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| No encerramento do Congresso Empresarial do Oeste |
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| Ministro do Ambiente alerta para baixa produtividade da hortofruticultura no Oeste |
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 Matos Fernandes no Congresso Empresarial do Oeste O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, encerrou o Congresso Empresarial do Oeste no dia 3 de novembro, alertando para os perigos do fim da economia linear e para a necessidade de se apostar num modelo de economia circular que garanta a distribuição dos recursos e a sua continuidade no futuro. João Pedro Matos Fernandes falou no final do Congresso que reuniu no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha cerca de 600 empresários e entidades, para discutir o futuro da Região Oeste.
Segundo o ministro do Ambiente, “falar de Economia é falar de Ambiente porque são os sistemas naturais base de toda a nossa atividade económica e social” e “todos os modelos apontam para que este sistema, base de toda a atividade socioeconómica, está a falhar”.
Para João Pedro Matos Fernandes, “a radiografia da Região Oeste mostra como é importante na estrutura económica da região a atividade de produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, sobretudo a energia eólica”, mas “dois terços das emissões são provenientes de atividades de extração e de processamento de materiais básicos” prevendo-se que “a procura de água aumente 137%, de terra arável 200% e de aço 57%, já nos próximos 20 anos”.
Segundo Matos Fernandes, “a escassez de recursos é inevitável. Para alguns materiais estamos a falar de reservas para 15 a 20 anos. Materiais críticos, ligados às novas tecnologias, às próprias energias renováveis. A competição será feroz e os preços irão, inevitavelmente escalar”.
O ministro mostrou-se convicto de que “a economia linear que hoje temos afastou-se do significado real da palavra. A economia deve basear-se numa gestão que nos permita alcançar compromissos sociais importantes: bem-estar, prosperidade, segurança e conforto, sem pôr em risco os limites físicos do planeta” pelo que “além de uma economia hipocarbónica ou neutra em carbono, precisamos de uma economia que pare de internalizar os lucros e socializar os custos da atividade económica, sob pena de não conseguirmos desligar a prosperidade da erosão do sistema natural” ou seja “precisamos de uma economia mais circular e distributiva dos recursos”.
João Pedro Matos Fernandes explicou que “numa economia circular, os produtos são desenhados apontando para o desperdício zero, eliminando componentes tóxicos, podendo integrar materiais reciclados, desenhados para que seja fácil a reparação, a separação e reciclagem, uma e outra vez” e se é preciso "fazer mais com menos", isso não é suficiente. O "menos" tem de ser regenerado facilmente, poder voltar à fábrica e ser atualizado ou remanufaturado, e colocado, outra vez, numa circulação rentável”.
Segundo o ministro, “não faz qualquer sentido que os produtos e os materiais, para os quais se extraiu, se consumiu energia e se gerou poluição, apenas produzam valor uma vez: quando são vendidos”, pelo que o Governo “não quer ficar de fora deste decisivo movimento. Por isso, criámos o Plano de Ação para a Economia Circular, cuja primeira fase vigora até 2020, e que abrange ações de nível nacional, setorial e regional”.
Para Matos Fernandes, “esperar por soluções "chave na mão" é um erro. As soluções somos nós que as temos de criar e pôr em prática. Dois dos princípios da economia circular são, precisamente, preservar e regenerar o nosso capital natural, e promover a eficiência e eficácia dos sistemas de produção e consumo”.
Segundo o ministro “nenhum outro sector toca estes princípios como a agricultura: totalmente dependente de capital e serviços ambientais, é o primeiro sector afetado pela sua degradação, e é também base da indústria alimentar”. O governante lembrou que numa região Oeste conhecida como “o mercado abastecedor de hortícolas na região de Lisboa e Vale do Tejo” este “é um sector também sujeito aos mesmos riscos de uma economia linear: é intensivo no uso de recursos, mas com uma produtividade baixa”.
O ministro explicou que 70% dos fertilizantes químicos utilizados não chegam a contribuir para a rentabilidade da produção: perdem-se, por lixiviação, ou são sobre-utilizados para lá da capacidade ou necessidade de absorção das próprias plantas, sendo que “em Portugal, “o sector agrícola é o maior consumidor deste recurso, responsável por 81% da procura, mas é também ineficiente: perde 38% do que consome”.
Matos Fernandes lembrou também que apesar do modelo linear de desenvolvimento nos ter trazido “produtividade e intensificação agrícola, baixou preços e abrandou a expansão de área cultivada, salvaguardando sistemas naturais que, de outro modo, teriam sido capturados para essa função”, mas “esse modelo está rapidamente a ficar esgotado, à medida que os nossos solos perdem capacidade de se regenerar e as alterações climáticas avançam”.
O ministro do Ambiente admite que “temos um potencial de expansão de área de cultivo extremamente limitado e uma procura crescente” e alerta que “um modelo económico linear que esgota esse recurso apenas decorrerá um resultado: insustentabilidade.” Ao invés, de “um modelo económico circular que preserva e regenera esse recurso decorrerão vários resultados: materiais, emprego, florescimento”.
Plano de Ação para Economia Circular prevê investimento superior a 3 milhões de euros em 2018
Após o encerramento e em conversa com os jornalistas, o ministro do Ambiente anunciou que, até ao final do ano, mais de três milhões de euros vão ser dedicados à economia circular e a perspetiva do Governo é de que a verba aumente no próximo ano. Segundo Matos Fernandes, “este ano com o apoio às empresas, os projetos das juntas de freguesia e com os projetos das Comissões de Coordenação (CCDR) são mais de três milhões de euros que vão ser dedicados à economia circular”.
No âmbito do Plano de Ação para a Economia Circular, cuja primeira fase vigora até 2020, e que abrange ações de nível nacional, sectorial e regional, o Governo abriu, no ano passado, “avisos de cerca de um milhão de euros”, mas o governante acredita que “a verba vai aumentar certamente” em 2019.
Mónica Alexandre
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| 12-10-2018 |
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