 Carlos Bonifácio
O Tribunal de Contas chumbou a concessão do Litoral Oeste, trata-se de uma péssima notícia para a região, e o prenúncio de um conjunto de obras que vão continuar na gaveta, para desespero dos agentes económicos e políticos do Distrito de Leiria. Desde logo, em relação a duas vias transversais para o desenvolvimento desta região como é o caso do IC36 que fará ligação há muito reclamada entre a A8 e a A1 e do IC9 uma via decisiva e sucessivamente adiada que permitirá no futuro dar um novo impulso na área do turismo, sector fundamental e responsável por mais de 11% do PIB do País e que ligará três monumentos Património da Humanidade, que já hoje fazem parte de um arco patrimonial e religioso que congrega centenas de milhares de turistas a nível internacional. Após a conclusão da A1 e da A8, a região do Oeste e parte do Distrito de Leiria, ficaram desprovidos de vias transversais que permitissem uma intercepção com estes dois eixos longitudinais, por esta razão o IC36 e IC9 são obras estruturantes para a actividade económica dos municípios.
Ao ser recusado o visto prévio, pode ter sido dado um rude golpe nas legítimas aspirações dos concelhos que beneficiariam directamente destas vias ou no melhor cenário um atraso muito significativo no calendário de execução de obra.
No caso concreto do IC9, estamos perante um “calvário” com mais de 18 anos, de sucessivos avanços e recuos, em função dos governos de então para cá, devendo ser enaltecidos os esforços desenvolvidos pelos Presidentes de Câmara que têm sido permanentes ao longo do tempo.
Tudo fazia crer que desta era de vez, o facto do 1ª Ministro ter vindo a Leiria com pompa e circunstância apresentar a concessão litoral Oeste, encheu de esperança os agentes da região. Mas eis que novos problemas se levantam e o fantasma do adiamento volta a pairar sobre as nossas expectativas. Resta-nos a esperança de que o governo tenha argumentos fortes para inverter a situação, sob pena de estarmos perante mais um momento de frustração e uma clamorosa derrota do Governo de Sócrates.
No caso de Alcobaça e porque tive a oportunidade de acompanhar de perto todo o processo relativo ao IC9 e à variante de Alcobaça, não esqueço a pompa e circunstância com que foram apresentadas em Alcobaça, pelo Secretário de Estado das Obras Públicas, estas duas vias, tendo poucos meses depois, o mesmo governo, através do Ministério do Ambiente, chumbado a variante de Alcobaça, com recurso a argumentos pouco esclarecedores.
Na altura, foi garantido que Alcobaça seria compensada por este chumbo, designadamente através de uma ligação do IC9 à via de cintura interna de Alcobaça e de se estudar um novo traçado da estrada 8/6 entre a Benedita/ Alcobaça e a sua ligação à A8.
Perante os cenários que se desenham, manifesto muita apreensão quanto futuro em termos de acessibilidades para o Concelho, colocando-se um desafio tremendo em relação ao novo poder autárquico, que assim terá que apelar a todas as suas forças para encontrar soluções que impeçam o isolamento viário decorrente deste imprevisto e do consequente constrangimento que esta decisão a confirmar-se, vai ter no desenvolvimento do Concelho e da região.
Carlos Bonifácio
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