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Edição Nº 156 Director: Mário Lopes Terça, 8 de Outubro de 2013
Opinião
Um inquietante inconformismo
    Quando há um ano atrás escrevi “Nós os Gregos e os Outros” e perspetivei que seguíamos o trilho da Grécia, ainda ressalvei alguns aspetos que nos diferenciavam daquele país, que como nós, portugueses, foram escolhidos como cobaias para a aplicação de terapias para combater uma crise que os ricos despoletaram, escolhendo como alvos as economias mais débeis da Europa, onde o “analfabetismo” e a pobreza estão na origem de uma frágil cultura democrática.

   O povo português é, neste momento, o menos conhecedor dos deveres e direitos que um regime democrático tem para lhes dar, tirando alguns partidos políticos, que retiram dividendos desta triste realidade. 

   Portugal é o país menos culto da Europa, não obstante os nossos emigrantes serem dos mais evoluídos e qualificados de todo o Mundo. Não o afirmo por ter sido emigrante, mas porque hoje a emigração portuguesa é a elite de todos nós. 93% dos que partem levam na bagagem cursos superiores tirados nas melhores universidades e outros estabelecimentos de ensino conceituados. Partem para não voltar porque deixam o seu país cheios de ressentimentos, deixando-o a afundar-se cada vez mais na pobreza material e cultural. Caso único na história, foi um governo mandar emigrar os portugueses como o atual fez. 

   Portugal é o país com o maior nível de iliteracia de toda a Europa em contraste, há quinhentos anos eramos o mais avançado em quirografia. Se cairmos num segundo resgaste nada mais resta aos jovens que emigrar também, deixando a população mais envelhecida e sem reformas sustentáveis, levando também a uma grande queda nos nascimentos e à eclosão de um drama social de deprimente dimensão humana. 

   Começa a apoderar-se da nossa Juventude “um inquietante inconformismo” porque sentem que o seu futuro está seriamente comprometido e hipotecado, com os portugueses a já não conseguirem afastar o sentimento de que vivem numa República desvalida. A perspetiva que resta aos que cá ficam será terrível: terão que emigrar também mas não terão aceitação no mercado de trabalho por falta de escolaridade porque muitos destes Jovens vão deixar de estudar ou por falta de meios ou por desmotivação. Eles serão os novos romenos a estender as mãos à caridade nas cidades dos países ricos da Europa. Utilizarão os filhos bebés nos sinais stop dos cruzamentos para despertar a caridade nas ruas e passeios gelados dos países do Norte. 

   Um segundo resgate terá como consequência um terceiro e assim sucessivamente, porque o governo não tem coragem para tocar nos intocáveis, dividindo desta forma a sociedade em dois grupos: os mais fracos, que pagam a crise, e os que não querem perder os privilégios. Como recentemente disse o comentador Marques Mendes, este Governo é forte com os fracos e fraco com os fortes e os portugueses entendem bem o que se está a passar. Se a equidade e justiça fosse uma prática corrente neste país, há muito que não se falava de dívida mas sim de recuperação. 

   As recentes eleições em que todos os partidos e independentes se assumem como vencedores, servem para esconder uma trágica realidade, que é a catástrofe social que espera o povo português, tradicional vítima da euforia política. 

   Os juros da já monstruosa dívida não param de subir. Algum dinheiro vai entrando porque a Alemanha não quer abrir uma nova crise no euro, e quando este estabilizar, Portugal terá que o abandonar. Os portugueses andam distraídos com sucessos de futebolistas e acontecimentos socialmente irrelevantes, esquecem o seu futuro e especialmente o dos seus filhos já seriamente comprometido. O endividamento nunca foi sinónimo de prosperidade para nenhum povo ou família. Um segundo resgate, que leva sempre a um seguinte, terá um preço colossal a pagar pelas gerações futuras, com consequências dramáticas imediatas. O pior que nos pode acontecer é não admitirmos a nossa ignorância, de que muitos estão a tirar partido, mas nunca será tarde, para nos vermos livre dela.

   J. Vitorino
Vermelha - Cadaval
08-10-2013
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