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Edição Nº 123 Director: Mário Lopes Terça, 25 de Janeiro de 2011
Editorial
Notas da campanha
   


Mário Lopes

As campanhas eleitorais com um presidente em funções recandidato costumam servir para cumprir calendário, tal é a vantagem de que o Presidente da República em funções dispõe. Afinal, cinco anos de visibilidade de prime time no telejornal e manchetes na imprensa garantem um nível de notoriedade tal que deixa habitualmente a milhas todos os outros candidatos.

   Por outro lado, dez anos depois do 25 de Abril, alguém escrevia, com graça, que as pessoas ainda confundiam o José Afonso com o Zeca Cid. De igual modo, também Herman José, após duas décadas de exposição pública, ainda era chamado na rua de Herlander ou Armando José. Também o Professor Medina Carreira, com a sua habitual lucidez, justificou, há cinco anos, a sua não candidatura à Presidência da República com o argumento de que “ninguém me conhece”. Na verdade, apesar de ser uma presença assídua na comunicação social, uma exposição mediana não chega para ganhar notoriedade junto das franjas mais humildes e menos esclarecidas da população. 

   Não é de espantar assim que Fernando Nobre passeasse pelos mercados, sem que muita gente, quiçá a maioria, o reconhecesse. Aparecer na televisão de três em três meses como presidente da AMI, dará, quanto muito, 30% de notoriedade. Isto mesmo com uma exposição pública de 20 anos. Em pior situação estiveram Francisco Lopes, José Manuel Coelho ou Defensor de Moura, reduzidos à condição de ilustres desconhecidos da maioria do povo português. E como ninguém vota em quem não conhece, estes candidatos estavam à partida condenados a uma votação residual, por mais mérito que tivesse o seu discurso.

Na verdade, a mediatização, em Portugal, tem dois mundos diferentes. O primeiro é o das pessoas que procuram activamente informação, vêem canais de notícias, consultam blogues e edições digitais dos jornais e não perdem um Telejornal. Esta fatia de pessoas bem informadas dificilmente ultrapassa os 20% dos eleitores.

   O segundo, largamente maioritário, não vê notícias ou só ocasionalmente vê e prefere novelas ou futebol e, quanto muito, dá umas espreitadelas no Telejornal enquanto faz o jantar e cuida dos miúdos. Isto, se não tiver mais nada que fazer. Para esta maioria silenciosa, Francisco Lopes, José Manuel Coelho ou Defensor de Moura não existem. Nunca ouviram falar, não sabem, nem querem saber. A sopa está na mesa. 

   De Fernando Nobre, alguns sabem vagamente que é alguém que anda lá fora a fazer missões humanitárias. A maioria, contudo, está a leste de Beirute ou do Haiti, não faz ideia de quem seja. E se algum dia o viu, por acaso, na televisão, entre duas garfadas de arroz, já não se lembra. Fernando Nobre foi, nesta campanha, um ilustre desconhecido da maioria dos portugueses e continua a ser. A grande notoriedade só se consegue com uma exposição mediática diária durante anos. 

   Depois de anos e anos de exposição mediática, estou em crer que 80% da população só conhece meia dúzia de figuras públicas. José Sócrates, Mourinho, Ronaldo, Figo, o Herman e o gordo, que aparece lá em casa antes dos telejornais e das novelas e que dá automóveis. Depois aparece uma segunda linha: o Goucha, a Júlia Pinheiro, a Fátima Lopes, o Malato e pouco mais. Dos pivôs do telejornais que entram todos os dias em casa, só conhecem a cara. O nome, nem pensar. 

   Estou em crer também que um quinto dos portugueses não sabe sequer quem é Manuel Alegre. A maioria saberá que foi deputado e já ouviu falar que é poeta, mais nada. Acredito que, no máximo, um terço da população conhecerá a carreira política do candidato. Muito pouco, quando se defronta outro candidato com o triplo da notoriedade.

   Cavaco Silva, com efeito, está num patamar diferente. Depois de 10 anos como primeiro-ministro e 5 como Presidente da República, a sua quota de notoriedade não deve andar longe dos 99%. Depois de 15 anos a aparecer diariamente no horário nobre das televisões e de milhões de fotografias e artigos publicadas nos jornais, depois de milhares de decisões políticas a afectarem a vida dos cidadãos, nem mesmo o cidadão mais desligado e distraído não tropeçou alguma vez no seu nome. Ame-se ou odeie-se, toda a gente, no mais recôndito lar de idosos de Mirandela ou à mesa do Tavares Rico sabe quem é “o Cavaco”. O seu potencial eleitorado é assim, enorme. E é como tudo na vida, não se ama quem não se conhece e, naturalmente, também não se vota em quem não se conhece. Sem notoriedade, qualquer outro candidato, por melhor que seja, está à partida derrotado.

   Por outro lado, tal como acontece com um monarca constitucional, o cargo de Presidente da República quase não provoca desgaste político. A avaliação dos portugueses ao trabalho dos Presidentes da República é feita, sobretudo, às suas visitas protocolares pelo País e pelo estrangeiro. E o que vêem os portugueses? Vêem o Presidente a distribuir beijinhos e abraços, a cumprimentar reis e chefes de Estado, a sorrir para a fotografia. Não admira que a quota de popularidade de um Presidente da República em funções esteja próxima dos monarcas constitucionais europeus. 

   A verdade é que o Presidente da República - o actual, os anteriores e, por certo, os futuros - por inerência das suas funções de representação do País, passam cinco anos a ganhar visibilidade e a granjear simpatias que, de alguma forma, se equipara a cinco anos de campanha eleitoral. Durante o seu mandato, visita uma ou duas centenas de concelhos e, naturalmente, toda a gente gosta que o Presidente da República visite a sua terra e toda a gente lhe fica agradecido. Mais: a empatia com as pessoas é especialmente eficaz nestas ocasiões, uma vez as visitas decorrem em momentos de festa e de inaugurações de obras importantes, gratificantes para toda a gente. 

   Pelo contrário, quem quer cativar eleitores em época de campanha ou pré-campanha eleitoral tem a tarefa especialmente dificultada uma vez que as pessoas os olham com desconfiança por se estar num contexto de caça ao voto. Manuel Alegre, Fernando Nobre, José Manuel Coelho e Defensor de Moura tiveram de correr atrás do prejuízo, dada a vantagem que o actual Presidente já levava no início da campanha eleitoral. 

   À apreciação do trabalho legislativo, a grande maioria dos diplomas que chegam à Presidência são, naturalmente, publicados, deixando assim o Presidente longe de polémicas. Relativamente aos diplomas mais polémicos, o Presidente pode sempre promulgá-los e atirar os eventuais ónus políticos para cima o Governo. Nalguns casos, como sucedeu com o diploma sobre o casamento homossexual, Cavaco Silva habilmente, em vésperas da campanha eleitoral, nem sequer se deu ao trabalho de o vetar, para indignação de alguns dos seus apoiantes, com o argumento de que seria uma perda de tempo, uma vez que a maioria no Parlamento voltaria a aprová-lo e seria então obrigado pela Constituição a promulgá-lo. 

   Portanto, o Presidente está sempre a salvo de polémicas. Mesmo promulgando o impopular diploma do Governo que retira, em média, 5% do salário aos funcionários públicos, veio, em campanha eleitoral, atirar a culpa para cima do Governo. A culpa dos problemas é sempre dos outros e pode sempre recorrer a discursos anteriores, vagos e difusos, para dizer que tinha avisado antes. Uma no cravo, outra na ferradura, conforme as conveniências, mantendo assim intocável a sua popularidade. Neste contexto, é praticamente impossível um Presidente da República perder a reeleição. 

   Acresce que, como já referi anteriormente, a grande maioria das pessoas tem uma atitude passiva face à informação e, por isso, passa completamente ao lado das polémicas e das denúncias de eventuais escândalos. Na verdade, com alguma razão porque no meio de tanta informação e contra-informação e, diga-se em abono da verdade, de mau jornalismo, é difícil ter ideias claras de casos como Freeport, Face Oculta, BPN e muitos outros. Não admira, por isso, que os políticos saiam completamente incólumes após a divulgação desses alegados escândalos: o pouco interesse da maioria das pessoas em perder tempo a ler notícias, sobretudo, com informação extensa e complexa, aliado ao sincretismo da informação e à ineficácia do sistema judicial inibe qualquer eventual sanção política dos eleitores.

   Por mais citações que circulem na blogosfera, por mais notícias que se publiquem nos jornais, rádios e televisões, quase tudo passa ao lado da maioria dos eleitores, com baixa literacia e um fraco sentido cívico. O escrutínio político fica entregue a um número muito restrito de pessoas que, geralmente, comunicam em circuito fechado. Ler informação extensa e complexa dá trabalho, exige tempo e capacidade de análise, competências que a maioria dos portugueses não tem e, por isso, em Portugal, quase não há efectivas sanções eleitorais para os maus políticos. 

   Mais, a experiência política em Portugal demonstra o contrário: quem exerce o escrutínio político é que é penalizado nas urnas! O respeitinho salazarista ainda pesa no imaginário nacional e quem pede responsabilidades aos políticos, sobretudo, ao mais alto nível, passa por desrespeitador e caluniador. Para os portugueses, as mais altas individualidades do País parecem estar isentas do escrutínio da República, o que em nada dignifica a democracia. Goste ou não goste, quem está na vida política tem de prestar contas da sua conduta social, profissional e política. Ninguém é obrigado a desempenhar cargos públicos e, se não quer prestar contas, fica em casa. Na minha opinião, como a generalidade dos observadores também salientou, Cavaco Silva não esteve bem ao reagir com melindre e irritação às perguntas dos jornalistas sobre o caso BPN. Ninguém põe, à partida, em causa a honestidade social dos candidatos, mas a honestidade dos candidatos não os isentam da prestação de contas públicas sempre que solicitadas. 

   Naturalmente, ninguém gosta de ser questionado sobre factos que, em última análise, podem colocar em causa a sua honorabilidade, mas também ninguém obriga o candidato a expor-se e responder verbalmente. Seguramente, uma nota de imprensa ou uma declaração do director de campanha, se fosse clara e completa, resolveria a questão e mataria eventuais dúvidas. Pelo contrário, o candidato foi fugindo às respostas atempadas , respondendo depois aos bochechos e acabou alimentando uma bola de neve informativa que a ninguém serviu. Nem ao candidato, nem à campanha eleitoral nem à democracia. 

   A campanha

   Cavaco Silva

Exceptuando o esclarecimento atempado sobre o seu património, Cavaco Silva fez uma boa campanha, ou não fosse ele um político hábil e experimentado. Se por um lado perdeu votos por não ter esclarecido as questões patrimoniais, por outro ganhou eleitores, pois, como se sabe, a vitimização em Portugal compensa politicamente. 

   Por outro lado, puxando dos seus galões de Professor de Economia, conseguiu passar quase incólume pela crise económica e deixar que a responsabilização recaísse sobre o Governo, deixando passar a ideia de que só houve crise em Portugal porque não seguiram os seus conselhos e que o País estaria ainda pior se não fosse a sua acção. Contudo, o abalo na carteira da maioria dos portugueses fez com que uma fatia menor do eleitorado o responsabilizasse também pela crise económica, o que explica a perda de mais de meio milhão de votos nesta eleição face a 2006.

   Por fim, realçou muito bem a sua experiência política, currículo que nenhum dos outros candidatos possuía. 

   Manuel Alegre

   O apoio apressado e desastrado do Bloco de Esquerda, antecipando o apoio ao candidato antes do seu próprio partido foi um erro fatal. A associação da candidatura, desde o início, ao BE levou ao afastamento de uma grande fatia do eleitorado do centro do espectro político. Não se compreende como é que Francisco Louçã, um político inteligente e com uma larga experiência política, pôde cometer um erro tão primário neste processo. O BE tinha aqui duas alternativas: ou apresentava um candidato próprio, como fez o PCP, ou esperava pelo apoio do PS a Manuel Alegre para se pronunciar. 

   Por outro lado, Manuel Alegre foi vítima das suas próprias contradições. Como sublinhei já há 5 anos, o poeta conseguia estar as favor do Governo às segundas, quartas e sextas e contra às terças, quintas e sábados. Não se pode estar ao mesmo tempo solidário com o PS e as suas políticas e com o BE, com políticas não só diferentes, como, na maior parte dos casos, opostas. Agora, como em toda a sua carreira política do pós-25 de Abril, faltou competência política a Manuel Alegre, que nunca passou de um discreto deputado. 

   Freitas do Amaral referiu-se a Manuel Alegre como alguém que” vive na Lua.” E com alguma razão. O poeta destacou-se pela defesa do Estado Social como se estivéssemos ainda nos anos 70, sabendo que o País tem défices crónicos que põem em causa a própria independência nacional, sem se preocupar em explicar como o financiava. Ora, um Presidente da República tem de ter os pés assentes na Terra e não pode exigir ao Estado compromissos que sabe não poder pagar. Naturalmente, é óptimo ter muitos direitos, a questão é saber se temos capacidade para os pagar. E a verdade, nua e crua, é que não temos, nem agora, nem nos tempos mais próximos, graças às políticas despesistas e irresponsáveis dos Governos apoiados pelo próprio Manuel Alegre. O poeta atingiu, nesta eleição, o seu Princípio de Peter. 

   Manuel Alegre é uma pessoa estimável, um homem generoso e de cultura humanista, mas, na minha opinião, não tem perfil para Presidente da República, sobretudo, em época de crise económica. Agora, mais do que nunca, um Presidente da República tem de dominar as questões orçamentais e saber quais são os caminhos do desenvolvimento económico. Em vez de apoiar Manuel Alegre, melhor faria o PS em propor para candidato a Presidente da República um economista experiente, inteligente e lúcido como Augusto Mateus. Não é Presidente quem quer, mas quem ter o perfil adequado para o cargo nas actuais circunstâncias.

   Fernando Nobre

   Começo por fazer uma declaração de interesses, admitindo que apoiei e votei em Fernando Nobre. Contudo, importa reconhecer que nem tudo correu bem na candidatura do médico e presidente da AMI.

   Em primeiro lugar, em pleno século XXI, como em muitos outros domínios da sociedade, cada vez mais a política está profissionalizada. A política é uma ciência e, para ser bem feita, tem de ser feita por quem a domina. A meu ver, o principal erro de Fernando Nobre, não sendo um político profissional nem tendo experiência política, foi não se ter rodeado de pessoas com experiência política. O discurso do anúncio de candidatura, que devia ter sido muito pensado e ponderado, resultou num improviso pobre que em nada beneficiou a sua candidatura.

Da mesma forma, um político não se pode dar ao luxo de exprimir estados de alma de ocasião que podem dar cabo de uma eleição. Barack Obama ou Lula da Silva conseguem discursar de improviso sem meterem o pé na argola, mas estamos a falar de políticos excepcionais, por um lado, e esses improvisos assentam num grande trabalho prévio de reflexão e ideias amadurecidas. A regra não deve ser essa e quem não tem estes dons ímpares e/ou não tem experiência política deve preparar muito bem todas as suas intervenções e aconselhar-se previamente com quem sabe. 

   Fernando Nobre, que tem inegáveis qualidades pessoais e humanas e, na minha opinião, daria um bom Presidente da República, pecou por não se ter aconselhado devidamente por quem domina a comunicação política. A candidatura e os seus apoiantes mereciam um discurso mais preparado e articulado, o que, verdade seja dita, nem sempre aconteceu.

   De qualquer modo, Fernando Nobre tem a meu ver um conjunto de qualidades e competências que o qualificam para o cargo de Presidente da República.

   Em primeiro lugar, o exemplo. Os verdadeiros líderes conseguem afirmar-se não pelo discurso, mas pelo exemplo. E Fernando Nobre é um exemplo ímpar para todos os portugueses. Sendo médico e professor de medicina, podia ter seguido confortavelmente a sua carreira, sem riscos e com maiores proveitos materiais. Pelo contrário, preferiu o desconforto dos cenários de catástrofe para ajudar o seu semelhante, em qualquer parte do mundo. Com uma coragem e determinação de ferro. Acredito que Fernando Nobre, pelo exemplo, conseguiria mudar muitas áreas da sociedade portuguesa que permanecem estagnadas há décadas. 

   Em segundo lugar, ao contrário do muitos comentadores afirmaram, Fernando Nobre tem um pensamento estruturado e ideias próprias, que já publicou em vários livros e que estão disponíveis nas bibliotecas e livrarias, para quem quiser ler. Fernando Nobre não é um populista, como alguns classificaram levianamente, pelo contrário, segue a linha de pensamento político contemporâneo de Barack Obama e Lula da Silva. 

   Além disso, Fernando Nobre é também um homem da economia, tendo criado uma rede de assistência social bem sucedida em todo o País. Não há qualquer dúvida de que Nobre sabe gerir orçamentos e garantir a sustentabilidade da grande instituição que dirige e, também neste campo, é um exemplo para o País. 

   Por outro lado, as grandes figuras nacionais são estrangeirados, ou seja, pessoas que viveram no estrangeiro e conhecem o mundo. De Damião de Góis a D. João I, de Eça de Queirós ao Marquês de Pombal, de Mário Soares a José Saramago, de Horta Osório a José Mourinho, é quem conhece o melhor que há no mundo que mais fez e melhor honrou Portugal. Ora, Fernando Nobre é dos portugueses mais viajados do mundo, quem mais dialogou com chefes de Estado e quem melhor entende os desafios do mundo de hoje.

   Por último, a extraordinária personalidade de Fernando Nobre, frontal, corajoso, empreendedor, avesso a cinismos e à mediocridade e que entende como ninguém a natureza humana. Dificilmente haverá alguém com um currículo tão valioso que o qualifique para a Presidência da República como Fernando Nobre.

   Contudo, o candidato foi o mais atacado pela generalidade dos comentadores, na sua esmagadora maioria comprometidos com partidos políticos e que não perdoam que alguém venha de fora para ocupar um lugar que julgam pertencer-lhes por direito. Como se irritaram quando Fernando Nobre puxou pelos galões e lhes falou na sua obra! Na sua opinião, trata-se de um candidato com uma arrogância insuportável. Como eu os compreendo! Deve ser terrível para o seu ego comparar a obra de quem nunca fez nada na vida com a de alguém que tem uma obra extraordinária. Só se atiram pedras às árvores que dão frutos! Por isso, é natural que tenham tentado ridicularizar por todos os meios o discurso de Fernando Nobre. E, como os resultados comprovaram, sem sucesso…

   Francisco Lopes

   O candidato do PCP e Verdes esteve ao nível das anteriores candidaturas comunistas e teve um bom resultado relativo, tendo em conta a concorrência de outras candidaturas de protesto e o facto de, até agora, Francisco Lopes ser um desconhecido para a maioria dos portugueses. Apesar de nem sempre se expressar com um Português perfeito, um problema que poderá corrigir no futuro, revelou determinação, conseguindo agregar os militantes à volta da sua candidatura, o que nas actuais circunstâncias não era uma tarefa fácil. 

   José Manuel Coelho

   Decididamente, o candidato do PND dá-se bem com as câmaras de televisão, mantendo a calma em todos os momentos. Fez uma campanha inteligente, recorrendo ao humor sarcástico e corrosivo, fazendo da sua fragilidade de meios e da sua humildade a sua principal arma para chegar às pessoas. Só um homem com uma grande coragem e uma grande determinação conseguiria afrontar sozinho duas poderosas figuras do regime: Cavaco Silva e Alberto João Jardim. Numa luta entre David e Golias, é difícil não nos reconhecermos em David.

   José Manuel Coelho tem também muitas razões de queixa dos comentadores que, incompreensivelmente, o compararam ao palhaço Tiririca. Como muito bem sublinhou Pacheco Pereira, ao contrário do palhaço eleito deputado no Brasil, Coelho não é ignorante nem iletrado e, com a sua campanha inteligente e eficaz, deu uma bofetada de luva branca aos comentadores do regime. Esses sim, quiçá, os Tiriricas da política portuguesa… As candidaturas de nicho fazem parte da democracia e é uma forma legítima de expressão dos eleitores.

   Defensor de Moura

   Pecou por concentrar quase exclusivamente a sua campanha nos ataques a Cavaco Silva. Não apresentou ideias próprias e esperava-se mais de um candidato à Presidência da República. Contudo, o candidato do PSD e CDS também não esteve bem quando tentou humilhar o ex-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo no debate televisivo. Defensor de Moura teve tanta legitimidade para se candidatar como Cavaco Silva e merecia respeito. Contudo, correu quase tudo mal na candidatura de Defensor de Moura e foi penalizado nas urnas por isso. 

   Abstenção

   Entendo o descontentamento das pessoas, mas a solução não pode passar pelo vazio político. Há sempre alternativas aos actuais políticos, outros políticos ou mesmo não políticos de carreira. Ficar em casa ou votar em branco nunca é a melhor alternativa em democracia, embora reconheça às pessoas o direito de se expressarem desta forma. 

   Mário Lopes
25-01-2011
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