sublinhar as diferenças entre as escolas do norte e do sul da Europa, sendo as primeiras mais defensoras dos restauros e as segundas da conservação do Património.

A Sacristia Nova e a Capela Relicário do Mosteiro de Alcobaça (Fonte: Gabinete de imprensa IPPAR – Maria Resende)

     
       Técnicos explicaram detalhes 
                          do restauro
    No Mosteiro de Alcobaça, classificado como Património da humanidade, o espirito despojado de Cister, contrasta com o esplendor barroco da Sacristia Nova e da Capela Relicário.

        A Sacristia mandada construir por D. Manuel I, e reconstruída após o terramoto de 1755, preserva o Portal Manuelino e a Capela Relicário. A Capela Relicário tem, por seu lado, um dos mais originais interiores portugueses, na conjugação perfeita entre o enquadramento arquitectónico, a arte portuguesa da talha dourada e os bustos de santos e mártires de terracota, testemunho da tradição escultórica dos monges-barristas de Alcobaça..

      Objecto de uma complexa intervenção de valorização, que incluiu mesmo a reformulação da sua contextualizaçao urbana, ao longo de toda a 2ª metade do século XX, foram igualmente realizada, ao longo dos  últimos anos, importantes obras estruturais e de restauro, culminado estas com a apresentação pública do renovado conjunto da Sacristia e Capela Relicário. Nunca, até agora, se tinha procedido a tal intervenção sistemática, recorrendo a sofisticados meios auxiliares de diagnostico e de tratamento, como aquela que se iniciou em 2001 e que, retomada em junho de 2005, se dá agora por concluída.

      Foi efectuada uma profunda intervenção de  conservação e restauro do impressionante conjunto escultórico da Capela, o reforço estrutural dos móveis amitários da sacristia e dos arcazes; e, por fim, a revisão total da infra-estrutura eléctrica de forma a criar as condições para uma maior fruição publica, nomeadamente através da possibilidade de realização de recitais de musica e de outras actividades culturais consentâneas com a importância patrimonial do monumento.

                               A Sacristia Nova
                      (Fonte: Mosteiro de Alcobaça)     

     Capela Relicário

       No dia de Todos os Santos de 1755 a terra tremeu de forma medonha, o mar subiu pelo Tejo e levou parte de Lisboa. No norte de África, na península, as casas caíram, as pessoas morreram. Em Alcobaça o Mosteiro aguentou mas a abobada da Sacristia Nova, construída em 1520 por João de Castilho, veio abaixo arrasando todo o interior menos os dois móveis que ladeiam a porta e que cá continuam desde 1664.
Entre o final do século XVIII e primeiro quartel do século XX, a Sacristia nova recuperou da ruína e nasceu de novo com abóbada alta de berço e decoração à maneira Rocaille. O chão fez-se de mármore policromado e os novos arcazes de traça setecentista.

                           A Capela Relicário
                      (Fonte: Mosteiro de Alcobaça)
      
           Portal de entrada 
          da Sacristia Nova

             Em 1672, Frei Constantino de Sampaio mandou erguer ao fundo da Sacristia nova uma Capela para as relíquias. Em Portugal reinava D. Afonso VI, já desterrado na Ilha Terceira. Uma cúpula em pedra dourada e policromada cobre um espaço oitavado que foi preenchido por um retábulo de talha dourada, composto por nichos que se abrem nas paredes e que albergam bustos, mãos, esculturas, quase tudo em barro policromado, oferecendo-se à magra luz solar que jorra, filtrada pelo lanternim cilíndrico que abre a meio a cúpula.

      As relíquias “viveram” até poderem, em pequenos cofres vidrados, hoje quase todos vazios. É sem duvida o mais equilibrado conjunto barroco que existe em Portugal, onde este estilo foi muito usado em templos católicos.

      Mário Lopes

14-09-2006
« Voltar

Comentários

Nome:*
Email:*
Comentário:*

* Obrigatório
Ao comentar aceita automaticamente a
política de utilização deste portal.
Para que o seu comentário seja válido deve preencher todos os campos acima indicados como obrigatórios. O email é usado apenas para efeitos de verificação e não será exibido com o comentário. Os comentários deste portal são moderados, pelo que são sujeitos a verificação antes de serem publicados. Não serão aceites comentários de carácter insultuoso, discriminatório, racista ou spam.
Pesquisar
Ed. Anteriores
Contactos
Newsletter
 
Cartas ao Director
Blogue Tinta Fresca
Blogues
Sítios Úteis
 
OPINIÃO
Lobo Antunes, a “ficção verdadeira” e a quadratura do círculo…
JERO
Instrumentos
Nuno Miguel Cruz


 

Projecto Co-Financiado por  Promotor  Desenvolvimento
Acessibilidade [Alt + D seguido de ENTER] D  POS_Conhecimento
FEDER União Europeia
FEDER
Associa��o de Munic�pios do Oeste Makewise - Engenharia de Sistemas de Informa��o