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Edição Nº 77 Director: Mário Lopes Segunda, 5 de Março de 2007
Opinião
Museus de Futuro: Uma Visão sobre os Transgénicos
     


Valdemar Rodrigues

O problema dos organismos geneticamente modificados (OGM), ou vulgarmente transgénicos, reside em última instância na criação de uma dependência perigosa em relação ao sector das indústrias biotecnológicas. Se tal dependência é quase inevitável e até por vezes desejável em países ou regiões do globo ameaçadas pela fome e deficitárias do ponto e vista alimentar, seja pela natureza dos solos, pelo clima ou pela abundância de população, em países e regiões onde tais factores não limitam grandemente, em termos médios, as produções agrícolas, é seguramente um erro político a introdução e generalização de OGM na agricultura.

      Em regra mais produtivas e resistentes, as espécies geneticamente modificadas são um atractivo inicial para os agricultores que, no curto prazo, poderão garantir maiores colheitas a preços (inicialmente) interessantes. Mas a questão deve ser analisada no médio/longo prazo.

      Tais espécies frequentemente exigem mais dos solos em termos nutritivos, requerem mais água e dão origem a descendentes estéreis, o que significa que os agricultores terão de adquirir todos os anos novas sementes, a preços então dependentes dos mesmos factores que hoje fazem variar os preços do petróleo, o valor das cotações dos papéis nos mercados bolsistas ou as taxas de juro. Ou seja de “factores globais” localmente fora do controlo das pessoas e onde a ciência intervém com cada vez maior “objectividade económica e política” (veja-se o caso das vacas loucas, dos nitrofuranos das rações ou o mais recente e não resolvido caso da gripe das aves, isto para não falar do caso já histórico da abolição do DDT).

      Aos efeitos nefastos sobre os solos e as águias superficiais e subterrâneas e sobre a biodiversidade (com a extinção a médio/longo prazo das espécies e variedades nativas adaptadas às condições edafoclimáticas existentes), há assim a juntar o não menos nefasto efeito da dependência económica, pois os genes são em regra propriedade privada e protegida das empresas biotecnológicas.

      A aposta política neste estado de coisas, marcado por uma cada vez maior pressão dos governos por parte das multinacionais biotecnológicas e da indústria da engenharia genética, devia ir no sentido da criação de repositórios ou bancos públicos de genes, salvaguardando as espécies indígenas ainda existentes e contribuindo deste modo para a tão proclamada conservação da diversidade genética.

      Esforço público necessário e importante, realizado em colaboração com as universidades e outros parceiros tecnológicos empenhados, por exemplo, no aperfeiçoamento de tecnologias para a conservação de sementes, e a par da sempre essencial informação e formação dos agricultores sobre os riscos que correm ao generalizarem o uso de OGM nas suas culturas. Uma espécie de museus de futuro, nestes tempos velozes e incertos de acelerada globalização. E nunca será demais evocarmos a este propósito o antigo ditado popular segundo o qual “é pela boca que morre o peixe”.

      Valdemar Rodrigues
        Prof. Universitário

 

05-03-2007
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