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Edição Nº 213 Director: Mário Lopes Sexta, 12 de Outubro de 2018
No encerramento do Congresso Empresarial do Oeste
Ministro do Ambiente alerta para baixa produtividade da hortofruticultura no Oeste
  
    Matos Fernandes no Congresso Empresarial do Oeste
O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, encerrou o Congresso Empresarial do Oeste no dia 3 de novembro, alertando para os perigos do fim da economia linear e para a necessidade de se apostar num modelo de economia circular que garanta a distribuição dos recursos e a sua continuidade no futuro. João Pedro Matos Fernandes falou no final do Congresso que reuniu no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha cerca de 600 empresários e entidades, para discutir o futuro da Região Oeste.

   Segundo o ministro do Ambiente, “falar de Economia é falar de Ambiente porque são os sistemas naturais base de toda a nossa atividade económica e social” e “todos os modelos apontam para que este sistema, base de toda a atividade socioeconómica, está a falhar”.

   Para João Pedro Matos Fernandes, “a radiografia da Região Oeste mostra como é importante na estrutura económica da região a atividade de produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, sobretudo a energia eólica”, mas “dois terços das emissões são provenientes de atividades de extração e de processamento de materiais básicos” prevendo-se que “a procura de água aumente 137%, de terra arável 200% e de aço 57%, já nos próximos 20 anos”.

   Segundo Matos Fernandes, “a escassez de recursos é inevitável. Para alguns materiais estamos a falar de reservas para 15 a 20 anos. Materiais críticos, ligados às novas tecnologias, às próprias energias renováveis. A competição será feroz e os preços irão, inevitavelmente escalar”.

   O ministro mostrou-se convicto de que “a economia linear que hoje temos afastou-se do significado real da palavra. A economia deve basear-se numa gestão que nos permita alcançar compromissos sociais importantes: bem-estar, prosperidade, segurança e conforto, sem pôr em risco os limites físicos do planeta” pelo que “além de uma economia hipocarbónica ou neutra em carbono, precisamos de uma economia que pare de internalizar os lucros e socializar os custos da atividade económica, sob pena de não conseguirmos desligar a prosperidade da erosão do sistema natural” ou seja “precisamos de uma economia mais circular e distributiva dos recursos”.

   João Pedro Matos Fernandes explicou que “numa economia circular, os produtos são desenhados apontando para o desperdício zero, eliminando componentes tóxicos, podendo integrar materiais reciclados, desenhados para que seja fácil a reparação, a separação e reciclagem, uma e outra vez” e se é preciso "fazer mais com menos", isso não é suficiente. O "menos" tem de ser regenerado facilmente, poder voltar à fábrica e ser atualizado ou remanufaturado, e colocado, outra vez, numa circulação rentável”.

   Segundo o ministro, “não faz qualquer sentido que os produtos e os materiais, para os quais se extraiu, se consumiu energia e se gerou poluição, apenas produzam valor uma vez: quando são vendidos”, pelo que o Governo “não quer ficar de fora deste decisivo movimento. Por isso, criámos o Plano de Ação para a Economia Circular, cuja primeira fase vigora até 2020, e que abrange ações de nível nacional, setorial e regional”.

   Para Matos Fernandes, “esperar por soluções "chave na mão" é um erro. As soluções somos nós que as temos de criar e pôr em prática. Dois dos princípios da economia circular são, precisamente, preservar e regenerar o nosso capital natural, e promover a eficiência e eficácia dos sistemas de produção e consumo”.

   Segundo o ministro “nenhum outro sector toca estes princípios como a agricultura: totalmente dependente de capital e serviços ambientais, é o primeiro sector afetado pela sua degradação, e é também base da indústria alimentar”. O governante lembrou que numa região Oeste conhecida como “o mercado abastecedor de hortícolas na região de Lisboa e Vale do Tejo” este “é um sector também sujeito aos mesmos riscos de uma economia linear: é intensivo no uso de recursos, mas com uma produtividade baixa”.

   O ministro explicou que 70% dos fertilizantes químicos utilizados não chegam a contribuir para a rentabilidade da produção: perdem-se, por lixiviação, ou são sobre-utilizados para lá da capacidade ou necessidade de absorção das próprias plantas, sendo que “em Portugal, “o sector agrícola é o maior consumidor deste recurso, responsável por 81% da procura, mas é também ineficiente: perde 38% do que consome”.

   Matos Fernandes lembrou também que apesar do modelo linear de desenvolvimento nos ter trazido “produtividade e intensificação agrícola, baixou preços e abrandou a expansão de área cultivada, salvaguardando sistemas naturais que, de outro modo, teriam sido capturados para essa função”, mas “esse modelo está rapidamente a ficar esgotado, à medida que os nossos solos perdem capacidade de se regenerar e as alterações climáticas avançam”.

   O ministro do Ambiente admite que “temos um potencial de expansão de área de cultivo extremamente limitado e uma procura crescente” e alerta que “um modelo económico linear que esgota esse recurso apenas decorrerá um resultado: insustentabilidade.” Ao invés, de “um modelo económico circular que preserva e regenera esse recurso decorrerão vários resultados: materiais, emprego, florescimento”.

   Plano de Ação para Economia Circular prevê investimento superior a 3 milhões de euros em 2018

   Após o encerramento e em conversa com os jornalistas, o ministro do Ambiente anunciou que, até ao final do ano, mais de três milhões de euros vão ser dedicados à economia circular e a perspetiva do Governo é de que a verba aumente no próximo ano. Segundo Matos Fernandes, “este ano com o apoio às empresas, os projetos das juntas de freguesia e com os projetos das Comissões de Coordenação (CCDR) são mais de três milhões de euros que vão ser dedicados à economia circular”.

   No âmbito do Plano de Ação para a Economia Circular, cuja primeira fase vigora até 2020, e que abrange ações de nível nacional, sectorial e regional, o Governo abriu, no ano passado, “avisos de cerca de um milhão de euros”, mas o governante acredita que “a verba vai aumentar certamente” em 2019.

   Mónica Alexandre
12-10-2018
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