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Edição Nº 201 Director: Mário Lopes Sábado, 22 de Julho de 2017
Opinião
Portugal à beira do sucesso em tecnologia de ponta
  
                  Joaquim Vitorino
Nas conversas que mantive com o Professor Mariano Gago (o então Ministro da Ciência e Ensino Superior), ao fim da tarde em fins de semana no terraço do Bar do Hotel Palácio do Estoril, aquele que considero ter sido o Ministro da Ciência com mais visão no futuro que Portugal já teve, não tinha dúvidas: se o nosso país não investir em força no ensino superior ficaremos para trás. Se considerarmos os meios à disposição da investigação em Portugal, chegamos a uma conclusão: embora não satisfaça os investigadores que precisam de mais apoios, o nosso país pode orgulhar-se de fazer parte de um grupo que está na linha da frente.

   São inúmeras as áreas em que os nossos investigadores têm dado provas, que muito nos horam e orgulham. O ensino clássico é importante, mas não é a prioridade do momento. As nossas universidades não se podem desviar da “rota do conhecimento”, nas tecnologias do futuro que serão determinantes para nos colar aos países da linha da frente, na grande (revolução) que será a inteligência artificial e toda a alteração que a ela vai estar associada e toda a magia tecnológica ao dispor do homem num curto espaço de tempo. Uma só geração - 25 anos - pode fazer toda a diferença e não terei dúvidas que em 2050 mais de 70% das profissões serão novas. Ainda ninguém sabe o nome delas e 90% da nossa população actual não saberia lidar com elas. A produção alimentar também não pode ser deixada para trás. Portugal tem os maiores recursos marítimos de toda a União Europeia e uma vasta área agrícola completamente desaproveitada. Muito do pescado e produtos agrícolas que consumimos são importados, o que nos torna dependentes e vulneráveis ao nível alimentar.

   A Universidade do Algarve ( UALg ) e a SPIC “Creative Solutions”, desenvolveram uma tecnologia que permite a projeção holográfica da figura humana em tamanho real, que terá a possibilidade de interação com o público.

   O projeto consiste na projeção de um vídeo em alta definição que mostra um holograma de uma pessoa humana, num cenário ao vivo ou dentro de uma estrutura fechada. A personagem poderá ter a função de rececionista de relações públicas de uma empresa ou de um outro evento e poderá interagir dinamicamente em funções de informação que sejam solicitadas pelo utilizador, servindo de guia orientador e de fonte de informação útil.

   O holograma foi criado em 360 graus, permitindo aos utilizadores a visualização da personagem de qualquer ângulo.

   O produto pode ser equipado com sensores volumétricos para deteção de movimentos e ligação à Internet, permitindo a interação por tablet ou smartphone. Uma outra utilidade é a possibilidade de se poder efetuar presenças virtuais como teleconferências em tempo real. Embora numa fase de investigação, a Universidade do Algarve está de parabéns e junta-se à de Aveiro, Minho e Porto que embora noutras áreas convergentes como a Astronomia, Astrofísica e Física de Materiais, porque estão envolvidas em dois Grandes Projetos Científicos Mundiais do momento: o E-ELT e SKA, os dois maiores Telescópios até hoje construídos, respetivamente um refletor com 39 metros de diâmetro e o que será o maior radiotelescópio de sempre ao serviço da Ciência, com um quilómetro quadrado de antenas. Num futuro próximo que não será muito longínquo, talvez para o final deste Século, hologramas com os feitos dos humanos serão enviados para a Via Látea para dar a conhecer os prodígios da nossa Civilização, onde não faltarão as grandes estruturas por nós construídas, com as grandes pontes, torres e metrópolis como Nova York, estádios e outros pontos que a tecnologia humana conseguiu atingir. Para não assustar os ( possíveis contatos ), vamos omitir muitas das coisas negativas em que o homem tem sido protagonista, tais como as guerras que não conseguiu evitar e a agressão ao seu “lar e habitat, o Planeta Terra”, que levou à extinção de milhares de outras espécies e outras que estão na iminência de também desaparecerem. Não sou determinista, mas acredito que muitos dos acontecimentos negativos se enquadram em danos colaterais, que a História da Humanidade sempre esteve sujeita e que os humanos não conseguiram evitar.

   O homem deu, nos últimos 100 anos, um inacreditável salto em tecnologia, mas também no conhecimento de si próprio e ultrapassou de longe as muitas civilizações que nos procederam, algumas conhecidas e outras que lhes perdemos o rasto.

   Os custos em apenas um século foram muito elevados, mais de mil milhões de vítimas de guerras, perseguições e fome. Entre as poucas coisas positivas, que temos para impressionar civilizações com quem possamos contatar virtualmente através de holograma será o desporto, que vai mantendo um débil equilíbrio entre as nações, refreando ódios e beligerância, tendo muitas vezes sido determinante no apaziguamento de tensões e no contato entre os povos, em especial, o mais popular e universal dos desportos no planeta que é o futebol.

   Acredito que se um holograma fosse neste momento enviado para dar a conhecer o “futebol” que move biliões de humanos, a figura escolhida seria a de um português.

   Não obstante muitos cortes que têm afetado as nossas universidades, a investigação científica em Portugal tem passado pelos intervalos da chuva e vai marcando pontos; mas temos de ir um pouco mais além, como já referi em muitos dos meus artigos e crónicas. O desenvolvimento é o único veículo que leva à criação da riqueza e esta só tem uma fonte que o alimenta: as Universidades.

   Alguns dos nossos melhores investigadores que a crise obrigou a partir estão em destaque em todo o mundo; não podemos perder mais tempo, é preciso trazê-los de volta.

   J. Vitorino



22-07-2017
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