
Jorge Sobral
Ao falar em perspectivas para o ano de 2009, imediatamente nos vem à memória a palavra "crise". Reconheço o esforço que é feito pelos principais políticos em não permitir que este facto assuma uma dimensão tal que nos tolha os movimentos. Que entramos todos numa apatia tal que nos leve a uma letargia doentia. Precisamos reagir e acreditar que depois da tempestade há-de chegar a bonança.
Preferia, no entanto que percebêssemos o que de facto aconteceu. Que catástrofe é esta e quem a provocou. O que vai acontecer aos responsáveis financeiros, que levaram o país e o mundo a esta situação dramática para muitos. Para quando medidas que travem e afastem estes senhores dos lugares de chefia na alta finança, julgando-os nos Tribunais, punindo-os pela sua avareza, egoísmo e desonestidade.
Prevejo que o ano que penosamente estamos a passar não seja o virar da página. Muita água vai correr por baixo das pontes até podermos respirar com um pouco menos peso no peito. Há muito que o mundo procura saídas que não sejam a repetição de modelos já gastos. O modelo de economia planificada, o modelo do leste europeu, caiu com a queda do muro de Berlim. O capitalismo e os seus seguidores pensaram que este tinha vindo para ficar e que não haveria outra alternativa que não o sistema capitalista. Daí até ao exagerado mundo da fantasia financeira, ao todo-poderoso poder do mercado, uno e sem controle, foi um passo. Foi fartar vilanagem.
Cometeram-se as maiores atrocidades, os milionários cresceram como ervas daninhas a um ritmo avassalador.
Colocaram em estado de choque o mundo, que acabou sofrendo os males destes desmandos.
Quem paga hoje estes malefícios? O que aconteceu a quem lucrou milhões, levando à bancarrota empresas, famílias e países? Os criminosos têm rosto. Não puni-los é uma ofensa à inteligência de todos nós.
Este tempo que corre é para os portugueses também um ano de eleições. Um ano de promessas, de cantos de sereia, algumas travestidas. O momento é sério. Reconheço muitos erros nesta governação de José Socrates.
Mas também é verdade que muitas das medidas que foram tomadas merecem o apoio dos portugueses.
Assumindo o meu papel de militante socialista, não deixo de dizer que me irei bater pela revogação do Código do Trabalho, assim como pela revogação das taxas moderadoras aplicadas no internamento e nas cirurgias.
Combaterei o clientelismo, que dificulta a liberdade de acção de quem quer estar na política de cara lavada.
Bater-me-ei pela alteração da Legislação que não permite que grupos de cidadãos possam concorrer à Assembleia da Republica. Exigirei, do Governo de José Socrates, maior capacidade para ouvir os parceiros, sejam associações empresarias sejam as organizações dos trabalhadores, Serei intransigente quanto à necessidade de corrigir a forma de regulação bancária. A punição dos responsáveis não pode ser letra morta. Os Portugueses não perceberão esta permissividade.
Se formos combativos, podemos ajudar a que o futuro governo, que acredito seja liderado pelo actual 1º Ministro, corrija os erros, e mude de linha, entrando na estação dos princípios que sempre nortearam o PS um partido de esquerda, solidário e moderno.
Jorge Sobral
Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista das Caldas da Rainha
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