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Edição Nº 132 Director: Mário Lopes Terça, 11 de Outubro de 2011
Opinião
A Escolha
 


Valdemar Rodrigues
vjrodrigues65@sapo.pt

Por mais que as ilusões confundam a visão, resta aos povos de todos os países uma escolha derradeira: ou continuam à mercê dos Estados-nação, alimentando o processo de autofagia em curso e sem fim à vista; ou tomam consciência das ameaças e se unem globalmente para evitar o desastre humano que se avizinha. É uma escolha tremendamente difícil, pois o mundo está hoje transformado num imenso parque dos horrores, cheio de ilusionistas e de “efeitos especiais”. É claro que à plutocracia reinante (constituída por “aqueles a quem devemos” e que, por razões de segurança, se escondem na sombra dos “mercados”) interessa que os Estados nacionais levem a cabo a sua missão até ao fim, e que finalizem o trabalho sujo que iniciaram, mais ou menos conscientemente, há algumas décadas atrás e para o qual foram devidamente financiados, em particular através dos partidos políticos nacionais e das respectivas centrais multinacionais, durante o chamado “período da descolagem” - período que ficou, enganadoramente, conhecido por globalização. Convém pois à plutocracia que o Estado aplique todo o poder coercivo ao seu dispor (incluindo o militar) contra o seu próprio povo, tarefa hoje extremamente facilitada com a profissionalização do serviço militar, o fim da respectiva conscrição e a privatização da “violência”, outrora monopólio do Estado. Os militares obedecem ao Estado nacional e este, por sua vez, obedece à plutocracia. Isso quer dizer que os militares, na realidade, já obedecem à plutocracia, aos que desejam tomar posse de “terrenos limpos”, livres de qualquer “substância” humana organizada. É muito arriscado “comprar” uma casa, neste caso regiões inteiras e países, com inquilinos lá dentro: convém que sejam destruídos pelas autoridades competentes, os Estados, o que está a acontecer rapidamente, com a ajuda das agências de desinformação e dos muitos agentes ao serviço da desordem e do caos social. Só o caos social pode fundamentar uma acção repressiva e autodestruidora do Estado, consubstanciada num absurdo ataque contra o seu povo. Somente depois do caos se poderá instalar convenientemente a nova ordem.

   E o que podemos fazer? - pergunta-se. Como evitar que este rumo se torne inevitável? A resposta é a seguinte: somente através da tomada de consciência e da união supranacional dos povos de todo o mundo afectado. Um esforço sobre-humano que necessitará da ajuda de muitos homens e mulheres de paz. De pessoas capazes de tornar mais resilientes as sociedades nacionais, impedindo-as de se autodestruirem com a ajuda da força brutal dos respectivos Estados que, mais ou menos pacificamente, consentiram um dia em erguer no seu seio. O que está hoje em causa não é uma luta entre países, nações, regiões ou culturas humanas, mas sim uma luta muito discreta e singela entre algumas dezenas de famílias de titãs que têm um único objectivo: dominar o planeta. Planeta cujos povos se empenham há muito em devassar moral e materialmente, acreditando, e com alguma razão, que a autoculpa é o melhor paralisante da acção humana. Ser hoje contra “alemães”, “russos”, “chineses” ou “norte-americanos” é, como nunca, absolutamente estúpido e inútil, pois apenas serve os interesses de uma plutocracia para quem a pátria é o Universo. Equivale no fundo a ser contra a humanidade. As fronteiras só existem para quem as não pode trespassar, e a plutocracia reinante há muito tempo que as ignora. Que não sejamos nós, cidadãos, os construtores voluntários dos muros que um dia hão-de acabar por nos prender. 

   E quanto aos Estados nacionais e seus governos, o que fazer deles? A resposta mais simples seria: tirar-lhe todo o poder e a força que ainda têm, e que entretanto se tornou ilegítima, pois um Estado nacional tem legitimidade quando age em benefício da nação, nunca quando a ataca ou procura destruir. Porém, nem sempre o mais simples é o mais verdadeiro, e os governantes também são, como nós, homens e mulheres, é certo que muitas vezes ignorantes e corruptos (exactamente do tipo que mais conveio à plutocracia durante a “fase de arranque” do processo). Há que começar por fazer uma profunda autocrítica: porque consentimos nós em dar tanta força à ignorância? Há depois que criar e procurar manter os laços de fraternidade com os nossos vizinhos próximos ou distantes e que, tal como nós, sofrem a influência de Estados que em breve se poderão transformar (alguns já se tornaram) em poderosas máquinas de extermínio ao serviço da plutocracia. Não servir o Estado nesse propósito mais ou menos oculto; prescindir do Estado o mais possível na actual fase de iniquidade; não lhe dar razões para criar novas leis (as leis que entretanto criou são mais do que suficientes para que possa carregar “preventivamente” sobre nós em nome de um vago conceito de “segurança nacional”, algo desenhado por tecnocratas e militares ocidentais após o termo da Guerra Fria); denunciar, sempre que possível, os seus abusos de poder e contradições (por exemplo: quem é que hoje depende mais do petróleo, os cidadãos ou o Estado nacional?); apoiar o julgamento criminal dos governantes pelas suas acções corruptas; e obrigá-lo, enfim, a ceder perante a sua única razão de existir: o querer e a vontade de paz que tende a prevalecer nos povos. Pode parecer um trabalho de Hércules, um sonho utópico ou fantasia. Contudo parece-me ser a única saída que actualmente nos resta. O novo mundo necessita, segundo a tecnocracia, de apenas 10% da população actual do planeta, e essa percentagem diminui rapidamente à medida que a tecnologia descobre novas formas de prescindir do trabalho humano. Os programas estatais de combate ao desemprego, por exemplo, não passam de uma farsa que visa unicamente: (i) manter gente inactiva, incapaz e dependente; (ii) justificar as subvenções estatais concedidas às corporações controladas pela plutocracia para criarem e manterem empregos – veja-se, por exemplo, o quanto recebeu por isso até hoje a fábrica de automóveis da Volkswagen, em Palmela!, e (iii) ajudar a manter o défice do Estado, o que mantém a pressão necessária para o constante agravamento dos impostos, acelerando assim o processo de expropriação dos cidadãos (os bens privados perdem o seu valor por falta de investimento na conservação; muitos acabarão mais tarde “nacionalizados” por via das penhoras e serão colocados à venda a preço de saldo). Não se “cria artificialmente” emprego ao mesmo tempo que a economia tudo faz para reduzir a necessidade de mão-de-obra humana. O que os governos há muito deviam ter “percebido” é que, perante a erosão da soberania dos seus Estados, uma erosão vinda “de cima”, a única coisa que tinham a fazer era reflectir “para baixo”, para as sociedades nacionais, a sua crescente condição de governos fracos. Em vez disso deslocaram toda a sua força para “dentro”, esmagando os cidadãos com leis e regulamentos de toda a espécie, e com uma carga fiscal absolutamente avassaladora. Fizeram portanto aquilo que mais convinha à plutocracia, mas ainda assim muitos esperam poder salvar-se! O pior é que poderão acabar no grupo dos outros 90% da população mundial que corre o risco de desaparecer pois deixou de ser instrumentalmente útil. Parece que grande parte do “trabalho sujo” ou já está feito, ou está a caminho de o ser. Talvez alguns governantes ainda consigam perceber a tempo o futuro que os espera, e compreender que trair os seus povos não dá geralmente direito a prémio (mesmo que Roma desta vez lhes pague, dificilmente mais tarde os respeitará). Já não resta muito tempo!
11-10-2011
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