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Edição Nº 80 Director: Mário Lopes Quinta, 31 de Maio de 2007
Opinião
Óbidos já é uma “Maravilha de Portugal”, mas...


Carlos Orlando
Rodrigues

    O Castelo de Óbidos, certamente fazia parte de uma rede de castros que recolhiam a maior parte da população, que vivia no campo, em caso de ataque do inimigo.

 

    Este castro lusitano-romano, este oppidum que com os diversos abrandamentos gramaticais terá dado Óbidos, fica situado num ponto alto, quase inacessível, dominando a passagem dum eventual invasor, de encostas escarpadas e defensáveis da Vila de Óbidos e cujas muralhas são, em alguns pontos em que se interrompem, cercas constituídas de rochas naturais, a que se acrescentaram muros coroados de ameias ou cortados de seteiras.

    Primeiramente de aparência rude, provavelmente tendo sido uma torre de vigia ou de Atalaia que, conjuntamente com outras próximas, controlavam o tráfego fluvial da Lagoa de Óbidos e o tráfego terrestre de entre-cruzamento de estradas e de pontes, que se avistariam no território da sua área e, como primeiro ponto de defesa e alerta da, tudo o indica, cidade romana de Eburobrittium, o Castelo de Óbidos sofreu uma progressiva feição artística, com alguns estéticos traços dentre os quais surge, no séc. XVI, o manuelino.

    O Castelo de Óbidos é uma das três obras portuguesas (conjuntamente com os castelos de Alcobaça e de Vila Viçosa) (re)edificada na segunda metade do século XII, marcada pela introdução, pelos Almóadas, de importantes novidades em termos de arquitectura militar, que acabaram por influenciar os castelos portugueses. Aqueles foram os responsáveis entre nós, pelas torres octogonais, pelas portas em cotovelo, pelas couraças e ainda pelas torres albarrãs (de fora, no exterior), torres construídas no exterior das muralhas, e ligadas a elas por meio de um arco ou passadiço que se desenvolve à cota do adarve, permitindo o tiro flanqueado, particularmente indicado para a defesa da base das muralhas.

    A origem do Castelo de Óbidos é, portanto, do Médio-Oriente com inovações norte africanas, porque a qualidade das edificações militares muçulmanas era, em geral, bastante superior à dos castelos cristãos do norte.

    Com o assenhoreamento de Óbidos, em 11 de Janeiro de 1148, após as conquistas de Santarém e de Lisboa, pelo nosso primeiro rei, inserido na movimentação geral norte-sul da Reconquista, o pensamento de D. Afonso Henriques era sempre dominado por dois cuidados, mais que qualquer outros: a reconstrução do castelo e a “purificação” do templo maometano, isto é, a segurança militar e a segurança espiritual, pois naquele tempo o conceito de Pátria e de Fé constituíam, na realidade, um todo indivisível para os Portugueses que fizeram Portugal.

    Os subsequentes progressos construtivos do Castelo de Óbidos, foram realizados pelos reis D. Sancho I, D. Dinis, D. Fernando, D. Manuel e D. João IV, assinalados por melhoramentos de ampliação e recomposição de todas as fortificações, assim como, a construção de diversas torres, (que ainda hoje conservam o nome daqueles três primeiros reis) e que abrangem a construção da própria Torre de Menagem.

    Menagem ou homenagem, era assim denominada a cerimónia da tomada de posse do alcaide em que se obrigava a defender até ao último sacrifício, o castelo que lhe era confiado.

    Em Óbidos, entre os diversos alcaides, evidenciou-se D. Fernando que, em 1245 tornou célebre a nossa Vila, pela fidelidade demonstrada ao rei e pelo heróico valor com que se defendeu, apesar da excomunhão lançada pela Igreja contra todos os partidários do futuro D. Afonso III.

    Este episódio é certamente o mais importante da história militar de Óbidos, merecendo posteriormente o título de “Nobre e sempre Leal” como sinal de reconhecimento à firmeza dos obidenses, pelo Rei Bolonhês.

    O Castelo de Óbidos, hoje com sete portas, tinha no princípio só duas. A primeira abria para a povoação e a outra para o terreno exterior, à volta da qual se conta a lenda da conquista de Óbidos aos Mouros, mas que concretamente abria para a guarnição, e por ali se efectuarem ataques de surpresa, que aliás não era grande, por serem difíceis as comunicações com o exterior por aquele caminho, em resultado do terreno ser escarpado sobre o qual abria a porta da traição.

    Apesar da sua evolução construtiva e artística, o Castelo – tal como a generalidade de outros, assim como a cerca muralhada, foram inexoravelmente perdendo a sua importância como fortificação, dada a evolução tecnológica da arte da guerra, para a qual os castelos do seu género foram perdendo a sua eficiência militar.

    Este aspecto não impediu, no entanto, que tivesse sido em Óbidos e nas suas cercanias que se tivessem dados os primeiros confrontos entre franceses e ingleses na Primeira Invasão Francesa e que foi o prenúncio da Batalha da Roliça – ao tempo, fazendo parte do termo de Óbidos, nem que, em tempo de paz, no princípio dos anos 50 do século XX a primeira Pousada de Portugal se tenha instalado no Castelo de Óbidos, que, com todo o conjunto da Vila de Óbidos e desde o tempo da Rainha Santa Isabel e por muitos séculos, fez parte do dote nupcial das rainhas de Portugal.

    Vote no Castelo de Óbidos, porque, para além da riquíssima História que viu desenrolar-se a seus pés e no seu interior, a sua construção assinalou uma importante inovação que influenciou a arquitectura militar portuguesa e para que fique entre as “Sete Primeiras”

    Carlos Orlando Rodrigues
                Professor

31-05-2007
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