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Edição Nº 70 Director: Mário Lopes Domingo, 13 de Agosto de 2006
Presidente da Câmara das Caldas da Rainha
Fernando Costa: "O Aeroporto da Ota vai ter muito impacto nas Caldas"

Em entrevista ao Tinta Fresca, o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha aborda temas como a candidatura a Património Mundial, os museus, o futuro Centro Cultural, o Hospital Termal, o Aeroporto da Ota, a Linha do Oeste, o TGV, as polémicas posições face à Águas do Oeste e à EDP, a Lagoa de Óbidos, o acordo de cavalheiros com o Arqº Jorge Mangorrinha e os inimigos políticos que coleccionou ao longo dos anos. Frontal como sempre, Fernando Costa responde em discurso directo a todas as questões colocadas.

TINTA FRESCA - A nova vereação da Câmara que inclui um novo vereador do Património, abandonou o projecto de candidatura das Caldas da Rainha a Património Mundial lançado há cerca de quatro anos. Porquê?
FERNANDO COSTA- Não se trata bem de abandonar, está a ser ponderada. Estamos a avaliar as consequências, as vantagens e desvantagens, tendo em conta as dificuldades que a UNESCO está a colocar.

TINTA FRESCA - No entanto, tendo as Caldas o mais antigo hospital termal do mundo, não ficaria mal à autarquia manter o assunto em agenda.
FERNANDO COSTA- Claro.

TINTA FRESCA - Mas o novo vereador do Património já tornou pública a sua oposição à candidatura por não a considerar viável...
FERNANDO COSTA- Volto a dizer que está a ser ponderada a situação porque, como sabe, a grande maioria das candidaturas a Património Mundial estão a ser rejeitadas. Agora há um critério muito mais apertado e há um limite máximo de candidaturas por ano e por País e, por isso, penso que a grande maioria das candidaturas estão prejudicadas. Houve uma febre de candidaturas e agora a UNESCO está numa fase de retracção de candidaturas. Por isso, nós vamos ponderar o assunto.

TINTA FRESCA - Das cidades desta dimensão, Caldas talvez seja a que tem maior número de museus, cerca de oito, o que evidencia um grande investimento por parte da Câmara. Qual é a estratégia da Câmara para rentabilizar todo este investimento, nomeadamente, em termos turísticos, sabendo também que Caldas não consta nalguns dos mais importantes guias turísticos?
FERNANDO COSTA- Claro que a caldas consta dos roteiros turísticos. Quando alguma imprensa diz que não consta, nem toda a imprensa é verdadeira e nem toda está bem informada. Então o Museu Malhoa não consta dos roteiros turísticos, quando é o melhor museu de pintura do século XIX? Toda a gente sabe que Caldas é a cidade onde há mais museus de escultura, vem gente de todo o mundo visitar os nossos museus. E é mais importante existirem museus do que constarem de roteiros deficientes.

TINTA FRESCA - Também é verdade que a tarefa de divulgação e promoção não cabe só à Câmara porque nem todos os museus são municipais.
FERNANDO COSTA- O Museu Malhoa e o Museu de Cerâmica são do Estado, os outros são municipais, mas há uma estratégia comum de divulgação, estamos a estudar maneiras de convergir para uma melhor divulgação. De qualquer forma, como sabe, vai muito mais gente à praia de que aos museus.

TINTA FRESCA - De qualquer forma, existem cidades como Barcelona que têm milhões de turistas e a base desse turismo assenta nos seus museus.
FERNANDO COSTA- Mas os turistas não vão a Barcelona só pelos museus, há a Igreja da Sagrada Família, a dimensão da cidade e muitas outras razões. Por outro lado, as Caldas é uma cidade com menos de 500 anos e Barcelona tem vários milhares de anos. Por isso, as cidades muito antigas como Barcelona, Veneza ou Roma têm mais turistas. Estamos a falar de museus de dimensão nacional. Agora, se os roteiros desconhecem o Museu Malhoa, o defeito não é nosso, é de quem faz esses roteiros.

TINTA FRESCA - Está em construção o Centro Cultural das Caldas da Rainha. Contudo, este tipo de infra-estrutura é considerado por alguns economistas como uma fonte de prejuízo para todas as Câmaras. O que pretende fazer para minorar este impacto nas contas municipais?
FERNANDO COSTA- Nós não podemos estar à espera que um museu dê lucro, como não podemos esperar que uma sala de espectáculos dê lucro. O Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha, o Castelo de Leiria ou a Torre de Belém não dão lucro, nessa perspectiva não deveriam ter sido feitos. É a resposta que dou àqueles que dizem que o Centro Cultural não vai dar lucro. As estradas não dão lucro, exceptuando as que têm portagem. As infra-estruturas culturais devem ser feitas independentemente de darem lucro ou não. A visão de que a Cultura tem de dar lucro é uma visão demasiado economicista e reaccionária.

TINTA FRESCA - Mas isso não significa que não haja infra-estruturas culturais melhor geridas que outras. Até se cita o caso do Museu de Serralves como um modelo de boa gestão. Teve dois milhões de visitantes nos últimos anos enquanto outros estão quase às moscas.
FERNANDO COSTA- Sim, mas o Centro Cultural ainda não está feito. Não me preocupo se dará lucro, mas se dará resposta a uma necessidade da cidade e da população.

TINTA FRESCA - Os caldenses e quem trabalha e visita as Caldas queixam-se da falta de estacionamento e do trânsito intenso na cidade. Quais são as soluções que propõe para resolver estes problemas?
FERNANDO COSTA- Eu estaria mais preocupado é se não houvesse falta de estacionamento e não houvesse trânsito nas Caldas. Eu sei que há cidades e vilas que não têm estes problemas porque não têm vida económica. Caldas tem problemas de estacionamento e ruas com muito trânsito, como Lisboa ou Nova Iorque. Caldas não se compara com essas cidades, mas é uma cidade com muito movimento.

Todas as cidades têm este problema porque o trânsito aumentou muito mais que a resposta ao estacionamento e às vias de comunicação. Quem projectou as cidades há 50, 100 ou 200 anos não imaginava o número de automóveis que iria existir no início do século XXI. É o problema de todas as cidades com vida económica e com desenvolvimento e as Caldas não fogem à regra.

TINTA FRESCA - Mas já tem já vários parques projectados. Quais?
FERNANDO COSTA- Já foi construído um parque na Praça 5 de Outubro, com 280 lugares, começou-se outro junto ao Centro Cultural com 350 lugares e vamos fazer outros. Mas primeiro vêm as necessidades e depois é que se respondem a elas porque não há assim tanto dinheiro para inverter a situação.

TINTA FRESCA - Que impacto espera que o novo aeroporto da Ota tenha nas Caldas?
FERNANDO COSTA- Muito impacto, sou a favor do novo aeroporto e ainda não percebi como é que há gente contra a sua construção. Estou certo que será um factor de emprego e de desenvolvimento para toda a região Oeste.

TINTA FRESCA - No entanto, não espera que o aeroporto tenha impacto urbanístico nas Caldas, dado que ainda se encontra a uma distância considerável...
FERNANDO COSTA- Vai ter impacto nas Caldas, em termos de sede de empresas que dão serviços de apoio, de emprego, de habitação para empregados do aeroporto, admito até que em termos de movimento hoteleiro, portanto, o aeroporto é sempre bem-vindo. Mas não estou só preocupado com as Caldas, porque a economia das Caldas não é estanque e fechada nas fronteiras do concelho, é uma economia regional. O que é bom para a região é bom para as Caldas e vice-versa.

TINTA FRESCA - Concorda com a eventual electrificação e modernização da Linha do Oeste?
FERNANDO COSTA- Acho bem, defendo a electrificação e melhoria há muitos anos.

TINTA FRESCA - Mas também há quem defenda que essa modernização só será economicamente rentável no troço Caldas - Lisboa. Defende a modernização só deste troço?
FERNANDO COSTA- Defendo a modernização do troço de Caldas para Lisboa e de Caldas para Leiria.

TINTA FRESCA - O TGV nunca irá passar nas Caldas...
FERNANDO COSTA- E ainda bem, traria mais prejuízos que vantagens.

TINTA FRESCA - Em termos urbanísticos?
FERNANDO COSTA- Sim. O TGV vai passar perto, ficamos com estações a 40 quilómetros, como na Ota, é uma distância razoável. Se o TGV passasse na cidade, seria um grande prejuízo.

TINTA FRESCA - Como é o relacionamento com a direcção do Hospital Termal?
FERNANDO COSTA- É boa.

TINTA FRESCA - De qualquer forma, não se vê grande consequências disso...
FERNANDO COSTA- O relacionamento é bom, mas o problema não é da direcção do hospital, é do ministro da Saúde. A relação com o ministro também é boa, mas eu não posso dar tiros ao ministro, temos é um Ministério da Saúde há muitos anos incompetente e incapaz de resolver o assunto.

TINTA FRESCA - Fala-se em construir novas infra-estruturas de apoio, uma nova unidade termal e uma unidade hoteleira de qualidade. Concorda?
FERNANDO COSTA- Estamos de acordo com isso, mas as termas são do Estado. Estamos de acordo com uma nova unidade termal, uma nova unidade hoteleira e o desenvolvimento das termas, temos é pena que não tenha sido feito já.

TINTA FRESCA - Terá de ser então o Ministério da Saúde a dar o primeiro passo?
FERNANDO COSTA- Claro. Ou então, se não são capazes de resolver o problema, que o entreguem à Câmara.

TINTA FRESCA - Em relação à EDP, o Partido Socialista das Caldas acusou a Câmara de não ter contrato com a EDP há muitos anos e, com isso, ter perdido milhões de contos.
FERNANDO COSTA- O que o PS diz não se escreve. Não dou importância a isso porque é falso.

TINTA FRESCA - Então as Caldas não é das poucas Câmaras do País sem contrato com a EDP?
FERNANDO COSTA- É das poucas que não tem, mas tem razões para isso. Mas o que o PS diz não é verdade.

TINTA FRESCA - Resistiu muitos anos a assinar um acordo com as Águas do Oeste e, curiosamente, essa posição foi muito saudada pelo vereador da CDU de Alcobaça. Mas já chegou a acordo com as Águas do Oeste?
FERNANDO COSTA- O contrato ainda não está assinado, mas as linhas gerais já estão acordadas. E os que achavam que eu não tinha razão já me dão razão. Hoje todas os autarcas da região dizem que eu é que tinha razão. A população vai pagar muito caro este processo das Águas do Oeste. Havia outras soluções melhores, mas agora vamos ter de a aceitar. Não há outra solução.

TINTA FRESCA - Também tem razões de queixa do Governo quanto à Lagoa de Óbidos?
FERNANDO COSTA- Acho que o Governo devia estar mais atento aos graves problemas de assoreamento. Consta-me que vai haver dragagens dentro de pouco tempo, mas só vendo para acreditar.

TINTA FRESCA - Mudou de vereador de Património, mas creio ter havido um acordo com o ex-vereador Jorge Mangorrinha para colaborar com o actual Executivo.
FERNANDO COSTA- Eu gostava que ele colaborasse, mas entretanto teve outras opções de vida, que eu respeito e entendeu não ter tempo para dar essa colaboração. Tenho muita pena.

TINTA FRESCA - Mas o Arqº Jorge Mangorrinha disse ter esperado seis meses e, uma vez que não foi contactado, se desvinculava desse acordo.
FERNANDO COSTA- Não esperou seis meses, nem quatro, as opções que tomou foram antes dos seis meses. Eu respeito, tenho pena que não tenha vindo trabalhar, mas tem outros objectivos importantes. Tenho muita consideração por ele, mas se não pode, não podemos obrigar as pessoas a colaborar connosco.

TINTA FRESCA - Relativamente à Associação de Municípios do Oeste (AMO), muita gente acha que falta liderança á associação e que não é um problema de hoje, mas de há muitos anos. Estou-me a lembrar, por exemplo, do presidente da Região de Turismo do Oeste.
FERNANDO COSTA- Não, a AMO tem liderança, não partilho dessa opinião.

TINTA FRESCA - Terminando com uma nota pessoal, é considerado um homem muito frontal, mas também pouco diplomático.
FERNANDO COSTA- Não sou cínico nem gosto de fingir. Posso ser politicamente incorrecto, mas não sou cínico nem mentiroso. Há por aí muitos diplomatas cuja diplomacia é igual a cinismo e mentira. Nesse aspecto, não sou diplomata.

TINTA FRESCA - No entanto, ao longo dos anos foi coleccionando alguns inimigos de estimação. Não admite alterar a sua postura?
FERNANDO COSTA- Só tem inimigos quem trabalha, é frontal, faz obra e não se deixa vergar às pressões.


           Mário Lopes

13-08-2006
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