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Edição Nº 70 Director: Mário Lopes Sexta, 11 de Agosto de 2006
Líbano: Uma Guerra sem Solução?
  

  
Paulo Batista Santos


   Nas últimas semanas somos todos dias confrontados com a realidade trágica da guerra no Líbano. O que está a passar-se no Médio Oriente é, entre ou coisas, a prova de que infelizmente ainda teremos de esperar vários anos até que seja possível consolidar qualquer ideia de estabilidade e pacificação da região.

    Parece óbvio que aquilo que divide as diversas partes beligerantes neste conflito é suficientemente profundo e ultrapassa mesmo os limites da região. Daí resulte tantos apelos à intervenção da dita comunidade internacional, nomeadamente dos grandes pólos de influência internacional, tendo à cabeça os países e regiões do mundo com representação no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Mas será que esse tem sido o caminho mais correcto? Ou estamos na presença de uma inevitabilidade?

    Recordo que o Estado libanês tem sido uma mera ficção desde a guerra civil na segunda metade dos anos setenta. Por ali dominam várias milícias e grupos fundamentalistas, muitos a operarem sob a influência e patrocínio de outros Estados da região, inclusive um forte grupo militar sírio estive presente em solo libanês até ao ano passado, a pretexto de uma acção de contenção militar mandatada pelo Liga Árabe. Por conseguinte, o poder oficial de Beirute continua num papel meramente decorativo, incapaz de garantir a segurança e de fazer frente à poderosa organização do Hezbollah, a qual, sob a protecção de Estados vizinhos, continua a dominar o Sul do território e a ameaçar Israel.

    Por seu turno, o Estado israelita não pode permitir que uma força militarizada apostada em destruí-lo se instale num país fronteiriço que ainda não reconhece a sua existência, com capacidade balística para acertar nas suas principais cidades e determinada na ideia de aniquilamento da Nação judaica. Acresce que os seus demais vizinhos partilham com mais ou menos veemência a mesma concepção política.

    Neste cenário parece também ser óbvio que qualquer solução de estabilidade para a região só pode ser materializada por uma intervenção internacional, sob a égide das Nações Unidas e seguramente através de uma força militar expressiva que pela sua presença e acção consiga devolver alguma ordem e segurança à região. Todavia, nas actuais circunstâncias e tendo em conta o que se tem passado no Iraque, nem os países da região aceitam essa solução, nem as principais potências mundiais, em particular os americanos e ingleses, estão especialmente motivadas ou capacitadas para mobilizar mais meios militares para uma região tão problemática.

    Em suma, poderemos estar na presença de um conflito sem solução no curto prazo. Pessoalmente acredito nos esforços diplomáticos no sentido de cessar as hostilidades e pôr fim à mortandade que atinge as populações do Líbano e do Norte de Israel, mas a construção de qualquer solução definitiva para a região depende sobretudo da vontade dos líderes da região e, nesse particular, a história recente diz-nos que os conflitos muito provavelmente irão continuar.

    Finalmente, quanto à União Europeia, penso que poderá ter neste conflito um papel determinante (talvez mesmo seja a única solução viável para colocar um fim na guerra). O facto da generalidade dos seus Estados Membros terem tradicionalmente uma posição moderada sobre as questões árabes, associado a uma presença discreta no conflito no Iraque, poderá legitimar uma intervenção diplomática e militar bem recebida na região. Mas será que os europeus estarão em condições de acabar com as ambiguidades quando falamos em política de defesa comum e eventuais acções militares no exterior? Porque não tenhamos dúvidas, como um ilustre ex-comissário europeu recordava esta semana, "num conflito desta natureza as regras de empenhamento da força terão que prever o uso de capacidade de fogo não apenas em casos de legítima defesa mas também na concretização do mandato que for conferido à força".

    Resta-nos a esperança que as iniciativas em curso sejam rapidamente bem-sucedidas, porque aquilo que é hoje para nós (europeus) um trágico cenário televisivo em tempo de férias, embora já com reflexos negativos no custo de vida dos cidadãos, pode bem ser amanhã uma realidade próxima e com profundas consequências para a segurança do dito mundo ocidental.


         Paulo Batista Santos
         Gestor e Autarca

 

11-08-2006
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