Google
Mantenha-se actualizado.
Subscreva a nossa RSS
Twitter Tinta Fresca
Concorda com a legalização da eutanásia?
Sim
Não
Não sei/talvez
Edição Nº 102 Director: Mário Lopes Terça, 14 de Abril de 2009
Opinião
Cidadania exclusiva
   Levado pela curiosidade (que, juro, não é mórbida), ando já há alguns anos a ver como funcionam na prática os partidos políticos, no meu País. Teoricamente, “está tudo nos livros”... As declarações de princípios, as bases programáticas, as moções de orientação nacional, etc, fornecem o enquadramento ideológico. Os estatutos, para além de definirem os diferentes Órgãos do partido, e os direitos e os deveres dos militantes, são obviamente muito concretos na definição das chamadas “estruturas de base”. Aconselha-se a sua leitura àqueles que nunca o fizeram. Teoricamente, está tudo lá! Nos estatutos de um partido ? seja ele do “arco” da governação, ou dos seus fiéis adversários, confortavelmente fora do “arco” ? tudo está previsto para o bom funcionamento: quer se trate de órgãos nacionais, distritais, ou concelhios. 

   Mas, na prática, no concreto, como funcionam as “coisas”, no meu País? Como estamos de participação cívica? Como tem ido Portugal na inclusão dos seus cidadãos na Democracia que uma Primavera já tardia em Abril, há 35 anos, nos concedeu? 

   Uma das razões que mais motivou a minha curiosidade foi a constatação, no contacto regular com a dita “malta nova”, que passada a euforia da primeira década pós-25 de Abril, e os tempos de novas oportunidades e vacas gordas da década seguinte, os mais jovens há muito que se desinteressaram de dar a cara pelos partidos políticos. Claro, que há excepções, há sempre (em tudo na vida), para confirmar a regra!

   Ver pela televisão, ler nos jornais, não (me) chega. Diria, ninguém se deve limitar a assistir. Há que meter o nariz. Ver aqui e acolá. Falar com as pessoas. Sentir o que sentem. Comportar-se e ver como se comportam. Não falar do que não se sabe. Não criticar apenas por desconhecimento, ou por mera oposição, mas, preferencialmente, por um “saber” (tão despropositada pode ser esta palavra) de experiências feito.

   Ao meter o nariz, aqui e acolá, vive-se a realidade. Aprendem-se lições de vida e para a vida. A conclusão é obviamente decepcionante. Vivem-se tempos de mediatismo. O marketing político transcendeu a esfera de acção para a qual foi criado. Os partidos políticos, em especial os grandes, deixaram de ser espaços de criatividade séria e de procura de soluções participadas, escola de virtudes cívicas, e até de convivência fraterna entre pessoas. De debate, também.

   Não me venham com teorias que sustentam que as pessoas deixaram de sonhar, que a civilização que trouxe a Internet, o telemóvel e o iPod, transformou as pessoas em meros consumidores de prazer ou em voyeurs das desgraças dos outros. A esmagadora maioria tem ideais, luta por um mundo melhor, acredita em valores e, no fundo, tem a noção de que em Democracia o papel dos partidos políticos é insubstituível. Está é farta de ver daquilo que não gosta. 

   O leitor sabe o que resta se não participar na gestão da causa pública? Não basta ir votar. É preciso contribuir para a qualidade dos menus que nos são servidos. Poder escolher o menos mau, sempre é melhor que não poder escolher. Mas, aqui para nós, não acha que se pode ir mais além?

   NOTA: Acontecimentos mais recentes na vida real de um partido político em Alcobaça (o PS) que integro por vontade própria e sem barreiras, e com a cara que tenho, levaram-me a escrever estas notas. 

   Luís Guerra Rosa
14-04-2009
« Voltar

Comentários

Nome:*
Email:*
Comentário:*

* Obrigatório
Ao comentar aceita automaticamente a
política de utilização deste portal.
Para que o seu comentário seja válido deve preencher todos os campos acima indicados como obrigatórios. O email é usado apenas para efeitos de verificação e não será exibido com o comentário. Os comentários deste portal são moderados, pelo que são sujeitos a verificação antes de serem publicados. Não serão aceites comentários de carácter insultuoso, discriminatório, racista ou spam.
Comentário de Aurelio Ferreira
22-04-2009 às 11:53
Confesso que me surpreendeu com os seus pensamentos, sobretudo pela expressão de cidadania (ou falta dela), que refere existirem nos partidos. Infelizmente ainda havemos de ver a democracia implodir, por falta de ética e responsabilidade nos seus pilares, que deveriam ser os partidos políticos. Se assim for, libertemo-nos dos partidos e intervínhamos como cidadãos responsáveis. Será que para melhorar as propriedades dos partidos não poderíamos fazer uns tratamentos térmicos, como me ensinou !!??
Comentário de aantónio augusto lopes
18-04-2009 às 18:31
Concordo. Retiro uma frase que diz muito: Estamos é fartos de ver aquilo que não gostamos . Sempre se pode ir mais além, mas a ditadura partidária é quem mais ordena. E esses vivem no mundo irreal, criado por eles, É pena.
Pesquisar
Ed. Anteriores
Contactos
Newsletter
 
Cartas ao Director
Blogue Tinta Fresca
Blogues
Sítios Úteis
 
OPINIÃO
Cavaco
Rui Alexandre
Cidadania exclusiva
Luís Guerra-Rosa
D. Nuno Álvares Pereira: Glória, Honra e Exemplo
Saul António Gomes
Mudança
Nuno Miguel Cruz
Unir Alcobaça. Vamos abrir a Câmara e dar prioridade às pessoas!!!
Rogério Raimundo
Para um balanço a preto e branco, com várias tonalidades de cinzento
Daniel Adrião
O tempo que passa também é de oportunidades
Carlos Bonifácio
 

Projecto Co-Financiado por  Promotor  Desenvolvimento
Acessibilidade [Alt + D seguido de ENTER] D  POS_Conhecimento
FEDER União Europeia
FEDER
Associa��o de Munic�pios do Oeste Makewise - Engenharia de Sistemas de Informa��o