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Edição Nº 84 Director: Mário Lopes Quarta, 3 de Outubro de 2007
Caldas da Rainha
Teatro da Rainha exibe "A Estação Inexistente" na Antiga Lavandaria do Hospital Termal

   


"A Estação Inexistente"
(Foto Margarida Araújo)

A “Estação Inexistente”, um texto constituído por duas peças de dois autores, Luigi Pirandello e Rocco D'Onghia, continua em cartaz na Antiga Lavandaria do Hospital Termal, nas Caldas da Rainha, até 14 de Outubro. A produção do Teatro da Rainha, em colaboração com o Centro Cultural da Malaposta, tem encenação de Fernando Mora Ramos e reúne no palco Isabel Lopes, Carlos Borges e Victor Santos. 

    Dois autores, duas épocas, dois dramas ligados por pontes musicais e pelo mesmo espaço físico: uma estação de comboio, à noite. O espaço, seja ele uma “terra de ninguém que a noite transporta” como no primeiro cenário ou um lugar marginal e obscuro na grande metrópole, favorece os solilóquios. Entre trabalhadores e pessoas de passagem se tecem laços e dramas.

    “Nestes dois nocturnos, a Estação, para todos Inexistente, acaba por ser um espaço de confissão, um lugar de intimidade para as personagens que ali estão naquelas estranhas horas”, conclui o Teatro da Rainha.

O ESPECTÁCULO POR QUEM O VIU
Um texto de João Bonifácio Serra

    Um dos aspectos mais interessantes desta produção reside, a meu ver, na articulação das duas peças, um desafio exigente que só podia ter sido aceite por quem entende o teatro como trabalho sobre e partir de um texto. "O Homem da flor na boca" é uma peça de Pirandello dos anos 20 do século passado. A peça de D'Onghia, um autor nascido em 1956, foi apresentada pela primeira vez em 2000, na Maratona de Milão, com o título "Um contínuo movimento, um estranho equilíbrio".

    A primeira é uma provocativa reflexão sobre o real que nos espreita por detrás dos pormenores banais do dia a dia, efectuada por um homem ameaçado pela morte. A segunda é uma incursão do sonho do amor jovem transportado por um velho senhor até à estação perdida da grande metrópole habitadas por duas figuras desamparadas.

    O contexto de ambas remete para uma estação ferroviária e daí a continuidade do cenário: o quase monólogo de Pirandello envolve alguém que, tendo perdido o comboio, se depara num bar com um frequentador loquaz; e a acção de "Um contínuo movimento..." decorre num depósito de comboios onde dois operários procedem à respectiva limpeza (Dafne - Isabel Lopes - e Roman - Carlos Borges).

    Imaginação e memória alimentam os discursos das personagens, o homem da flor (aliás, do tumor) e o velho senhor (o mesmo actor, Victor Santos). Imaginação que ora disseca a experiência vivida (o homem da flor), ora funciona como um farol no deserto urbano (o velho senhor). Memória que ora se ergue contra as aparências e as ilusões, ora se despoja até se confinar ao único sentido: o da beleza.

    Uma companhia madura, uma encenação inteligente. Uma produção competente. Um texto, como vimos, surpreendente e cativante. E um espaço antigo, o sótão das lavandarias do hospital, ganho para a cidade e para a cultura.

    Obrigado Teatro da Rainha, obrigado Fernando Mora Ramos.

in: www.cidadeimaginaria.org
27 de Setembro 2007

João Bonifácio Serra
- Prof. Adjunto em regime de tempo integral e dedicação exclusiva na Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha (Instituto Politécnico de Leiria)
- Membro do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (investigador externo)
- Chefe da Casa Civil do Presidente da República (Setembro de 2004 a Março de 2006)

A ESTAÇÃO INEXISTENTE
de Rocco D'Onghia e Luigi Pirandello
Espectáculo Co-Produzido com o Teatro da Malaposta

Datas:
3, 4, 5, 6, 10, 11, 12, 13 de Outubro - 21h30
14 de Outubro - 17h
Antiga Lavandaria do Hospital Termal das Caldas da Rainha, Junto à Igreja Nª Srª do Pópulo

Duração 1h00 s/ intervalo
Classificação Etária: 12 anos
Lotação reduzida a 50 lugares por sessão
Reservas: 262823302 | Telm: 966186871
Mais informações.
http://www.teatro-da-rainha.com

03-10-2007
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